quarta-feira, 31 de julho de 2013

ALIMENTAÇÃO E DIABETES # 3: Os diabéticos podem substituir o açúcar por frutose?


A frutose ou levulose é um açúcar simples, com elevado poder adoçante, encontrado no mel, frutas, açúcar de mesa (sacarose) e no xarope de milho rico em frutose. Este último, muito utilizado pela indústria alimentar, que é particularmente rico nesse açúcar, fez quadruplicar o consumo mundial de frutose desde 1900. Este aumento, que se acentuou nos últimos 30 anos, é paralelo ao aumento da obesidade, diabetes, hipertensão e doenças renais.

A frutose é constituída por uma molécula com uma estrutura química semelhante à da glicose. Não necessita de insulina para ser metabolizada e tem um baixo índice glicémico. De facto, a frutose presente na dieta produz menor aumento na glicémia (glicose no sangue) quando comparada com outros hidratos de carbono como, por exemplo, a sacarose ou o amido. Este efeito foi considerado vantajoso e, por isso, a frutose foi, durante algum tempo, recomendada como adoçante para diabéticos. Mas, até à data, não existe consenso entre os especialistas nessa doença relativamente à recomendação do uso deste açúcar. Vamos ver porquê.

Estudos experimentais em animais mostraram que a frutose pode induzir distúrbios metabólicos, designadamente a resistência à insulina, níveis elevados de triglicerídeos, obesidade abdominal (a frutose favorece a lipogénese), pressão arterial elevada, inflamação, stress oxidativo, disfunção endotelial (endotélio é a membrana que reveste os vasos sanguíneos), doença microvascular, hiperuricemia, hipertensão glomerular e lesão renal, e gordura no fígado (esteatose hepática).

Por outro lado, o consumo de frutose está associado à compulsão alimentar. Um estudo revelou que indivíduos alimentados com frutose tinham maior apetite no dia seguinte do que os pertencentes ao grupo de controlo alimentados com glicose. Esse facto explica-se devido à frutose não estimular a produção de insulina, existindo assim uma atenuação da produção de leptina e grelina, hormonas responsáveis pela homeostase de energia e pela saciedade.

Quando se pergunta se os diabéticos devem substituir o açúcar por frutose, a resposta é não. A ingestão total de frutose, segundo alguns autores, não deve ultrapassar os 20g por dia, o que não se compadece com bolos e sobremesas em que se substitui o açúcar por frutose como passou a ser moda. Os alimentos processados ​​e bebidas açucaradas, por exemplo, contêm frutose em quantidades excessivas e por isso devem ser eliminados da dieta. A única frutose que todos, diabéticos e não diabéticos, devemos tomar é a que se encontra naturalmente na fruta. A frutose em excesso não faz bem a ninguém e muito menos aos diabéticos.

Artigos e sites consultados
http://ajcn.nutrition.org/content/88/5/1189.full

K. L. Stanhope, A. A. Bremer, V. Medici, K. Nakajima, Y. Ito, T. Nakano, G. Chen, T. H. Fong, V. Lee, R. I. Menorca, N. L. Keim, P. J. Havel. Consumption of Fructose and High Fructose Corn Syrup Increase Postprandial Triglycerides, LDL-Cholesterol, and Apolipoprotein-B in Young Men and Women. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2011; DOI: 10.1210/jc.2011-1251

Wikipedia

http://experiencelife.com/newsflashes/cancers-favorite-sugar/

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Hormonas podem substituir cirurgia de redução do estômago

Um estudo em curso na Grã-Bretanha está a testar o uso de hormonas libertadas após as refeições para combater a obesidade e substituir as cirurgias de redução de estômago em pacientes obesos. Estas hormonas, libertadas naturalmente pelo intestino, indicam ao corpo que a fome foi saciada, explica Steve Bloom, responsável pelo estudo e pelo departamento de estudos sobre diabetes, endocrinologia e metabolismo do Imperial College de Londres.

Inicialmente pensava-se que o sucesso da cirurgia de bypass gástrico resultava devido à redução da quantidade de alimentos tolerada pelo estômago. Mas verificou-se que os pacientes operados tinham níveis elevados de hormonas da saciedade, sinais químicos enviados pelo intestino para controlar a digestão e a compulsão alimentar.  Outra curiosidade é que estes pacientes que se submeteram a cirurgia também passaram a preferir alimentos menos gordurosos, por isso pensa-se que as hormonas mudam também o desejo por comida.
A equipa de Bloom quer replicar este efeito em pacientes que não queiram ou não possam submeter-se a cirurgia. "Ainda estamos na fase de desenvolvimento, mas já mostramos que a iniciativa funciona. Agora temos que torná-la disponível", disse Bloom. Mas ainda serão necessários cerca de nove anos até que o medicamento hormonal esteja devidamente testado, aprovado e pronto para ser comercializado.

Fonte

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Saltar o pequeno-almoço aumenta risco de doença coronária

Os homens que não tomam o pequeno-almoço apresentam um maior risco de sofrerem um enfarte agudo do miocárdio ou morte devido a doença coronária. O estudo publicado na revista “Circulation: Journal of the American Heart Association” refere que saltar a refeição da manhã ou fazer uma refeição demasiado tarde à noite, pode causar efeitos metabólicos adversos que conduzem à doença coronária.

Neste estudo os investigadores da Escola Pública da Universidade de Harvard, nos EUA, contaram com a participação de 26.902 homens, que tinham entre 45 e 82 anos, os quais foram submetidos a um questionário e acompanhados ao longo de 16 anos.

Ler mais aqui.

Dicionário dos Alimentos

Do "Dicionário dos Alimentos", uma rubrica publicada na revista Life&Style do Público pelo meu colega nutricionista Pedro Carvalho, transcrevo o texto "S de salmão":

"Serão mais saudáveis as espécies desenvolvidas em viveiro ou as selvagens?
Num mundo perfeito, para além de nos brindar com a sua esplendorosa composição nutricional, o salmão seria igualmente capaz de nos influenciar em termos de carácter. Este exemplo de obstinação animal migra do mar para o rio onde nasceu anos antes, sendo capaz de percorrer 90 km por dia contra a corrente em busca da perpetuação da espécie sendo que, após a desova, o seu destino mais provável é mesmo a morte. 

Apesar de ser um fiel peregrino dos nossos rios há anos, o salmão nunca nos suscitou aquele sentimento de pertença como o fazem outros peixes, como a sardinha e o bacalhau. É pena, pois o salmão é daqueles alimentos que encaixa como uma luva nas necessidades de miúdos e graúdos com a vantagem de estar disponível o ano inteiro. A este respeito, o salmão é um caso que traz sempre à ribalta a discussão em torno do peixe selvagem versus peixe de aquacultura ou de “viveiro”. Estando a época da captura do salmão confinada a cinco meses (Março a Julho) e o seu consumo a aumentar cada vez mais, é natural (e saudável do ponto de vista da sustentabilidade) que a sua produção em viveiro seja uma necessidade cada vez maior. Se ao nível sensorial existem sempre apreciadores que não se deixam “enganar”, no que diz respeito à composição nutricional o salmão de aquacultura ostenta a vantagem de possuir níveis de gordura mais estáveis, não estando estes dependentes das variações sazonais que caracteriza a composição do salmão selvagem. Para além do mais, estando em viveiro, o salmão não entra nas grandes “correrias” que faz no seu habitat natural, o que faz com que o seu teor de gordura seja até superior ao das espécies selvagens. Ainda assim, a proporção de ómega 3/ómega-6 é favorável àquele que cresce nos rios, em liberdade.
Toda esta preocupação com a quantidade de gordura do salmão está, logicamente, associada aos benefícios que os ácidos gordos ómega 3 nos trazem e que começam a ser fundamentais quando ainda estamos dentro do útero da nossa mãe no desenvolvimento do cérebro e retina, até ao envelhecimento, reduzindo o risco de declínio cognitivo, demência e doença de Alzheimer. Pelo meio diminui ainda o risco de depressão, reforça o sistema imunitário e melhora inúmeros marcadores de risco cardiovascular como triglicerídeos e pressão arterial. Mas o maior erro que podemos cometer é confinar os benefícios do salmão à quantidade de ómega 3. O salmão é muito mais do que isso, é vitamina A, D, E e B12, é cálcio, selénio e fósforo, e é sobretudo um peixe que dá vontade de comer!

Será sempre mais fácil convencer uma criança a comer um filete de salmão, com a sua exuberante cor e sem espinhas metidas “ao barulho”, do que sardinha e outros peixes “gordos” que são igualmente fontes de excelência de todos estes nutrientes necessários ao seu correcto crescimento e desenvolvimento. Para os mais velhos, seja ao embalo da nova tendência do sushi ou à antiga, grelhado com alecrim e batata a murro, o mais importante será o seu consumo de modo natural, pois fumar o salmão é atentar contra muitos dos seus benefícios."

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Menor risco de Alzheimer para os que se reformam mais tarde

Pessoas que se reformam mais tarde têm menor risco de desenvolver a doença de Alzheimer ou outros tipos de demência, de acordo com o trabalho apresentado esta semana na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer em Boston.

Embora não se conheça a causa do Alzheimer e ainda não existam tratamentos eficazes que retardem a sua progressão, o trabalho tende a manter as pessoas fisicamente activas, socialmente ligadas e com menos problemas mentais.

O estudo baseou-se na análise de registros de 429 mil trabalhadores, a maioria comerciantes ou artesãos (como padeiros e marceneiros), com media de idade de 74 anos e com cerca de 12 anos de reforma.

"Por cada ano adicional de trabalho, o risco de contrair demência foi reduzido em 3,2%", disse Carole Dufouil, investigadora da Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica Francês, instituição responsável pelo estudo.

Fonte
isaude.net

Q&R #13: AS CRIANÇAS PODEM BEBER LEITE DE SOJA?

Q - É seguro suprimir o leite da alimentação das crianças? As crianças podem consumir leites vegetais? Se sim a partir de que idade?

R - Quando uma criança apresenta intolerância ao leite, este pode ser substituído por leite sem lactose ou por um derivado, como o iogurte, por exemplo. 

As bebidas de soja não são aconselhadas para crianças e não devem ser introduzidas nunca antes dos 24 meses. O chamado leite de soja apresenta elevada concentração de alumínio, fitatos e fitoestrogénios (isoflavonas), substâncias com comprovadas acções hormonais e não hormonais, cujos efeitos a longo prazo se desconhecem. 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Q&R #12: QUE QUANTIDADE DE MIRTILOS SE PODE DAR A UMA CRIANÇA DE DOIS ANOS?

Q - A minha filha de dois anos e meio gosta muito de comer mirtilos. Gostaria de saber qual a quantidade máxima que lhe poderei dar por dia.

R - As crianças entre os dois e os cinco anos deverão comer entre duas (para as crianças mais pequeninas) e três (para as mais crescidas) porções de fruta ao longo do dia. Uma porção de fruta equivale a 80g de fruta. Pese os mirtilos e divida a porção de 80g por duas refeições. Para a segunda porção de fruta deverá dar privilégio a outras frutas, cumprindo o princípio da alimentação variada. Para quem não tem balança de pesar alimentos, 80g de fruta corresponde aproximadamente a uma chávena de chá.

PÍLULA CONTRACETIVA E TROMBOSE

A propósito deste postsobre parar de tomar a pílula contracetiva, do blog Greener Healthier Happier da nutricionista Ana Santos Silva, lembrei-me de uma rapariga que anda nas minhas consultas e sofreu uma trombose. Ela tem 24 anos, não fuma, pratica desporto e procurou-me há uns meses para perder peso. De facto, tinha, na altura da primeira consulta, excesso de peso. Modificou os seus hábitos alimentares de acordo com as minhas recomendações, de modo a emagrecer, mas mantendo uma alimentação adequada a uma praticante de rugby. Os meses foram passando e a Catarina, nome fictício, emagreceu e sentia-se melhor. Há um mês atrás recebi a notícia de um familiar dizendo que a Catarina não vinha à consulta porque estava internada no hospital por ter sofrido uma trombose. Hoje, felizmente ela está bem e veio visitar-me. Disse-me que fez uma bateria de exames, incluindo exames genéticos a ela e à família, e o único factor de risco que os médicos encontraram foi a pílula contracetiva. A Catarina nunca mais poderá voltar a tomá-la. 

Fica o alerta: tomar a pílula contracetiva, não é o mesmo que beber água. Se tem excesso de peso, vida sedentária e é fumadora, pense duas vezes antes de começar ou de continuar a tomar a pílula. As mulheres que sofrem de enxaqueca com aura também têm risco agravado. Em qualquer destas situações, consultem o médico. Não vale a pena arriscar!  

A SAÚDE CONQUISTA-SE

Frase lida no "Museu de las Ciências" em Valência (na imagem), onde estou de férias, que revela a tendência do caminho que a medicina irá seguir, o da prevenção:

"A medicina preventiva coloca um novo dever aos médicos: educar os que gozam de saúde. A saúde conquista-se, não é uma dádiva (...)"
                                                                                                                             M. Tubiana

quarta-feira, 10 de julho de 2013

RECEITAS #15: PENNE COM FRUTOS DO MAR

INGREDIENTES (para quatro pessoas)
250 g de penne (meio pacote)
1 pacote de miolo de camarão (350g) congelado
1 kg de ameijoas congeladas
4 dentes de alho
duas colheres de sopa de azeite
1 malagueta
sal q.b.


PREPARAÇÃO
Cozer a massa numa panela com água abundante e sal durante cerca de 12 minutos.

As ameijoas devem ser postas num alguidar de água com sal marinho grosso para descongelar cerca de meia hora antes de serem confeccionadas. Entretanto, numa frigideira, coloca-se o azeite e os dentes de alho descascados e partidos em lâminas finas. Deixam-se alourar ligeiramente, adiciona-se o camarão e deixa-se cozer cerca de 5 minutos. Depois adicionam-se as ameijoas e a malagueta partida. Deixa-se cozinhar tudo durante dez minutos e corrige-se o sal.

A massa depois de cozida, escorre-se e passa-se por água fria para parar a cozedura. Coloca-se numa taça, envolve-se com os frutos do mar e está pronta a servir! 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Estratégia Nacional para a Redução do Consumo de Sal em Portugal

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) divulgou, há dias, o Relatório “Estratégia Nacional para a Redução do Consumo de Sal na Alimentação em Portugal” e o documento informativo “Utilização de Ervas Aromáticas & Similares na Alimentação”, que reforça a importância da utilização de ervas aromáticas como substituto do sal.

A Organização Mundial da Saúde recomenda um nível de consumo de sal da população de menos de 5 gramas por pessoa por dia para a prevenção de doença cardiovascular. Contudo, a ingestão de sal na maioria dos países da Região Europeia da OMS está muito acima da quantidade sugerida.

Para ler o relatório e obter mais informações consulte o sítio da DGS aqui.