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O QUE É NATURAL É BOM?


A notícia sobre os perigos dos produtos naturais suscitou a indignação de um leitor, que me escreveu dizendo que se trata de mais uma campanha "alarmista... que pretende extinguir o mercado dos produtos naturais para só os laboratórios farmacêuticos venderem químicos". Transmiti uma notícia proveniente de uma conceituada Faculdade de Farmácia.  Mas volto a  este assunto, na tentativa de esclarecer que o uso indiscriminado de produtos naturais pode mesmo prejudicar a saúde. Sei de casos concretos em que isso aconteceu. E  não tenho nada a ver com a indústria farmacêutica. 

Em primeiro lugar, o que são produtos naturais? Segundo a definição da Wikipédia, "um produto natural é um composto químico ou substância produzida por um ser vivo - encontrado na Natureza e que geralmente tem atividade biológica ou farmacológica que pode ser usado na descoberta ou concepção de produtos farmacêuticos." A fronteira entre produtos naturais e artificiais é, por vezes, bastante ténue. Não há, em geral, uma distinção clara entre aquilo que a Natureza faz e aquilo que o Homem fabrica. 

Existe uma ideia difusa de que o natural é saudável. Ora pode ser ou pode não ser. Os produtos naturais vêm da Natureza, mas isso não significa que todos eles sejam bons para a saúde.  Nem sempre o que é natural é bom! Com efeito,  a Natureza é capaz de originar tanto o melhor medicamento (estou-me a lembrar  a aspirina, que pode ser tirada da casca do salgueiro) como o maior veneno (estou-me a lembrar, por exemplo, dos cogumelos venenosos). Muitas plantas possuem constituintes com tão elevada actividade farmacológica que é  necessário controlar rigorosamente o seu consumo para evitar intoxicações. Há ainda a notar a diferente susceptibilidade dos indivíduos: a rapidez de metabolização de compostos químicos varia de pessoa para pessoa, pelo que a concentração no sangue da substância activa pode, em certas pessoas, atingir rapidamente concentrações tóxicas..

Há ainda o risco de interacções de compostos naturais com medicamentos que estejam a ser tomados. Por exemplo, algumas plantas provocam interacções com antidiabéticos, anticoagulantes ou anticoncepcionais que podem resultar em crises hipoglicémicas, hemorragias dificilmente controláveis ou gravidezes indesejadas. É por isso que se aconselha a não combinar plantas com medicamentos sem saber a opinião de um médico. 

Por último. Melhor do que recorrer a produtos naturais ou a medicamentos para tratar doenças é preveni-las. E isso consegue-se com uma alimentação  e um estilo de vida saudáveis. 
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