SALA DE CONSULTA # 6: Prefiro correr ao fim da tarde

O Carlos tem 51 anos, é gestor num grupo de empresas e há cinco meses atrás apanhou um susto quando, nas análises de rotina, viu os valores de colesterol, de triglicerídeos e a glicemia todos em alta. A conselho do médico, por estar em alto risco de um evento cardiovascular, procurou-me decidido a mudar de vida. De facto, tinha 18 quilos a mais, levava uma vida completamente sedentária e tinha alimentação descuidada. Fiz-lhe um plano alimentar e recomendei-lhe que caminhasse todos os dias 60 minutos. Um mês depois o Carlos apareceu com menos três quilos e com um aspecto menos inchado. Disse-me que lhe custou a primeira semana, mas que depressa se começou a sentir melhor, o que lhe deu motivação para continuar.

Aproveitei a segunda consulta para o convencer a correr. Começar por dois ou três minutos, de acordo com a sua resistência, aumentando os tempos de dia para dia à medida que fosse perdendo peso e ganhando resistência. Assim fez, voltando um mês e meio depois com menos 5 quilos e cada vez com melhor aspecto. Na semana passada voltou à consulta. Vinha feliz consigo mesmo, pois já consegue fazer dois ciclos de corrida de 20 minutos cada um intervalados por dez minutos de marcha. Disse-me que está viciado em corrida, que prefere correr ao fim da tarde e explicou-me porquê: "tenho muito stress no trabalho, temos empresas a fechar e não é fácil despedir pessoas e assistir ao drama familiar do desemprego. Se não vou correr ao fim da tarde vou para casa e só penso em comer o que não devo. Depois de correr apetecem-me "coisas leves" como sopa ou saladas ou fruta".   

Ainda lhe faltam seis quilos para o objectivo e o Carlos prometeu não parar. No final deste mês vai repetir as análises e tenho a certeza que os valores vão estar dentro do estabelecido como normal. Quando voltar ao médico ele nem o vai conhecer. O Carlos parece outro e eu já lhe dei os parabéns.
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