domingo, 10 de janeiro de 2016

EM FAVOR DAS DIETAS BAIXAS EM HIDRATOS DE CARBONO



O artigo saído há dias na página Life & Style do Público intitulado “O estranho caso dasdietas sem hidratos de carbono” do meu colega nutricionista Pedro Carvalho suscita-me uma reacção. Logo que o artigo saiu, recebi vários mails de pessoas que queriam a minha opinião por saberem que sou defensora e preconizo dietas com uma grande redução de hidratos de carbono, Resolvi, portanto, escrever esta resposta e publicá-la numa rede social (fb/dietaparasedentários) e no meu blogue (http://comerbemateaos100.blogspot.com).

No meu contacto diário com doentes procuro sempre actuar ao abrigo de fundamentação científica actualizada. Na minha prática clínica adoptei, há anos, dietas com baixo teor de hidratos de carbono para tratar não só o excesso de peso mas também a diabetes tipo 2 e outras doenças associadas à obesidade. As pessoas que cumprem os planos alimentares que prescrevo têm apresentado excelentes resultados, quer no que respeita à redução de peso, quer no que respeita à melhoria dos indicadores clínicos que são  factores de risco de doenças cardiovasculares. Os resultados são duradouros.

Dou uma explicação breve, podendo as leitoras ou leitores encontrar mais pormenores na minha página do Facebook ou no meu blogue. Os hidratos de carbono são um grupo de nutrientes nos quais se inclui o amido (substância contida em alimentos como pão, massa, arroz ou batatas) e os açúcares (contidos no leite, iogurtes, fruta, mel, refrigerantes e guloseimas), que se transformam em glicose no processo da digestão. Todos os hidratos de carbono digeríveis são reduzidos nos intestinos a açúcares simples. Daí passam para a corrente sanguínea, aumentando a glicémia, isto é, o nível de glicose no sangue. Este aumento faz aumentar a produção de insulina pelo pâncreas, a nossa hormona que favorece a transformação do açúcar em gordura e o seu armazenamento, sob a forma de triglicerídeos, no tecido adiposo (o tecido adiposo é formado por células chamadas adipócitos, que armazenam gordura).

Dos quatro macronutrientes (nutrientes de que necessitamos em maior quantidade), água, proteínas, gorduras e hidratos de carbono, apenas os hidratos de carbono não são essenciais à nossa vida. A glicose é um nutriente fornecedor de energia por excelência: é o primeiro composto a ser convertido em energia nas células por um processo metabólico relativamente simples e rápido. Quando falta, o nosso organismo consegue sintetizar glicose, unidade básica dos hidratos de carbono, a partir das gorduras (concretamente dos triglicerídeos) e das proteínas num processo chamado gliconeogénese ou neoglicogénese.

 Não se conhece até à data nenhuma doença causada pela privação parcial ou total de hidratos de carbono, mesmo que essa privação ocorra por períodos prolongados. O mesmo não acontece com as gorduras, nem com as proteínas pois existem, respectivamente, ácidos gordos e aminoácidos essenciais, necessários aos processos biológicos que têm de ser fornecidos pela alimentação.

Não se deve estranhar que as dietas baixas em hidratos de carbono sejam cada vez mais adoptadas.

Ana Carvalhas
Nutricionista UP
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