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Uso e abuso de testes genéticos


Gosto de ler o jornal espanhol "El País" e, nas férias, tive mais tempo para o fazer. Num artigo de fundo de 15 de Agosto, e dado o meu interesse por testes genéticos de obesidade, fui logo apanhada pelo título. "A genética chega à clínica de estética", abaixo de uma grande figura (em cima) que mostrava uma tratamento chinês para a obesidade com a colocação de um trapo sobre a barriga (não sei o que terá o trapo). Dois subtítulos elucidavam sobre o conteúdo do artigo: "Algumas empresas oferecem testes para detectar propensão à obesidade" e "Os cientistas vêem com preocupação que se façam testes a pedido do consumidor". 

Lendo o artigo, como a leitora ou leitor poderá ler aqui, confirmei aquilo que já sabia (aquele jornal costuma ser meticuloso na redacção dos seus artigos e aquele vinha assinado pela jornalista Alejandra Agudo): cada vez mais empresas oferecem testes genéticos, que incluem dados sobre a obesidade, sendo a qualidade do seu serviço por vezes altamente questionável. Esses testes podem ser justificados em certos casos, mas, principalmente na Internet, há muita oferta sem credibilidade.Não há um só gene da obesidade, mas sim um conjunto de genes relacionados a obesidade. A investigação nesta área prossegue, sendo possivel que apareçam novidades. E não interessa apenas a genética, mas também a epigenética, isto é, a relação do organismo com o ambiente. Os genes não dizem tudo. Por outro lado, confirmei a resistência que muitos médicos, especialmente geneticistas, têm à realização de testes genéticos pela Internet. É, geralmente, dinheiro deitado pela porta fora. Aconselho seguimento individualizado e especializado por médicos e nutricionistas. Não há diagnósticos milagrosos e muito menos curas milagrosas à distância.

A figura mostrando o tratamento chinês não tinha directamente a ver com o assunto. Mas tinha indirectamente porque certos tratamentos da obesidade têm tanto de científico como aqueles que usam o nome de "genético" apenas para parecerem mais sérios do que aquilo que são...
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Experimentem!

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Do livro "A cozinha é um laboratório" (Fonte da Palavra, 2009) transcrevo alguns conselhos para bem cozinhar os brócolos evitando, dentro do possível, perdas de nutrientes e o desenvolvimento de cores e aromas indesejáveis: "Corte-os apenas na altura de serem introduzidos na água quente. Além de os cortar em pedaços, dê um golpe longitudinal nos pedúnculos. Estes cortes têm como objectivo acelerar a cozedura, dado aumentarem a área de exposição à água quente. Adicione os brócolos à água a ferver, com o lume no máximo. Para minimizar a perda de nutrientes e ter a melhor cor final, não use muita água, nem pouca... no meio é que está a virtude! Deixe o recipiente destapado nos primeiros minutos. Cozinhe-os durante apenas cerca de 5 minutos (ficam mais estaladiços e com uma cor mais bonita). Se não os for consumir logo, passe-os por água muito fria mal sejam tirados do lume, para parar todo o processo. Como melhor alternativa, coza os brócolos em vapor. O resultado será ainda melh…