sexta-feira, 30 de novembro de 2012

SALA DE CONSULTA # 17: Obeso, diabético, hipertenso e ex-fumador

O senhor José Carlos, um homem de 45 anos, veio ontem à consulta de controlo de peso. Iniciou as consultas em Maio passado, por conselho do médico de família, com um quadro de obesidade mórbida (IMC>40 kg^m2) com diabetes e hipertensão associadas. Tomou a decisão de deixar de fumar em 2011 e fe-lo, com grande determinação, de um dia para o outro, mas foi ganhando peso o que agravou a sua obesidade.

A balança que tenho no consultório é um analisador da composição corporal que obriga os utentes a pesarem-se sem sapatos e sem meias. Recordo-me que o senhor José Carlos, quando veio pela primeira vez à consulta, ficou cansado e com respiração ofegante com o simples acto de apertar os sapatos e guardou as meias no bolso porque o esforço de as calçar era, para ele, muito grande.

A partir desse dia de Maio tem cumprido escrupulosamente as indicações alimentares que lhe dei e já perdeu 14 quilos. A actividade física que desenvolve é agricultura e criação de animais as quais se têm revelado mais do que suficientes para ajudar a reduzir o peso. O senhor José Carlos não pára um segundo e já começou a sentir  melhorias no controlo da sua diabetes tendo até, de acordo com a orientação do médico de família, suprimido um dos medicamentos que estava a tomar e a tensão arterial diminuiu. Contou-me que a principal alteração alimentar que fez foi comer  sopa nas duas principais refeições sendo o jantar, na maior parte dos dias da semana, constituído por dois pratos de sopa sempre com feijão ou grão de bico (porque as leguminosas têm proteína, como lhe expliquei) e fruta, como sobremesa. Disse-me ainda que antes de vir à consulta era impensável para ele passar sem comer pelo menos duas costeletas ou quantidade idêntica de outra carne. Agora come mais vezes peixe e até passou a preferi-lo à carne.

O senhor José Carlos está admirado como tem conseguido perder peso sem sentir fome e disse-me que sempre pensou que teria que passar muita fome e isso assustava-o, principalmente porque o seu trabalho é muito exigente fisicamente e tinha receio de sentir fraqueza.
Ele está feliz e eu dou-lhe a maior força para continuar. Levou como objectivo para a próxima consulta vir com um peso com apenas dois dígitos. Baixar a barreira dos 100 kg é uma vitória que faz bem ao ego.

NOTA: Os casos aqui contados na rubrica "Sala de Consulta" baseiam-se em casos reais, mas todos os nomes são trocados, assim como alguns pormenores são alterados, para garantir a absoluta privacidade dos doentes.

Relação entre bactérias intestinais e obesidade

A relação entre bactérias e obesidade começou a ser estudada em meados dos anos 2000, quando o microbiologista Fredrik Bäckhed, da Universidade Washington, em Saint Louis, observou que ratinhos criados em ambientes estéreis, ou seja, com pouco contacto com bactérias, tendiam a ser mais magros em relação às cobaias que se expunham aos microrganismos. Bäckhed fez então um transplante da flora intestinal entre os animais. Por meio de cápsulas, os ratos magros receberam as bactérias presentes nos intestinos dos ratos gordos, e vice-versa. O resultado foi surpreendente: os magros ganharam peso e os gordos emagreceram.

No início do ano, um estudo da Universidade Yale, nos Estados Unidos, ajudou a detalhar quais micróbios estão associados à obesidade. A flora intestinal é composta por triliões de bactérias, divididas em duas principais classes: firmicutes e bacteroidetes. As primeiras são mais resistentes à ação do sistema imunológico. As segundas, além de mais vulneráveis, estimulam as células de defesa a produzir substâncias anti-inflamatórias. Um organismo saudável contém os dois tipos em quantidades semelhantes. Por meio de biópsias intestinais feitas nas cobaias de laboratório, os investigadores de Yale mostraram que os ratos obesos apresentam uma quantidade maior de bactérias da família das firmicutes.

O mais recente Congresso Europeu de Diabetes, realizado há um mês em Berlim, na Alemanha, trouxe ainda mais novidades. Investigadores do Centro Médico Académico de Amsterdão, na Holanda, um dos principais centros de referência nos estudos sobre microbiologia, apresentaram os resultados de estudos sobre o assunto conduzidos em seres humanos. Nove homens com excesso de peso, portadores de diabetes tipo 2 e com a flora intestinal desequilibrada, receberam bactérias de nove homens magros e com os intestinos em equilíbrio. Outros nove voluntários, também acima do peso, serviram de grupo de controlo. Depois de seis semanas, os voluntários do primeiro grupo perderam cerca de 4 quilos, mantendo os hábitos de vida inalterados. Os outros não sofreram mudanças. Os organismos que emagreceram também melhoraram a sensibilidade à insulina, a hormona responsável por transportar glicose às células. Não houve mais intervenções. Um ano depois, os homens que emagreceram retomaram o peso inicial o que sugere que o tratamento com bactérias deverá ser contínuo.

Fonte
veja.abril.com.br
Imagem
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0004-27302009000200004&script=sci_arttext

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Fórmula matemática prevê o risco de obesidade infantil em bebés recém-nascidos

Com o objectivo de prevenir a obesidade o mais cedo possível na vida de um ser humano, uma equipa internacional de cientistas desenvolveu uma fórmula capaz de prever o risco de um bebé recém-nascido desenvolver obesidade ao longo da infância. A fórmula,  desenvolvida pela equipa coordenada por Philippe Froguel, investigador do Imperial College de Londres, tem em consideração o IMC dos pais antes da gravidez, o peso da mãe durante a gestação, o peso do bebé ao nascer, a profissão materna, o tabagismo durante a gravidez e o número de pessoas na família do recém-nascido para prever o risco do bebé ter obesidade na infância ou na adolescência.

O estudo foi publicado na revista PlosOne.

Pipocas com telemóvel e outras historias de falsa ciência

Pipocas com telemóvel e outras historias de falsa ciência, Gradiva 2012, é o novo livro da autoria do físico Carlos Fiolhais e do bioquímico David Marçal, dois cientistas que desmontam de forma séria e muito clara algumas informações de falsa ciência que circulam por todo o lado.

O capítulo três, "Falsa ciência no supermercado: uma vida melhor e com mais descontos", alerta especificamente para as alegações de saúde contidas nos rótulos de alguns alimentos que, segundo os autores, não têm fundamento científico. Por exemplo, os benefícios para a saúde na publicidade aos iogurtes que têm determinadas bactérias que alegadamente fortalecem o sistema imunitário ou que regulam o trânsito intestinal. Os autores sustentam que não há estudos suficientes que apoiem estas informações, tendo havido mesmo casos de marcas que foram multadas.

Transcrevo um excerto do sub-capitulo intitulado "Iogurtegate":
"Em Dezembro de 2010 a multinacional Danone concordou em pagar uma multa de 21 milhões de dólares no âmbito de um acordo com a Federal Trade Commission (FTC), a entidade norte-americana que regula questões de consumo. Em causa estavam afirmações publicitárias exageradas acerca dos benefícios para a saúde dos produtos Activia e Actimel que, segundo aquele regulador concluiu, não passariam de publicidade enganosa. Os iogurtes multados são aqueles que contêm bactérias especiais com direito a nome no rótulo, com alegados benefícios para a saúde, conhecidas como probióticos. Para além das duas bactérias tradicionais presentes nos iogurtes (Lactobacillus bulgaricus e de Streptococcus thermophilus), o Activia contém Bifidobacterium animalis lactis e o Actimel Lactobacillus casei. No âmbito do referido acordo a Danone reconheceu que não existe qualquer evidência científica de que um iogurte Activia por dia «regula o trânsito intestinal» ou de que a bebida Actimel previne gripes e constipações." 

Neste capítulo podemos ainda saber mais sobre se há ou não fundamento científico na eficácia apregoada pelo marketing da indústria alimentar acerca dos antioxidantes, dos multivitamínicos e dos ómega-3.

Mais pormenores sobre o livro e os seus autores, aqui.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A soja não tem qualquer efeito na redução dos sintomas da menopausa

Um estudo recentemente publicado no The Journal of The North American Menopause Society mostra que o consumo de soja ou produtos de soja, como tofu ou bebida de soja, ao contrário do que tem sido divulgado, não tem nenhum efeito clinicamente significativo na redução do aparecimento de ondas de calor e de suores noturnos, em mulheres na menopausa.

O estudo envolveu mais de 1600 mulheres de várias etnias, seguidas durante dez anos. O principal factor dietético estudado foram os fitoestrogénios. Predominantemente encontrados no tofu, bebida de soja (incorrectamente chamada leite de soja) e outros alimentos com soja, os fitoestrogénios têm uma estrutura química semelhante ao estrogénio acreditando-se que imitam os efeitos da hormona no corpo feminino. Como os níveis de estrogénio diminuem durante a menopausa, os investigadores acreditavam, até aqui, que uma dieta rica em fitoestrogénios poderia reduzir os sintomas da menopausa. Neste estudo, foi ainda avaliado o consumo de fibra, porque se pensa que estas aumentam a disponibilidade dos estrogénios no corpo.


O estudo não encontrou nenhuma correlação consistente entre o consumo de fitoestrogénios e fibra e a diminuição dos sintomas da menopausa, como ondas de calor e suores noturnos, em mulheres na menopausa.


Referência:
1.Ellen B. Gold, Katherine Leung, Sybil L. Crawford, Mei-Hua Huang, L. Elaine Waetjen, Gail A. Greendale. Phytoestrogen and fiber intakes in relation to incident vasomotor symptoms. Menopause: The Journal of The North American Menopause Society, 2012; : 1 DOI: 10.1097/gme.0b013e31826d2f43

Composto presente no alecrim protege contra a degeneração macular

Investigadores do Sanford-Burnham Medical Research Institute, nos EUA, descobriram que um componente do alecrim promove a saúde ocular. A equipa liderada por Stuart A. Lipton descobriu que o ácido carnósico protege a retina de degeneração e de toxicidade em culturas de células e em modelos de roedores com lesão na retina induzida pela luz. Este efeito deve-se à acção antioxidante do ácido carnósico presente no alecrim. 


Para ler a notícia completa clique aqui.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

SALA DE CONSULTA # 16: Tratar a Obesidade Infantil

Em Portugal, o problema da obesidade infantil é muito preocupante já que  o nosso país apresenta uma das taxas mais elevadas da Europa, com maior incidência nas raparigas do que nos rapazes. As crianças que estão a frequentar o primeiro ciclo do ensino básico são as que têm maior risco de obesidade e deve ser nestas idades, entre os seis e os nove anos, que os pais de crianças com excesso de peso devem procurar ajuda profissional. O tratamento da obesidade infantil é muito difícil sendo elevadas as taxas de insucesso e é tanto mais difícil tratar quanto maior for o grau de obesidade e a idade da criança.

Ouço frequentemente os pais de crianças obesas na faixa etária dos 6 aos 10 anos  dizerem que não se preocupam porque quando ele ou ela crescer, emagrece. Mas não é bem assim. Para a grande maioria, o excesso de peso acompanha-os na adolescência e prolonga-se na idade adulta.

O número de crianças obesas que afluem à minha consulta é cada vez maior. O tratamento da obesidade infantil é um processo longo e penoso que exige muita persistência e no qual devem estar envolvidos ambos os pais e toda a família que mais de perto convive com a criança. Estas pessoas são, no seu conjunto, a chave do sucesso.

As crianças não necessitam de fazer dieta para perderem peso. Basta que os pais e a restante família estejam informados e façam cumprir as principais regras de alimentação saudável e equilibrada. Isto implica obviamente recusar-lhes um sem-número de alimentos processados, hipercalóricos e nutricionalmente muito pobres, pelos quais eles têm normalmente uma enorme apetência. Refiro-me aos cereais de pequeno-almoço, aos "sumos" (colas, ice-teas, laranjadas, gasosas, sumo de laranja feito à base de concentrado ou de pó, néctares de fruta, etc.), aos croissants, bolicaos, chipicaos, queques, batatas fritas e a todo o tipo de bolachas e guloseimas.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

SALA DE CONSULTA # 15: A Fase de Manutenção

A fase de manutenção do peso é tão importante como a fase de emagrecimento e por isso, para um grande número de pessoas, manter a visita regular ao nutricionista é muito importante. O que costumo fazer, na maioria dos casos, é marcar duas consultas por ano e, pelo que me têm dito os que tenho tratado, este compromisso faz toda a diferença na manutenção do comportamento alimentar e nos hábitos de exercício físico recomendados.

A Sofia esteve ontem na consulta e anda cá desde 2010. Chegou com um quadro de obesidade no seu início (obesidade grau 1, IMC=30 kg^m2) e atingiu o que consideramos ser o seu peso ideal no espaço de nove meses (IMC=24 kg^m2). Entrou, por isso, na fase de manutenção. Ela tem-se aguentado com oscilações no peso na ordem dos dois, três quilos. Expliquei-lhe que era necessário controlar o peso e que sempre que aumentasse ela saberia porquê, saberia exactamente quais os alimentos que passou a comer que fizeram com que ganhasse peso. Disse-lhe também que o aumento de três quilos é o limite máximo. A partir daqui, nem mais uma grama, parando imediatamente de comer os alimentos responsáveis pelo ganho de peso e voltando a praticar exercício, para perder os quilos adquiridos. E é o que tem feito.

Ontem, quando a Sofia se pesou, tinha um quilo extra e disse-me que já tinha perdido um. Engordou porque andava com uma vontade imensa de comer pão na hora do lobo, acabando por ceder à sua vontade de forma continuada. Entretanto leu aqui no blog o exemplo da Cristina e passou também a comer sopa, em vez do pão, às seis da tarde quando chegava a casa. Depois calçava os ténis, pegava no cão, um labrador retriver, e ía correr. Resultado já perdeu peso e recuperou o ânimo. 

Nos meses de Outono e Inverno, quando está frio, é normal sentirmos necessidade de alimentos ricos em hidratos de carbono, como o pão, ou pior, os bolos, bolachas e doces, porque são estes que facilmente o organismo transforma em energia calorífica necessária para nos mantermos quentes. Podemos ceder de vez em quando, mas sempre atentos ao peso. Se estivermos a aumentar, o melhor é confortar-nos com um prato de sopa como fez a Cristina, a Sofia e até eu passei a fazer isso. Acreditem, sabe mesmo bem.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Loja Bebé Gourmet

Duas seguidoras do 'comer bem ate aos 100' enviaram-me um mail muito simpático a convidarem-me para visitar a loja Bebé Gourmet, especializada em alimentação infantil, que abriram no início do mês em Lisboa. Eis o que nos dizem acerca do conceito:

"A Bebé Gourmet é uma marca especializada em alimentação infantil. Oferecemos refeições de elevada qualidade, cozinhadas com ingredientes biológicos e de forma tradicional e caseira. Temos uma loja em Telheiras, aberta desde o início do mês, na qual vendemos as nossas refeições em regime de 'take away' e fornecemos almoços para creches e infantários."

Mais informações no site www.bebegourmet.pt e na página de facebook www.facebook.com/bebegourmetpt

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Muito além do peso #2

Veja mais algumas imagens do filme "Muito além do peso" e os comentários dos responsáveis pela direcção e produção do documentário. O que se passa no Brasil, passa-se aqui em Portugal e em todo o mundo. A indústria alimentar aproveita o desleixo dos pais para fazer "terrorismo" alimentar. É verdadeiramente preocupante!

Muito além do peso #1

"Muito além do peso" é o título do documentário, em estreia no Brasil, dirigido por Estela Renner que pretende promover a discussão sobre a obesidade infantil no Brasil e no Mundo. O filme alerta para as principais causas do aumento da obesidade infantil: a alta e precoce ingestão de açúcar, a mudança dos hábitos alimentares, a pouca informação dos pais, o bombardeio de propagandas e a clara predisposição das novas gerações serem ainda mais obesas.


Sinopse
Pela primeira vez na história da raça humana, as crianças apresentam sintomas de doenças de adultos. Problemas de coração, respiração, depressão e diabetes tipo 2. Todos têm na sua base a obesidade. O documentário discute por que 33% das crianças brasileiras pesam mais do que deviam. As respostas envolvem o governo, os pais, as escolas e a publicidade. Com histórias reais e alarmantes, o filme promove uma discussão sobre a obesidade infantil no Brasil e no mundo.


Trailer Oficial MUITO ALÉM DO PESO - em novembro nos cinemas from Maria Farinha Filmes on Vimeo.

Diretor: ESTELA RENNER Fotografia: Renata Ursaia Montagem: Jordana Berg Música: Jukebox Produtor: Marcos Nisti, Juliana Borges Produção: Maria Farinha Filmes

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Crise leva pessoas a engordar e a dormir pior

O consumo de alimentos mais baratos por causa da crise está a provocar um aumento do número de pessoas obesas, que dormem cada vez pior devido a problemas respiratórios, afirmou Vítor Oliveira, presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN), a propósito do Congresso de Neurologia 2012.

A obesidade é, segundo Vítor Oliveira, um fator importante para as dificuldades no sono, nomeadamente a apneia obstrutiva do sono, pois "as pessoas mais gordas têm dificuldade em respirar".

Os especialistas recomendam, por isso, uma maior atenção aos alimentos que se ingerem e defendem a prática desportiva que "não precisa de ser em ginásios, pois quem corre na rua ainda não paga impostos".

Ler notícia completa em noticiasaominuto.com

SALA DE CONSULTA # 14: Cancro da mama e obesidade

O número de mulheres que me consultam e que foram vítimas do cancro da mama aumentou significativamente nos últimos tempos. Elas procuram-me porque têm peso a mais e porque querem saber a melhor alimentação para maximizar a eficácia do tratamento e prevenir a recidiva do cancro. Conto-vos o caso de uma delas que veio pela primeira vez à minha consulta no mês passado.

No dia 25 de agosto de 2011 a Catarina, de 42 anos, soube que tinha cancro da mama ao efectuar um exame de rotina. O seu choque foi grande, mas, com o apoio da família, não desanimou e partiu para a luta. Sujeitou-se a cirurgia para remoção do tumor a qual se seguiram tratamentos de quimioterapia.

Apareceu na minha consulta por indicação do seu médico de família, no passado mês de Outubro, para diminuir a sua obesidade. A Catarina já terminou os tratamentos de quimioterapia, mas toma o tamoxifeno, um medicamento utilizado para tratar alguns tipos de cancro da mama que tem como efeito adverso a osteoporose. Ela pensa que, talvez devido a esse medicamento, as dores nas articulações, principalmente nos joelhos, aumentaram e a médica disse-lhe que tinha toda a vantagem em diminuir o peso.  

Com quatro irmãos e muitos sobrinhos, toda a família a mimou durante os meses de tratamento. Segundo contou, um dos irmãos é chef de profissão e duas irmãs gostam de cozinhar, pelo que faziam  óptimas iguarias com o mesmo objectivo: agradar à Catarina. Resultado: ela engordou 12 quilos no último ano. Bastou-me pôr "ordem" na alimentação da Catarina, realçando a necessidade de aumentar o consumo de legumes, em particular de brócolos, e pedir-lhe que caminhasse todos os dias, para que os resultados aparecessem: em apenas um mês ela perdeu cinco quilos. Confessou-me que não lhe custou e disse-me que as dores nos joelhos, que atribuíra à toma do tamoxifeno, estavam a desaparecer.  

Sabe-se que o cancro da mama anda de braço dado com a obesidade, mas também pode ter uma origem genética. Quando essa componente genética existe, os factores ligados ao estilo de vida desempenham um papel importantíssimo, tanto para fazer com que os genes do cancro se expressem como para impedir ou atrasar essa expressão.

Vários estudos dizem-nos que, se as mulheres com mutações nos genes identificados como causadores do cancro da mama, não procurarem ter um estilo de vida saudável, o seu risco de contrair cancro da mama sera de 80 por cento. Pelo contrário, aquelas que cuidarem da sua alimentação, comendo maior quantidade de legumes e frutas, têm um risco menor.

Mas a pergunta impõe-se: o que é que os brócolos têm que os torna especiais na luta e prevenção do cancro da mama? Um estudo publicado por cientistas da Universidade de Michigan, na revista Clinical Cancer Research, mostra como o sulforafano, um composto presente nos brócolos e nos rebentos de brócolos, pode ajudar a prevenir e ate a tratar o cancro da mama. Este composto actua sobre as células-estaminais (células que possuem a capacidade de se dividir, dando origem a células semelhantes às progenitoras) cancerosas, destruindo-as, o que impede o crescimento de tumores.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Dinamarca retira imposto "anti-obesidade"

Em 2011, a Dinamarca foi notícia por se ter tornado no primeiro país do mundo a taxar os alimentos ricos em gordura como a manteiga, queijo, leite, azeite, óleo, carne, pizza, batatas fritas, bolachas, aperitivos, snacks, etc. O imposto especial incidia sobre todos os produtos que continham mais de 2,3 por cento de gorduras saturadas tendo, por exemplo, um pacote de manteiga sofrido um aumento de 14% e uma garrafa de azeite um aumento de 7%. O 'imposto anti-obesidade', como ficou conhecido, gerou grande polémica quer entre os consumidores, quer entre os produtores, porque inflaccionou os preços dos produtos. Na altura, a medida fez esgotar os stocks de queijo, manteiga e azeite antes de ser aplicado o imposto. Actualmente muitos dinamarqueses cruzam a fronteira para ir fazer as suas compras à Alemanha.

Afinal o imposto anti-obesidade não fez diminuir o consumo dos alimentos considerados "não saudáveis". Este e os outros motivos levaram o governo dinamarquês a recuar.

A taxa de obesidade na Dinamarca é de 13 por cento, número inferior ao da maioria dos países industrializados.

Fonte
cienciahoje.pt

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Cientistas americanos produziram uma molécula capaz de tratar a obesidade e a síndrome metabólica

Uma molécula produzida a partir da junção das hormonas estrogénio e GLP-1, que age no sistema digestivo, foi capaz de controlar factores associados à síndrome metabólica em ratinhos obesos. Os animais conseguiram perder peso e controlar os níveis de glicose no sangue sem apresentar efeitos colaterais relacionados com as doses de estrogénio.

O estudo publicado esta semana na edição da revista Nature Medicine sugere que a molécula pode ajudar a combater os problemas associados à sindrome metabólica. Os investigadores afirmaram que os estudos em torno dessa molécula vão continuar até que fique claro se a abordagem pode funcionar em seres humanos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

e-Book: A criança e a diabetes: aqui aprendes a comer

A propósito do Dia Mundial da Diabetes, a Associação Portuguesa dos Nutricionistas disponibiliza o e-Book intitulado "A criança e a Diabetes: Aqui aprendes a comer". Faça o download aqui.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Dia Mundial da Diabetes

Amanhã, dia 14 de Novembro, comemora-se o Dia Mundial da Diabetes. Este dia é assinalado desde 1991 e foi criado pela Federação Internacional da Diabetes e pela Organização Mundial de Saúde. A data escolhida assinala o aniversário de Frederick Banting (à direita na imagem) a quem é atribuída a descoberta da insulina.

A diabetes é uma doença crónica que afecta cada vez mais as populações dos países desenvolvidos e dos países em vias de desenvolvimento. Reflecte as consequências dos processos de industrialização, desenvolvimento económico e globalização alimentar responsáveis pelo aumento do sedentarismo e da modificação dos hábitos alimentares.

Em Portugal, segundo dados da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, há cerca de meio milhão de diabéticos, o que corresponde a 5% da população.

Termino com uma frase que ouvi de um médico endocrinologista num dos últimos congressos sobre diabetes a que assisti e que me deixou a pensar:

"A diabetes tipo 2 é a doença dos ricos dos países pobres e a doença dos pobres dos países ricos".

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

SALA DA CONSULTA # 13: A Hora do Lobo

A Cristina soube, há um ano, que o filho de sete anos tem diabetes tipo 1. Desde então, com a angústia contínua que sente e as manhãs passadas no hospital pediátrico a aprender a viver com a diabetes do filho, engordou doze quilos. 

Quando arranjou um bocadinho para tratar de si, procurou-me para tentar emagrecer. "Não me sinto bem. Canso-me facilmente e tenho dores nos joelhos, pareço uma velha." Fiz-lhe o habitual questionário sobre os hábitos alimentares e detectei que a Cristina, como dezenas de outras pessoas, come de uma forma razoalvelmente equilibrada ao longo do dia nas horas do trabalho. O problema começa a partir do momento em que entra em casa ao fim da tarde.  

Alguém chamou "a hora do lobo" a este momento, quando se dá um descontrolo da ingestão alimentar, quando caímos numa cadeia de acções inconscientes sem discernimento nem sabedoria. O stress, a angústia e o sofrimento, juntos ou cada um por si, podem ser os responsáveis pela compensação que se procura então na comida. Se esta compensação for consciente, não será grave porque a pessoa saberá que passou os limites e voltará a curto prazo a uma alimentação equilibrada. Se a comida for usada como escape, de uma forma inconsciente e continuada, poderão surgir episódios frequentes de compulsão alimentar com perda do controlo voluntário da ingestão de alimentos que levam invariavelmente à obesidade. É o que se chama comer sem regra. Nesta situação o perigo está na instalação de um ciclo vicioso de frustração e carência que determina a compulsão alimentar e, portanto, mais frustração e carência. O que fazer para prevenir este quadro?

A ajuda do ou da  nutricionista é indispensável nestes casos porque ele ou ela coloca regras explicando quais são os alimentos que propiciam os episódios de compulsão alimentar. 

Quando chegamos a casa cheios de fome o que fazemos é procurar alimentos que nos saciem e nos proporcionem prazer. São os alimentos com mais sabor e paladar, que possuem mais gordura, sal, condimentos ou açúcar que reunem as características que procuramos inconscientemente. Não é à toa que os croissants, o pão, as bolachas, os queijos, os enchidos, a manteiga, o chocolate, os bolos e as sobremesas são os mais referidos e estão no top ten dos mais consumidos na "hora do lobo". 

Recomendei à Cristina que passasse a ter maçãs com bom aspecto no escritório e que, antes de sair, agarrasse numa e a comesse pelo caminho. Depois, quando chegasse a casa, iria lanchar. Podia optar por iogurte de aromas e mais uma peça de fruta ou, nos dias mais frios, um chá com minitostas integrais (normalmente recomendo as da marca Pingo Doce, que são muito agradáveis e só fornecem 80 quilocalorias, mas há outras marcas).

Nos dias em que chegasse a casa esfomeada e quase em cima da hora do jantar, o melhor seria aquecer um prato de sopa e comê-la. Expliquei-lhe que a sopa é um alimento nutricionalmente fantástico com a vantagem de ter poucas calorias. E foi o que passou a fazer. A Cristina disse-me que, nos dias frios, como os que têm estado, lhe sabe lindamente a sopa que toma às 18h30 quando chega a casa. Com esta e outras pequenas alterações, ja perdeu 5 kg em apenas um mês e meio. Sente-se melhor e prometeu continuar. E eu, claro, dou-lhe mais força para ela atingir o seu objectivo.

Ciclo de Conferências de Alimentação

Durante o mês de Novembro vai realizar-se no Centro de Saúde de Eiras, em Coimbra, um Ciclo de Conferências sobre Alimentação. As conferências têm lugar às 15h00 e os temas apresentados são:
  • "Alimentação e Diabetes" dia 15 de Novembro de 2012, tema que vem a propósito das comemorações do Dia Mundial da Diabetes
  • "Alimentação e colesterol elevado", dia 22 de Novembro de 2012
  • "Alimentação e hipertensão arterial", dia 29 de Novembro de 2012
Estas sessões têm como objectivo fornecer informação sobre as principais doenças que decorrem dos excessos e desequilíbrios alimentares tendo em vista a sua prevenção e controlo.

A entrada é livre.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

SALA DE CONSULTA # 12: Apneia do sono

A apneia obstrutiva do sono caracteriza-se pela existência, durante o sono, de paragens de respiração. As pessoas com esta doença, mais frequente nos homens do que nas mulheres, têm um ressonar intenso. As paragens da respiração durante o sono resultam de um colapso da faringe. As causas podem estar relacionadas com a  constituição anatómica da faringe, mas também existem causas externas, como o excesso de peso, consumo de bebidas alcoólicas, sobretudo à noite, tabaco, sobrealimentação ao jantar e consumo de medicamentos para dormir.

O Francisco apareceu na minha consulta em Março com o diagnóstico de apneia obstrutiva do sono. Tem 44 anos, apresentava obesidade grau 1, IMC = 32 kg/m^2, e vinha, por aconselhamento do pneumologista, determinado a reduzir peso a fim de evitar o uso diário e vitalício de um aparelho de ventilação nasal para dormir, idêntico ao da imagem.

Passaram oito meses desde a primeira consulta e o Francisco já diminuiu doze quilos devido aos hábitos alimentares que adquiriu e ao exercício físico. Conseguiu arranjar tempo para praticar natação três vezes por semana e faz jogging ao fim-de-semana. Já parece mais novo e não se sente cansado, nem adormece facilmente durante o dia, sintomas que o levaram ao médico quando lhe foi diagnosticada a apneia obstrutiva do sono. Ele irá em breve consultar o pneumologista e, tanto ele como eu, estamos ansiosos pela nova avaliação. Será que resolveu o problema? Vamos ver...   

Tal como ao Francisco, e independentemente da causa da apneia obstrutiva do sono, os médicos aconselham sempre os doentes com excesso de peso a reduzi-lo.  

NOTA: Os casos aqui contados na rubrica "Sala de Consulta" baseiam-se em casos reais, mas todos os nomes são trocados, assim como alguns pormenores são alterados, para garantir a absoluta privacidade dos doentes.

Actividade física de lazer aumenta esperança de vida independentemente do peso

Aproveitar os momentos de lazer para praticar alguma actividade física, como caminhar ou pedalar no parque, aumenta a esperança de vida independentemente da intensidade do exercício ou do peso do indivíduo, concluíram investigadores da Universidade de Harvard e do Instituto Nacional de Saúde (NIH, sigla em inglês) dos Estados Unidos. Os cientistas mostraram que a ligação do lazer a exercícios físicos poderá acrescentar até sete anos de vida a uma pessoa.

O estudo foi publicado na revista PLOS Medicine.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

SALA DE CONSULTA # 11: Como resolver o problema da retenção de líquidos

A retenção de líquidos, um problema que afecta muitas mulheres,  provoca a indesejável sensação de inchaço e ganho de peso. Esta questão é frequente nas minhas consultas sendo as principais queixosas as mulheres e a fase de maior retenção o período pré-menstrual. Em geral têm em comum uma profissão sedentária e o facto de beberem muita água a fim de cumprirem o objectivo, tão divulgado, de ingerirem um litro e meio por dia. Nada mais errado.

Conto-vos a história da Isabel que fazia exactamente isso e que, no final do dia, sentia as pernas inchadas e pesadas. Veio à consulta para perder peso e queixou-se da retenção de líquidos. Disse-me: "Doutora, para a quantidade de água que bebo faço muito pouco chichi". Pois bem, como habitualmente, fiz-lhe o plano alimentar adequado aos seus horários e à sua actividade e proibi-lhe a ingestão de água ao longo do dia. Aconselhei-a, no caso de sentir sede, a beber chá ou outra infusão, sem açúcar, explicando-lhe que existe uma diferença entre beber água e beber chá ou infusão: estes últimos contêm minerais e iões que passaram das folhas ou de outras partes das plantas para a água, o que torna a bebida mais diurética do que a água (a diurese é a produção de urina pelos rins). Depois expliquei-lhe que no próximo mês conseguiria perder entre três e quatro quilos de peso à custa da redução de massa gorda e da redução da água retida nos tecidos, se cumprisse o plano prescrito. 

A maioria das pessoas com problemas de retenção de líquidos resolvem-no quando começam a cumprir o plano alimentar que prescrevo por várias razões: por um lado, aumentam o consumo de sopa, legumes e frutas, alimentos ricos em potássio que favorecem a diurese; por outro lado, deixam de consumir fritos, doces, bebidas alcoólicas, alimentos gordos e ricos em sódio (cereais, bolachas, enlatados, azeitonas, enchidos, etc.),  todos eles alimentos que favorecem a retenção de líquidos.  

A Isabel apareceu um mês depois na consulta com a felicidade estampada no rosto e desejosa de me contar as novidades. Tinha perdido, conforme medi, quatro quilos, dos quais três de massa gorda e um de água. E disse-me: "depois que passei a levar o chá para o trabalho, notei uma grande diferença, vou muito mais vezes à casa de banho. As pernas desincharam e até na barriga noto uma grande diferença." 

A sua infusão preferida é a de gengibre, que ela prepara com lascas de gengibre e água muito quente. Logo já vou passar no supermercado para comprar gengibre pois quero experimentar. Acho curioso o sabor do gengibre na comida, mas nunca bebi a infusão.

NOTA: Os casos aqui contados na rubrica "Sala de Consulta" baseiam-se em casos reais, mas todos os nomes são trocados, assim como alguns pormenores são alterados, para garantir a absoluta privacidade dos doentes.

Injecção de HDL-colesterol reduz incidência de ataque cardíaco

A infusão intravenosa de HDL-colesterol pode reduzir o risco de ataque cardíaco subsequente em grupos de risco, de acordo com um estudo relatado pela American Heart Associations Scientific Sessions 2012.

Os investigadores observaram que a infusão intravenosa da proteína principal da lipoproteína de alta densidade (HDL ou colesterol "bom") parece aumentar rapidamente a capacidade do corpo para retirar as placas de colesterol de artérias entupidas.

Nos dias e semanas após um ataque cardíaco ou dores no peito, os pacientes estão em alto risco de outro ataque. Medicamentos como aspirina e antiplaquetários, impedem a coagulação, mas não ajudam a eliminar a causa subjacente, o colesterol que se acumulou na artéria. Outros fármacos, como niacina e fibratos, que atacam a causa subjacente, gradualmente elevam o HDL e podem evitar ataques do coração anos após o início da terapia.

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Licopeno presente no tomate reduz risco de derrame cerebral

Investigadores da Universidade Leste da Finlândia acompanharam 1031 homens com idades entre 46 e 65 anos, durante 12 anos. Os níveis de licopeno foram medidos durante esse tempo, e o que se constatou foi que pessoas com níveis mais baixos da substância tiveram mais probabilidade de sofrer acidente vascular cerebral, também conhecido como derrame cerebral.

O mesmo estudo analisou os níveis de carotenos, vitamina E e vitamina A, e não foi encontrada nenhuma relação entre essas vitaminas e o risco de derrame.
Fonte: saude.terra.com.br