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Fome mesmo ao meu lado

Segunda-feira fui ao Porto ao Ikea aproveitando dois dias que tirei de férias de Carnaval. Mas regressei a casa impressionada com uma situação de fome envergonhada a que assisti. Eu conto:

Cheguei ao Ikea praticamente à hora do almoço. Como o meu estômago já estava a dar horas resolvi comer antes de ir ver a loja. Quando estou sozinha custa-me, não sei porquê, comer sentada, com faca e garfo, pelo que optei por ir ao bar. Pedi o menu nórdico que consta de um rolo de salmão, uma bebida e um café. Relativamente às bebidas refrigerantes e ao café, o Ikea tem a política de se pagar um, podendo encher-se o copo as vezes que se quiser. Comi em pé a minha refeição numa das mesas altas que aí existem e reparei que, numa mesa próxima daquela em que me encontrava, estava um tabuleiro com restos de um cachorro quente que alguém tinha deixado. Abeirou-se dessa mesa um homem magro, com aspecto sujo e barba por fazer, que aparentava quarenta e poucos anos. E ali ficou um tempo, simulando que falava ao telemóvel numa atitude que fazia prever que estava interessado em qualquer coisa daquele tabuleiro. Fiquei a observá-lo discretamente e pensei: deve querer o copo azul que dá para encher várias vezes. E continuei a observá-lo enquanto tomava o meu café. De repente, ele guardou o telemóvel no bolso e agarrou no pedaço (mínimo) de pão de cachorro, já sem a salsicha, que alguém deixara naquele tabuleiro. Meteu-o à boca de uma vez e desapareceu rapidamente. Fiquei petrificada, sentindo-me incapaz de reagir. Passaram-me várias coisas pela cabeça: ir atrás do homem e pagar-lhe uma refeição. Depois pensei: que direito tenho eu de invadir a sua privacidade? Não tinha pedido nada. A sua atitude fora discreta e a sua fome envergonhada.

Regressei a casa ao fim da tarde e aquela imagem de fome mesmo ao meu lado não me saiu da cabeça. Cresceu a convicção dentro de mim que tenho que fazer mais para ajudar os que precisam.            

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