ALIMENTAÇÃO E SAÚDE DO BEBÉ

Do site esmeralda azul transcrevo a rubrica "Três perguntas a ..." efectuadas ao meu colega e amigo Pedro Moreira:

"O Professor Pedro Moreira é nutricionista e é doutorado em Nutrição Humana. Está envolvido em alguns trabalhos de investigação cujo alvo de estudo são as crianças. Vejamos as suas respostas:

1 - Muito se tem falado da influência do ambiente in útero na saúde futura do bebé, mas parece também influenciar as suas preferências alimentares após o nascimento. O que nos pode dizer sobre isto?

Reconhece-se que os principais pontos de impacto no contínuo de experiências que determinam as nossas preferências alimentares incluem 4 grandes domínios: (1) os flavores (sabores e aromas) que passam da alimentação da mãe para o líquido amniótico; (2) os flavores que passam da alimentação da lactante para o leite materno; (3) os flavores presentes nos primeiros alimentos do desmame; e (4) os flavores proporcionados na alimentação durante o crescimento e vida adulta.


2 - Durante a amamentação, muitas mães receiam consumir determinados alimentos de sabor mais forte, para evitar dar "sabor ao leite". Ou será que a introdução de sabores mais intensos não só não prejudica a amamentação como poderá ainda facilitar a introdução de novos alimentos aquando da diversificação alimentar?


Ainda que estejamos apenas numa fase de especulação e sem evidência convincente sobre estas relações, não deixa de ser curioso que em estudos de coortes em que as crianças são seguidas ao longo da infância, as que apresentam maior duração do aleitamento materno possam ser também as que apresentam maior consumo de produtos hortícolas. A comprovar-se esta associação com os hortícolas, e a de que um sabor conhecido e de que se gosta se possa traduzir em maior consumo desses alimentos, seria necessário repensar as "guidelines” para incorporar essas eventuais evidências. Mas a ciência ainda precisa de vencer algumas etapas e testar estas hipóteses, bem como a do melhor timing ("janela biológica” de oportunidade) para a introdução destes alimentos, nos primeiros tempos de vida.


3 - Tendo em conta a influência da alimentação durante a gravidez na saúde e preferências alimentares do bebé, quais as 3 recomendações que considera mais importantes dar a uma mulher grávida?

Em conclusão, (1) seria desejável oferecer serviços de aconselhamento que incluíssem um componente de educação alimentar e de actividade física ainda antes da concepção, especialmente às mulheres com peso excessivo ou obesidade, para que pudessem chegar ao momento de concepção no melhor estado nutricional e de peso corporal; (2) As mulheres grávidas deveriam poder beneficiar de um aconselhamento alimentar convergente com os objectivos de ganho de peso recomendado, o que poderia trazer benefícios para a gestão do risco obstétrico, diminuição da retenção de peso pós parto, melhoria da saúde futura, promover um peso adequado ao nascer, preparar a alimentação da criança e reduzir o seu risco futuro de obesidade; (3) Depois do parto, o aconselhamento alimentar poderá ser importante para recuperar o peso adequado, adequar a ingestão ao aleitamento materno e preparar a alimentação diversificada da criança
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