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ALIMENTAÇÃO E DIABETES # 3: Os diabéticos podem substituir o açúcar por frutose?


A frutose ou levulose é um açúcar simples, com elevado poder adoçante, encontrado no mel, frutas, açúcar de mesa (sacarose) e no xarope de milho rico em frutose. Este último, muito utilizado pela indústria alimentar, que é particularmente rico nesse açúcar, fez quadruplicar o consumo mundial de frutose desde 1900. Este aumento, que se acentuou nos últimos 30 anos, é paralelo ao aumento da obesidade, diabetes, hipertensão e doenças renais.

A frutose é constituída por uma molécula com uma estrutura química semelhante à da glicose. Não necessita de insulina para ser metabolizada e tem um baixo índice glicémico. De facto, a frutose presente na dieta produz menor aumento na glicémia (glicose no sangue) quando comparada com outros hidratos de carbono como, por exemplo, a sacarose ou o amido. Este efeito foi considerado vantajoso e, por isso, a frutose foi, durante algum tempo, recomendada como adoçante para diabéticos. Mas, até à data, não existe consenso entre os especialistas nessa doença relativamente à recomendação do uso deste açúcar. Vamos ver porquê.

Estudos experimentais em animais mostraram que a frutose pode induzir distúrbios metabólicos, designadamente a resistência à insulina, níveis elevados de triglicerídeos, obesidade abdominal (a frutose favorece a lipogénese), pressão arterial elevada, inflamação, stress oxidativo, disfunção endotelial (endotélio é a membrana que reveste os vasos sanguíneos), doença microvascular, hiperuricemia, hipertensão glomerular e lesão renal, e gordura no fígado (esteatose hepática).

Por outro lado, o consumo de frutose está associado à compulsão alimentar. Um estudo revelou que indivíduos alimentados com frutose tinham maior apetite no dia seguinte do que os pertencentes ao grupo de controlo alimentados com glicose. Esse facto explica-se devido à frutose não estimular a produção de insulina, existindo assim uma atenuação da produção de leptina e grelina, hormonas responsáveis pela homeostase de energia e pela saciedade.

Quando se pergunta se os diabéticos devem substituir o açúcar por frutose, a resposta é não. A ingestão total de frutose, segundo alguns autores, não deve ultrapassar os 20g por dia, o que não se compadece com bolos e sobremesas em que se substitui o açúcar por frutose como passou a ser moda. Os alimentos processados ​​e bebidas açucaradas, por exemplo, contêm frutose em quantidades excessivas e por isso devem ser eliminados da dieta. A única frutose que todos, diabéticos e não diabéticos, devemos tomar é a que se encontra naturalmente na fruta. A frutose em excesso não faz bem a ninguém e muito menos aos diabéticos.

Artigos e sites consultados
http://ajcn.nutrition.org/content/88/5/1189.full

K. L. Stanhope, A. A. Bremer, V. Medici, K. Nakajima, Y. Ito, T. Nakano, G. Chen, T. H. Fong, V. Lee, R. I. Menorca, N. L. Keim, P. J. Havel. Consumption of Fructose and High Fructose Corn Syrup Increase Postprandial Triglycerides, LDL-Cholesterol, and Apolipoprotein-B in Young Men and Women. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2011; DOI: 10.1210/jc.2011-1251

Wikipedia

http://experiencelife.com/newsflashes/cancers-favorite-sugar/
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