SALA DE CONSULTA # 14: Cancro da mama e obesidade

O número de mulheres que me consultam e que foram vítimas do cancro da mama aumentou significativamente nos últimos tempos. Elas procuram-me porque têm peso a mais e porque querem saber a melhor alimentação para maximizar a eficácia do tratamento e prevenir a recidiva do cancro. Conto-vos o caso de uma delas que veio pela primeira vez à minha consulta no mês passado.

No dia 25 de agosto de 2011 a Catarina, de 42 anos, soube que tinha cancro da mama ao efectuar um exame de rotina. O seu choque foi grande, mas, com o apoio da família, não desanimou e partiu para a luta. Sujeitou-se a cirurgia para remoção do tumor a qual se seguiram tratamentos de quimioterapia.

Apareceu na minha consulta por indicação do seu médico de família, no passado mês de Outubro, para diminuir a sua obesidade. A Catarina já terminou os tratamentos de quimioterapia, mas toma o tamoxifeno, um medicamento utilizado para tratar alguns tipos de cancro da mama que tem como efeito adverso a osteoporose. Ela pensa que, talvez devido a esse medicamento, as dores nas articulações, principalmente nos joelhos, aumentaram e a médica disse-lhe que tinha toda a vantagem em diminuir o peso.  

Com quatro irmãos e muitos sobrinhos, toda a família a mimou durante os meses de tratamento. Segundo contou, um dos irmãos é chef de profissão e duas irmãs gostam de cozinhar, pelo que faziam  óptimas iguarias com o mesmo objectivo: agradar à Catarina. Resultado: ela engordou 12 quilos no último ano. Bastou-me pôr "ordem" na alimentação da Catarina, realçando a necessidade de aumentar o consumo de legumes, em particular de brócolos, e pedir-lhe que caminhasse todos os dias, para que os resultados aparecessem: em apenas um mês ela perdeu cinco quilos. Confessou-me que não lhe custou e disse-me que as dores nos joelhos, que atribuíra à toma do tamoxifeno, estavam a desaparecer.  

Sabe-se que o cancro da mama anda de braço dado com a obesidade, mas também pode ter uma origem genética. Quando essa componente genética existe, os factores ligados ao estilo de vida desempenham um papel importantíssimo, tanto para fazer com que os genes do cancro se expressem como para impedir ou atrasar essa expressão.

Vários estudos dizem-nos que, se as mulheres com mutações nos genes identificados como causadores do cancro da mama, não procurarem ter um estilo de vida saudável, o seu risco de contrair cancro da mama sera de 80 por cento. Pelo contrário, aquelas que cuidarem da sua alimentação, comendo maior quantidade de legumes e frutas, têm um risco menor.

Mas a pergunta impõe-se: o que é que os brócolos têm que os torna especiais na luta e prevenção do cancro da mama? Um estudo publicado por cientistas da Universidade de Michigan, na revista Clinical Cancer Research, mostra como o sulforafano, um composto presente nos brócolos e nos rebentos de brócolos, pode ajudar a prevenir e ate a tratar o cancro da mama. Este composto actua sobre as células-estaminais (células que possuem a capacidade de se dividir, dando origem a células semelhantes às progenitoras) cancerosas, destruindo-as, o que impede o crescimento de tumores.
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