MANTEIGA OU MARGARINA?

O que devo comer manteiga ou margarina? Esta dúvida assalta certamente a maioria dos consumidores na hora de comprar um produto para barrar o pão. A variedade de margarinas e manteigas que existem actualmente no mercado e a publicidade dos respectivos fabricantes deixa confuso o comum dos mortais. O factor que mais influencia a escolha é, certamente, a preocupação de não aumentar ou, se possível, reduzir o colesterol. Vamos então aos factos:

A margarina foi inventada em 1869 por um químico francês, Hipollyte Mergé-Mouriès, que fez uma mistura à base de sebo, leite e úbere de vaca. Por ser uma gordura mais económica do que a manteiga depressa se tornou popular em toda a Europa. Mas o sebo das vacas europeias logo se tornou insuficiente para a expansão da indústria e, em 1907, fez-se a primeira experiência de hidrogenação dos óleos que consiste na saturação das duplas ligações dos ácidos gordos insaturados por átomos de hidrogénio, que faz a gordura solidificar. A primeira gordura utilizada neste processo foi o óleo de palma. Surgiram então as primeiras margarinas vegetais. A sua matéria prima são os óleos vegetais, ricos em ácidos gordos polinsaturados (como apregoa a indústria!), mas que se tornam saturados durante o processo de fabrico, por hidrogenação, formando as chamadas gorduras trans. Estas gorduras trans, ou gorduras hidrogenadas, comportam-se como gorduras saturadas no organismo, tendo efeitos ainda mais prejudiciais do que as gorduras saturadas naturais. 

Outros pontos desfavoráveis às margarinas são o sabor e o enorme conteúdo em aditivos químicos. De facto, durante o seu fabrico são-lhes adicionados emulsionantes, estabilizantes, aromatizantes (pretende-se imitar o sabor da manteiga), espessantes, corantes, conservantes e antioxidantes, entre outras substâncias.

Por seu lado, a manteiga é uma gordura natural de produção milenar que se obtém batendo a nata do leite. Trata-se de um alimento bastante rico em vitamina A. Recentemente surgiu no mercado e tornou-se popular a "manteiga magra". Tem teores mais baixos de gordura do que a manteiga usual, mas, tal como a margarina, está impregnada de aditivos químicos (basta ler o rótulo...) e por isso, a meu ver, tem muito pouco interesse do ponto de vista nutricional e da saúde.

A aura de vilã que a manteiga tem ganho nas últimas décadas deve-se ao facto de ser uma gordura saturada (as gorduras saturadas são sólidas à temperatura ambiente) e por conter colesterol. Por seu lado, a margarina vegetal não contém nenhum colesterol, mas faz subir o colesterol por ser saturada artificialmente. Então a escolha é entre duas gorduras saturadas, uma natural de sabor tradicional e rica em vitamina A - a manteiga- , e a outra artificial,com pior sabor e rica em aditivos químicos - a margarina.

A manteiga consumida com moderação (não mais do que um pacote de 10 gramas por dia) por pessoas saudáveis, adultos ou crianças, é melhor do que a margarina. Ninguém resolve o problema do colesterol elevado ao trocar a manteiga por margarina. Antes pelo contrário. Seria bem melhor se a trocasse, por exemplo, por azeite, mas sempre com muita moderação.

Paracelso, o famoso químico e médico do Renascimento escreveu uma frase muito acertada: "Todas as substâncias são venenos, é tudo uma questão de dose". E é por isso que devemos pensar duas vezes antes de comprar alimentos de consumo diário carregados de aditivos químicos.
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