SALA DE CONSULTA # 16: Tratar a Obesidade Infantil

Em Portugal, o problema da obesidade infantil é muito preocupante já que  o nosso país apresenta uma das taxas mais elevadas da Europa, com maior incidência nas raparigas do que nos rapazes. As crianças que estão a frequentar o primeiro ciclo do ensino básico são as que têm maior risco de obesidade e deve ser nestas idades, entre os seis e os nove anos, que os pais de crianças com excesso de peso devem procurar ajuda profissional. O tratamento da obesidade infantil é muito difícil sendo elevadas as taxas de insucesso e é tanto mais difícil tratar quanto maior for o grau de obesidade e a idade da criança.

Ouço frequentemente os pais de crianças obesas na faixa etária dos 6 aos 10 anos  dizerem que não se preocupam porque quando ele ou ela crescer, emagrece. Mas não é bem assim. Para a grande maioria, o excesso de peso acompanha-os na adolescência e prolonga-se na idade adulta.

O número de crianças obesas que afluem à minha consulta é cada vez maior. O tratamento da obesidade infantil é um processo longo e penoso que exige muita persistência e no qual devem estar envolvidos ambos os pais e toda a família que mais de perto convive com a criança. Estas pessoas são, no seu conjunto, a chave do sucesso.

As crianças não necessitam de fazer dieta para perderem peso. Basta que os pais e a restante família estejam informados e façam cumprir as principais regras de alimentação saudável e equilibrada. Isto implica obviamente recusar-lhes um sem-número de alimentos processados, hipercalóricos e nutricionalmente muito pobres, pelos quais eles têm normalmente uma enorme apetência. Refiro-me aos cereais de pequeno-almoço, aos "sumos" (colas, ice-teas, laranjadas, gasosas, sumo de laranja feito à base de concentrado ou de pó, néctares de fruta, etc.), aos croissants, bolicaos, chipicaos, queques, batatas fritas e a todo o tipo de bolachas e guloseimas.
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