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E SE A DIABETES TIPO 2 FOR REVERSÍVEL?

É habitual considerar-se a diabetes tipo 2 como uma doença crónica progressiva, mas novos factos têm revelado que tal não é inteiramente verdade. Vários doentes diabéticos que reduziram drasticamente o açúcar e os carboidratos da sua alimentação perderam peso, reduziram a gordura corporal e fizeram exercício físico, tendo assim conseguido que a diabetes entrasse em remissão. Agora já não precisam de medicamentos para a tratar. De facto a diabetes tipo 2 é uma doença com origem alimentar, pelo que necessita de tratamento dietético.

Vamos aos factos. A diabetes tipo 2 é uma doença provocada pela elevada resistência à insulina que leva ao aumento da glicose no sangue (glicémia). O tratamento  instituído para tratar a diabetes tipo 2 consiste em  medicação para baixar os níveis da glicémia. Por outras palavras o alvo do tratamento da diabetes tipo 2 é a glicémia, mas devia ser a insulino-resistência. Para se perceber tudo melhor, vou dar um exemplo: quando temos uma infecção na garganta, devemos tratar essa infecção usando um antibiótico que vai actuar sobre os microorganismos que a causam. Mas um sintoma da infecção é o aparecimento de febre. Se só tratarmos a febre esquecendo a infecção, não trataremos a doença e esta progredirá. Com a diabetes tipo 2 passa-se precisamente o mesmo: estamos a tratar o excesso de açúcar no sangue, o sintoma, quando deveríamos tratar o aumento da resistência à insulina, a doença. De facto, a resistência à insulina progride, tornando-se crónica. O tratamento começa com um tipo de medicamento, normalmente metformina, continua para dois tipos de medicamentos, introduzindo-se mais tarde a insulina. Em 5, 10 ou 15 anos o doente está hipermedicado e cada vez mais doente, mesmo que tenha as glicémias controlodas.

A diabetes tipo 2 é uma doença do foro dietético e nutricional. Os doentes diabéticos tipo 2 que resolverem cortar os açúcares e carboidratos da alimentação, emagrecer e fazer mais exercício físico estão a fazer o melhor tratamento para a sua resistência à insulina. Em pouco tempo verão os valores da sua glicémia diminuir. Percebe-se facilmente que há mais vantagens neste método de tratamento da diabetes tipo 2 e de controlo das glicémias do que na procura do mesmo resultado à força, através de medicamentos. Além disso, não faz sentido nenhum administrar mais insulina a uma pessoa diabética tipo 2 que, em geral, tem excesso de insulina em circulação. A insulina dá-se sim aos diabéticos tipo 1 que não a produzem em quantidade suficiente.

Se o leitor é diabético e está a ser tratado com algum tipo de dieta ou apenas com metformina, não corre risco de ter hipoglicemia, podendo iniciar a redução dos carboidratos da alimentação que aumentam a sua glicémia. Idealmente, esta alteração deve ser realizada sob a vigilância do nutricionista e do médico. Mas pode começar hoje mesmo!


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