ALIMENTAÇÃO E DIABETES # 2: Índice glicémico dos alimentos


A alimentação desempenha um papel fundamental no tratamento da diabetes mellitus. O regime alimentar do diabético pode e deve ser variado, saboroso e até pode incluir, de vez em quando, um doce. Para isso é preciso conhecer melhor alguns factores que atrasam a subida dos níveis de açúcar no sangue (glicémia).

O Índice Glicémico (IG) é um parâmetro que permite avaliar o efeito que cada alimento fornecedor de hidratos de carbono (HC) tem sobre a glicemia (concentração de glicose no sangue). O IG é expresso em percentagem, sendo 100 o valor atribuido à glicose: um IG de 50, por exemplo, significa que o alimento eleva a glicemia a um ritmo que é metade da da glicose.

Existem tabelas de IG que têm a glicose como referência, mas também se encontram na literatura científica tabelas em que a referência é o pão branco por este ser um alimento que aparece mais na realidade quotidiana. Estas tabelas foram feitas inicialmente para ajudar os diabéticos a controlar a doença, mas actualmente são também usadas nos programas de controlo do peso.

Devido à sua diferente composição, alimentos com a mesma quantidade de HC podem levar a subidas glicémicas diferentes. Para um diabético são mais aconselháveis os alimentos que façam subir a glicémia mais lentamente, que são os de IG baixo. Alimentos integrais (arroz integral, pão integral, flocos de aveia), leguminosas (feijão, lentilhas, favas, tremoços, grão de bico) e legumes têm um IG baixo porque contêm muitas fibras e poucos HC de assimilação rápida. Pelo contrário, alimentos e bebidas açucaradas como o açúcar, o mel, o sumo de laranja, o ice-tea e outros refrigerantes, cornflakes, pão-de-forma e pão branco causam uma rápida subida da glicose no sangue, o seu IG é alto, porque contêm muitos HC de absorção rápida e uma quantidade de fibras reduzida. 

Apesar do que foi dito para os alimentos de IG alto, este pode ser alterado se os combinarmos com outros alimentos. A subida do nível de açúcar no sangue é retardada pela presença de uma concentração elevada de fibras e também pela gordura presente na respectiva refeição. Por exemplo, um copo de sumo de laranja leva a uma subida mais rápida da glicémia do que uma laranja sólida. A explicação é simples: a laranja é o fruto na sua forma integral e contém, por isso, mais fibras do que o sumo espremido.

A questão que agora se coloca é a seguinte:Então o diabético não pode beber sumo de laranja? Pode, mas, é bom ter em atenção o seguinte: primeiro, o sumo deverá ser feito apenas com uma laranja (uma laranja fornece, em média, cerca de 14 gramas de açúcar, pelo que o açúcar de duas laranjas será, para a maioria dos diabéticos, excessivo); segundo, deverá acompanhar o sumo da laranja com uma fatia de pão integral rico em fibras com queijo ou ligeiramente barrado com manteiga. Com esta acção, isto é, aumentando fibras e um pouco de gordura na refeição, retardamos a subida da glicémia evitando os chamados picos glicémicos. Este é um dos grandes objectivos da alimentação do diabético.

Recomendo a leitura deste e deste post sobre o modo de confeccionar os alimentos de modo a conseguir Índices Glicémicos mais baixos de alguns dos alimentos que comemos habitualmente cozinhados.

Nota: Os conselhos aqui divulgados não substituem uma visita a um profissional qualificado que aconselhará um plano alimentar personalizado que tenha em atenção os níveis de glicémia, dos triglicerídeos e do colesterol, assim como o peso, a actividade física e as preferências alimentares do diabético. 
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