SALA DE CONSULTA # 7: Os iogurtes gregos

A Beatriz tem 53 anos e é psicóloga clínica. Veio à minha consulta porque se sente a engordar desde que entrou na menopausa. Teve dois filhos e foi sempre elegante porque toda a vida cuidou da sua alimentação e fez exercício físico programado. Devido a um problema na coluna lombar foi obrigada a parar o exercício físico por uns tempos. Pesou-se e, de acordo com a minha balança de bioimpedância, a Beatriz tem apenas quatro quilos de gordura a mais.

Nestes casos não sei se conseguirei ajudar por dois motivos: primeiro, porque quando uma pessoa só tem três ou quatro quilos a mais, significa que já tem uma alimentação cuidada e, segundo, porque diminuir apenas dois ou três quilos pode ser penoso porque obriga a restringir em alimentação que já não é demasiada e/ou a aumentar a intensidade do exercício físico. Mas não desisti. Não gosto de desistir de nada e, muito menos, de desistir antes de tentar.

Fiz-lhe um inquérito exaustivo na tentativa de detectar algum erro alimentar que pudesse ser corrigido para a ajudar. Ela, de facto, alimentava-se correctamente. Comia sopa nas duas principais refeições do dia, comia sempre legumes ou saladas, frutas nos intervalos e iogurtes naturais. Achei tudo tão perfeito, o que não é de estranhar tratando-se de uma profissional de saúde bem informada, que resolvi perguntar-lhe a marca dos iogurtes naturais, ao que me respondeu: "são iogurtes gregos". Comia dois por dia o que corresponde do ponto de vista calórico a cerca de 600 kcal. Era o suficiente para fazer uma pessoa, que não gaste essas calorias, a ganhar três quilos de peso em um mês. Se fizermos as contas, ao final de um mês a Beatriz ingeria 18 000 kcal a mais sem fazer exercício físico. Qual menopausa? 
Convido-vos a ler (ou reler) um artigo curto que publiquei quando os iogurtes gregos começaram a surgirem força no mercado português: aqui. 
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