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Perder peso: uma resolução de ano novo condenada ao fracasso?

Novo texto do meu colega nutricionista Nuno Borges publicado no suplemento Life&Style do Público. Vale a pena ler:

Com a mudança de ano, muitos de nós aproveitam para fazer um balanço do ano que está a terminar, conjecturando abordagens novas para o tempo que aí vem, com renovada energia e vontade de abandonar velhos hábitos. Na lista de vários estará certamente a resolução de perder peso, normalmente potenciada pelo sentimento de culpa que a farta época de festa que acaba de terminar sempre transmite.
A verdade é que daqueles que, cheios de boa vontade, iniciam tal caminhada, apenas alguns lograrão um resultado satisfatório e, desses, ainda menos manterão um peso adequado durante os anos seguintes. Existem muitas razões para que isto aconteça, algumas das quais escapam ainda à compreensão da ciência actual. E existem também várias formas de cada um de nós se lançar nesta difícil tarefa com sucesso: volto a referir o texto do Prof. Pedro Teixeira para relembrar que há vários caminhos que nos podem levar ao mesmo local, sendo que o melhor caminho para um de nós não será o melhor para outro.
 
Faz sentido abrir aqui um breve parêntesis e relembrar que algumas pessoas ou empresas menos escrupulosas aproveitam esta vontade de mudança para promover as suas soluções “milagrosas”. Há poucos dias, um ministro do governo do Reino Unido escreveu aos editores de várias revistas pedindo-lhes que não publicassem “dietas milagrosas”, avisando que estas podem constituir um perigo para a saúde. Ainda no Reino Unido, foram publicadas esta semana normas que proíbem muitas alegações a produtos, dietas ou processos para a perda de peso, algo que também gostaríamos de ver no nosso país. Também a Direcção Geral da Saúde fez recentemente uma menção expressa para evitarmos este tipo de “soluções”.
 
Mas existem certamente comportamentos, sobretudo alimentares, que podemos começar a modificar desde já e que podem constituir uma base sólida de saúde para os anos vindouros. Seria impossível referir tudo o que é interessante fazermos em termos alimentares, mas vale a pena relembrar algumas alterações que terão certamente um impacto positivo na nossa saúde.
Um trabalho de 2011, onde são estudadas centenas de milhar de americanos, publicado na revista The New England Journal of Medicine, mostrou que o consumo de alguns alimentos estava associado a maiores ganhos de peso ao longo de dois anos, ao passo que outros, pelo contrário, estão ligados a uma perda de peso. Entre os que podemos apontar como mais nefastos encontramos as batatas-fritas, as carnes processadas, os cereais refinados e os refrigerantes. Do outro lado está o iogurte, os frutos gordos ou os cereais integrais. As diferenças nunca são espectaculares, mas são consistentes e, se acumuladas ao longo de anos, podem significar a inversão da tendência quase fatalista de engordar progressivamente.
Por isso, na próxima vez que pensar em beber um refrigerante, troque-o pelo congénere sem açúcar ou, melhor ainda, por leite ou iogurte magro. Quando lhe apetecer umas batatas-fritas, tente antes meia dúzia de nozes; adopte o pão integral em vez do branco; reduza as suas idas à pastelaria. São pequenos passos, certamente não os únicos, que pode começar desde já, em vez de se lançar numa furiosa dieta muito restritiva de sucesso duvidoso. As boas mudanças são as que conseguimos sustentar no tempo, por muito tempo. Assim se ganha a verdadeira saúde, a do corpo e a do espírito.
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