terça-feira, 31 de julho de 2012

Queijo italiano Grana Padano tem efeito benéfico sobre a pressão arterial

Bastam 30 gramas de Grana Padano para reduzir a pressão arterial, em média, cerca de 8 milímetros de mercúrio. O estudo que sustenta esta afirmação foi apresentado na Reunião Europeia de Hipertensão 2012, na Grã-Bretanha. As moléculas responsáveis por este efeito parecem ser dois tripeptideos contidos em quantidades maiores no queijo Grana Padano de 9 a12 meses de cura. A sua acção é semelhante à de alguns medicamentos anti-hipertensivos.

Os autores do estudo selecionaram 29 indivíduos que não tomam medicamentos anti-hipertensivos, e deram-lhes 30 g de Grana Padano durante dois meses sem que tivesse sido alterada a ingestão calórica total. Após o tratamento não houve alterações no índice de massa corporal nem nos valores de colesterol total, HDL-colesterol, triglicerideos, glicemia, sódio e potássio.
Os autores lembram que o queijo Grana Padano é um alimento muito completo, porque é rico em proteínas (100 gramas de queijo contém as mesmas proteínas presentes em 160 gramas de carne), calcio (100 gramas de queijo fornecem 1200 mg deste micronutriente, a dose diária recomendada), vitamina B12 (50 gramas de queijo contêm 75% da ingestão diária recomendada) e colesterol baixo (50 gramas contèm apenas 45 miligramas de colesterol).  

Não resisti em partilhar esta notícia com os leitores porque sou fã número um da cozinha italiana e porque uso este queijo frequentemente nas refeições lá de casa. A notícia soube-me bem.
 
Fonte

segunda-feira, 30 de julho de 2012

SALA DE CONSULTA # 2: Queda de cabelo após dieta

Acerca da queda de cabelo nas mulheres na semana passada tive duas situações que me leveram a escrever sobre o assunto. A primeira, um comentário de uma leitora do blogue que me pediu esclarecimento acerca da relação entre a alimentação e a queda acentuada de cabelo e a segunda, uma senhora que veio à consulta e que relatou alguma da sua experiência com dietas que tem feito e da queda de cabelo assustadora que sofreu no ano passado depois de ter feito uma dieta muito restritiva, daquelas que circulam na net.

Actualmente, quase 30% das mulheres entre os 20 e os 90 anos sofrem de calvice ou alopecia e a percentagem está a aumentar. Nas mulheres, a alopecia costuma ser difusa, repartida por todo o coro cabeludo, mas também tem uma base hormonal e hereditária. A predisposição genética desperta muitas vezes, por coincidência, em fases de mudança como o parto ou na menopausa em que ocorre queda de cabelo transitória. Mas outros factores como carências nutricionais, o stress, algumas doenças e medicamentos, podem desencadeá-la quando existe uma base genética. De facto, os especialistas verificaram que a maioria das mulheres, entre os 15 e os 30 anos, perderam cabelo após dietas de emagrecimento. A explicação é simples. Dietas muito restritivas com privação de alguns grupos de alimentos provocam carências nutricionais mais ou menos graves, que são compensadas pelo organismo que vai buscar os nutrientes em falta às estruturas que não são vitais, como os cabelos e unhas.

Quando não existe predisposição genética, os transtornos nutricionais ou problemas de saúde como a anemia ferropénica, problemas de tiróide, carência de cálcio, diabetes ou cancro provocam uma queda de cabelo subtil e difusa a que os dermatologistas chamam “eflúvio telegénico”. O stress e outros eventos emocionais negativos também podem ser a causa deste fenómeno. Nestes casos corrigir a causa pode acabar com a queda de cabelo, mas tal como nos homens, uma vez instalada, pode ser irreversível.

Tenham atenção às dietas que prometem perdas de peso rápidas, porque são muito restritivas podendo induzir carências nutricionais graves. Prolongar uma dieta deste género por meses, pode ter consequências desastrosas.

Se pretende perder peso procure a ajuda de um especialista e lembre-se que ninguém consegue perder, de forma consistente,  num mês ou dois os quilos que ganhou numa vida. Emagrecer é perder gordura corporal e isso leva o seu tempo.

terça-feira, 24 de julho de 2012

SALA DE CONSULTA # 1:Engenheiros Informáticos

Esta semana tive várias pessoas que vieram pela primeira vez à consulta de obesidade. Até aqui nada de novo porque é o meu dia-a-dia. Uma das perguntas que faço no questionário inicial refere-se à profissão e, por coincidência,  esta semana vieram três Engenheiros Informáticos. As características comuns aos seus estilos de vida e que sabemos não se limitam à sua profissão, é o facto de estarem o dia todo sentados e fazerem apenas três refeições por dia: o pequeno-almoço, o almoço e o jantar. Como sabem, este sistema de refeições favorece o aumento de peso porque se fazem inevitavelmente refeições mais volumosas e porque estar várias horas sem ingerir nada reduz o metabolismo para modo de "poupança de energia". Outra característica comum aos três engenheiros era a falta de tempo para praticarem exercício físico devido, segundo eles, à irregularidade nas horas de saída do trabalho.

Esta, tal como tantas outras profissões em que se passa a maior parte do tempo sentado, é uma profissão de risco de obesidade e de doenças cardiovasculares. De facto, estar demasiado tempo sentado, desencadeia uma série de problemas metabólicos no corpo humano sendo o coração, o maior prejudicado.

Pessoas com profissões sedentárias devem controlar o peso regularmente, cuidar da alimentação com rigor e praticar exercício físico. Se estiverem a ganhar peso, procurem a ajuda de um profissional. Não vale a pena correr riscos.

domingo, 22 de julho de 2012

HUMOR: HELP!


COMO EMAGRECER? QUAL É A MELHOR DIETA? UM INVESTIGADOR RESPONDE


O Dr. Hirsh, professor jubilado de Medicina da Universidade Rockefeller, em Nova Iorque, estuda a obesidade há 60 anos. Eis as suas respostas a questões que o New York Times lhe colocou recentemente:

"What would you tell someone who wanted to lose weight?

I would have them eat a lower-calorie diet. They should eat whatever they normally eat, but eat less. You must carefully measure this. Eat as little as you can get away with, and try to exercise more.
 
There is no magic diet, or even a moderately preferred diet?
 
No. Some diets are better or worse for medical reasons, but not for weight control. People come up with new diets all the time — like, why not eat pistachios at midnight when the moon is full? We have gone through so many of these diet possibilities. And yet people are always coming up to me with another one."

sexta-feira, 20 de julho de 2012

HUMOR: EXERCÍCIO DE CABEÇA


SAPATILHAS QUE EMAGRECEM?



Por falar em publicidade enganosa, queria deixar aqui o registo do combate que as autoridades comerciais dos Estados Unidos estão a fazer a conhecidas marcas de ténis (Reebok, Skechers, etc.) por estas anunciarem calçado que ajuda a perder peso, que fortalecem os glúteos, os músculos das pernas e os abdoominais, corrigem a postura e até aumentam a estatura. Uma das multas chegou a 31 milhões de euros por tal publicidade não ter qualquer base científica.

REGULAMENTAÇÃO DOS RÓTULOS DOS ALIMENTOS


A fim de combater a publicidade enganosa, a União Europeia aprovou uma lista de propriedades saudáveis dos alimentos que podem figurar nos rótulos das embalagens. Outras alegações sobre efeitos na saúde não estão autorizadas. Como se imaginava, muitos interesses ligados à indústria alimentar, a empresas de alimentos naturais, etc. não estão contentes com a lista. Ver regulações sobre "low fat", etc. aqui.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

CINCO ALIMENTOS QUE MELHORAM O SONO

Cinco alimentos que melhoram o sono, segundo a revista Forbes:

1. Cerejas
De acordo com estudos, a cereja é fonte de melatonina, hormona que é produzida por diversos animeia e plantas, que tem como função induzir o sono. O investigadores recomendam comê-las uma hora antes de deitar.

2. Bananas
É fonte de potássio e magnésio que são relaxantes musculares naturais. Possui o aminoácido L-triptofano que dá origem a serotonina (neurotransmissor relaxante) e melatonina.

3. Torrada
Alimentos ricos em hidratos de carbono causam aumento nos níveis de açúcar no sangue provocando  liberação de insulina e de substâncias químicas cerebrais que promovem o relaxamento e combatem a ansiedade (triptofano e serotonina).

4. Farinha de aveia
Provoca um aumento de açúcar no sangue que leva à libertação de insulina e de substâncias químicas cerebrais de indução do sono. A aveia também é rica em vitamina B6 (actua contra o stresse) e melatonina.

5. Leite morno
Há evidências de que ajuda no sono, principalmente quando combinado com aveia, granola ou torradas. Assim como a banana, contém o aminoácido L-triptofano que dá origem à serotonina (neurotransmissor relaxante). É também rico em cálcio e outros minerais também com efeito relaxante.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

DIMINUIR A BARRIGA INCHADA

Uma seguidora do blogue pergunta o que deve fazer para dimuir a barriga inchada. Sendo uma queixa frequente nas minhas consultas, resolvi partilhar a resposta com todos os que nos visitam:

A sensação de barriga inchada causa grande desconforto e por vezes até dor. O problema pode ter diversas origens, mas pode sempre ser melhorado com alguns cuidados alimentares:
        •  Para evitar o inchaço da barriga, deverá reduzir o consumo de determinados alimentos que estão associados à produção de gases: leite, queijo, iogurtes, feijão, ervilhas, lentilhas, grão-de-bico, soja, castanhas, amendoim, batata-doce, repolho, couve-flor, banana, bolos e doces
        • Evite consumir comida muito gorda, pois a gordura dificulta a digestão.
        • Evite comer grandes quantidades de comida
        • Mastigue devagar porque comer rápido faz engolir mais ar, que contribui para a formação de gases 
        • Evite bebidas com gás, açúcar e álcool
        • Acompanhe as refeições principais com chá ou infusões. As bebidas quentes facilitam a digestão e ajudam a comer devagar
        • Durante alguns dias experimente comer apenas alimentos leves que não incham a barriga: caldo de legumes sem batata, peixe, carnes magras de frango, coelho e peru e outros alimentos fáceis de digerir. Pode comer alguns vegetais e frutas com poder diurético (melancia, pêssego, pepino, beringela, entre outras), pois evitam a retenção de líquidos
        • Faça exercício físico e beba cerca de 1,5 L de água sob a forma de infusões sem açúcar. As infusões, nalgumas pessoas, são mais diuréticas do que a água.  

DEIXAR DE FUMAR ENGORDA, MAS VALE A PENA

Um novo estudo publicado na terça-feira no British Medical Journal (BMJ) concluiu que fumadores engordam, em média, entre quatro e cinco quilos nos primeiros 12 meses após terem deixado os cigarros. Segundo os autores do estudo, o aumento maior de peso ocorre nos primeiros três meses, mas os efeitos benéficos que acompanham o fim do tabagismo superam os riscos do ganho de peso.

As variações na alteração do peso são grandes e, de acordo com o estudo, entre todos os fumadores que abandonam o vício, 37% engordam até cinco quilos, 34% ganham entre cinco e dez quilos e 13% aumentam o seu peso em mais de dez quilos. Mas há 16% que emagrecem.

Apesar da maioria das pessoas ganhar peso é importante perceber que o ganho de peso pode ser evitado. Se pretende deixar de fumar, procure a ajuda de um nutricionista e dedique-se a uma actividade física. A prática, além de ajudar a emagrecer, ajuda nos eventuais sintomas de ansiedade que acompanham o ex-fumador.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O que é o Peso Ideal?

Um leitor comentou o meu último post  "Casos de Sucesso #1", perguntando no fim o que era o peso ideal?

É, de facto, uma boa pergunta. Numa altura em que a população mundial está a aumentar, não apenas em número, mas também e bastante mais peso, é oportuno esclarecer os leitores quanto ao conceito de peso ideal. Eu sei que há tabelas de peso que as pessoas consultam e sei também que muitas pessoas sofrem com o facto de não conseguirem alcançar os valores de peso inscritos em tabelas de referência. Mas, como não somos todos iguais, o peso ideal de cada um de nós não pode vir em tabelas. O peso ideal "é o peso com o qual o organismo fica menos exposto a problemas de saúde relacionados com o peso. Depende da idade, do sexo, da estatura e da composição corporal."

Não existe, portanto, um peso ideal, mas sim um intervalo de valores de peso saudável que não põem em causa a saúde do indivíduo. Se tiver oportunidade de se pesar numa balança de bioimpedância, as balanças que dão a composição corporal e que existem nos consultórios dos nutricionistos, poderá saber, de um modo mais correcto, qual o seu peso ideal. O nutricionista estabelece a percentagem de gordura corporal como objectivo e a balança dará o valor do peso ideal. Este é o método que uso no meu consultório e, por vezes, as pessoas ficam surpreendidas porque afinal o seu peso ideal é superior aquele que supunham. Para ilustrar a afirmação de que não somos todos iguais costumo dar o exemplo que duas mulheres com 1,60 m de altura, das quais uma pode ter como peso ideal 50 kg e a outra 65 kg. Tudo depende da percentagem de massa magra e do objectivo de massa gorda na sua composição corporal.

CASOS DE SUCESSO #1

O senhor António (nome fictício) é um homem de 36 anos que frequenta a minha consulta desde Abril e que perdeu, até hoje, 15 kg. Foi enviado à consulta pelo seu médico de família por apresentar obesidade mórbida (IMC = 43,8 kg/m2) com hipertensão arterial associada. Cansava-se facilmente a subir escadas e até apertar os sapatos era complicado para o senhor António. 

Dei-lhe uma lista de alimentos a evitar, que são os que têm mais gordura e açúcar e que têm índice glicémico elevado, isto é, alimentos normalmente produzidos com farinhas refinadas que rapidamente se transformam, depois de digeridos, em glicose. Corrigi-lhe os erros alimentares e organizei um plano alimentar de baixo índice glicémico ajustado ao seu horário de trabalho. Prometeu-me que caminharia todos os dias 60 minutos como parte do seu tratamento. Um mês depois, na segunda consulta, tinha menos sete quilos e hoje, quando passaram mais oito semanas, apareceu-me com menos oito quilos. A tensão arterial diminuiu para valores considerados normais e o IMC baixou para 38,7 kg/m2. O senhor António já não tem obesidade mórbida e, apesar de ainda ser obeso,  sente que readquiriu alguma qualidade de vida. Regressa à consulta em Setembro e levou como objectivo diminuir o seu peso de cinco quilos. Obter esse resultado será a sua maior motivação.

O senhor António passou a alimentar-se de forma equilibrada e saudável e já sabe que deverá comer sempre assim  ao longo de toda a sua vida. Irá perder peso até o organismo estar em equilíbrio energético entre o que ingere e o que gasta nas suas actividades. Nessa altura terá atingido o seu peso ideal, que deverá manter.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Descoberto o modo como os morangos protegem contra as doenças cardiovasculares e diabetes

Cientistas da Universidade de Warwick, no Reino Unido, descobriram que os morangos ativam uma proteína no organismo que aumenta o efeito protetor dos antioxidantes sobre a saúde cardiovascular. O estudo revela que a proteína Nrf2 atua reduzindo os níveis de lipídios e de colesterol "mau" no sangue, diminuindo o risco de doenças cardíacas e diabetes. Esta é a primeira vez que é provado cientificamente que os extratos de morango estimulam proteínas que oferecem proteção contra doenças em seres humanos. "Descobrimos a ciência que está por trás do modo como os morangos aumentam as nossas defesas inatas para manter células, órgãos e vasos sanguíneos saudáveis e que podem reduzir o risco de desenvolver problemas cardiovasculares e diabetes", afirma o líder da pesquisa Paul Thornalley da Warwick Medical School. A equipa planeia agora usar técnicas de modelagem matemática e triagem para aprofundar o estudo e identificar as melhores variedades de morangos, o modo como eles são servidos ou processados e as quantidades que devem ser consumidos para tirar o melhor benefício para a saúde.

Fonte: http://www.isaude.net

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Listas de espera para cirurgia de obesidade não param de aumentar

Entrevista ao Doutor Francisco Castro e Sousa, director do Serviço de Cirurgia III dos Hospitais da Universidade de Coimbra: 

A obesidade é o problema número um da saúde pública do século XXI em Portugal e no mundo desenvolvido, considera Francisco Castro e Sousa, director do Serviço de Cirurgia III dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Entende que as administrações hospitalares não têm feito tudo o que está ao seu alcance para ultrapassar os entraves ao escoamento da lista de espera nos hospitais públicos que, nalguns casos, ultrapassa mesmo os quatro anos, tempo que põe a vida dos obesos mórbidos em risco.

Segundo dados fornecidos por este especialista mais de 50 por cento dos portugueses tem excesso de peso e 14 por cento obesidade mórbida. Números assustadores que se reflectem nos custos com a saúde: um quarto das despesas totais são feitas com obesos. O sedentarismo e a má alimentação são os responsáveis "nos últimos 20 ou 30 anos a vida tornou-se muito mais sedentária: as crianças antes iam para a rua jogar à bola ou iam para a escola a pé, agora chegam das aulas e vão sentar-se frente ao computador ou à televisão a comer batatas fritas e a beber Coca Cola", sublinha Castro e Sousa.

Para o cirurgião, os aspectos estéticos, que as pessoas tanto valorizam, são de somenos importância comparados com as co-morbilidades: problemas cardiovasculares, designadamente a angina de peito e a hipertensão arterial. Também os problemas pulmonares como a insuficiência respiratória, a sensação de falta de ar e a apneia do sono se agravam com o excesso de peso. Segundo o especialista, "todo o gordo tem tendência para ressonar mas melhora muito se perder peso."

A fazer cirurgias de tratamento da obesidade desde 1986, o professor catedrático da Universidade de Coimbra sublinha que a diabetes também é mais prevalente no obeso: "assim que o doente é operado, melhora imediatamente a diabetes, mesmo que ainda esteja muito longe do peso ideal." Francisco Castro e Sousa admite mesmo que esta solução possa vir a ser no futuro a cura mais eficaz para a diabetes.

As outras co-morbilidades comuns nos obesos mórbidos são igualmente as doenças metabólicas, como a elevação dos níveis séricos do colesterol e os triglicerídeos altos, problemas que ficam corrigidos para a vida com a operação. O especialista releva a doença hepática como sendo outra co-morbilidade, e explica porquê: "a gordura também se deposita no fígado e cinco a dez por cento dos doentes com fígado gordo vão ter cirrose." Os obesos mórbidos sofrem ainda de dores osteoarticulares e, segundo o especialista, há que operar as pessoas em tempo útil. "Uma vez operei uma senhora da Madeira com 73 anos com dores intoleráveis porque tinha artroses nas duas ancas. Ela pesava 120 quilos e não havia nenhum ortopedista que a operasse com aquele peso. Ainda hesitei mas acabei por fazê-lo e a senhora viveu até aos 82 anos com um resto de vida de excelente qualidade."

"O obeso mais gordo que operei tinha 300 quilos e sofria de dores brutais nos joelhos",recorda. "Era um jovem de 21 anos que já não saía de casa, e nem por email conseguiu arranjar emprego. Agora está a trabalhar e tem uma vida perfeitamente normal. Depois de operado ficou com 90 quilos."

Até o carcinoma do cólon e do recto são mais frequentes nestes doentes. Pensa-se que morram dez pessoas por dia em Portugal vítimas deste cancro de que são diagnosticados, todos os anos, cinco mil novos casos. Também o cancro da mama e do útero atinge em maior número as obesas. Depois vem o grupo das doenças psiquiátricas: falta de auto-estima e as dificuldades que são postas nas relações pessoais, familiares, sexuais e até laborais. Estas relações são quase sempre condicionadas pelo facto de se ser obeso mórbido. Segundo Castro e Sousa, estas doentes queixam-se de que não foram escolhidas para o emprego por serem gordas ou que os maridos as deixaram por elas terem excesso de peso.

A insuficiência venosa crónica é outra co-morbilidade que afecta os obesos mórbidos porque o coração tem muito mais dificuldade em aspirar o sangue que vem desde a periferia. Por isso o risco da trombose venosa é enorme. Aliás, o médico de Coimbra não tem dúvida de que todos estes problemas de saúde afectam infinitamente mais os obesos mórbidos do que a população em geral, para não falar do risco que correm quando têm de se submeter a uma operação normal como uma apendicite aguda, uma hérnia, vesícula, úlceras, etc.

A obesidade mórbida avalia-se quando a pessoa tem uma relação entre o peso e a altura ao quadrado superior a 40, que se denomina índice de massa corporal. “No entanto, se o valor for 35, e a pessoa tiver uma destas co-morbilidades já é considerado um obeso mórbido”, revela o cirurgião para acrescentar que este tipo de obesidade reduz a esperança de vida em 20 por cento!

Quem deve ser operado?
Engordar é, para algumas pessoas, uma inevitabilidade. É uma característica do material genético que varia de pessoa para pessoa. Há a ideia de que os gordos têm um estômago muito grande, mas não é verdade. Uns têm, mas outros não. Daí que para se propor um doente para cirurgia o primeiro passo é, segundo o cirurgião, ver se ele está dentro dos padrões estabelecidos: ter um índice de massa corporal superior a 40 ou 35 se houver uma co-morbilidade associada. Castro e Sousa recorda que as primeiras cirurgias da obesidade se faziam por via aberta. "Quando comecei a operar estes doentes , em 1986, o corte ía do final do esterno até bem abaixo do umbigo. Era uma enorme intervenção que se chamava By Pass Gástrico, demorava três horas e era extremamente invasiva." A seguir surgiu o "Gastric Sleeve"(gastrectomia tubular) uma intervenção que deixa o estômago em forma de tubo com dez por cento da sua capacidade total. Hoje é a operação que está mais na moda e se pratica em maior número. A maior inovação é que esta operação, aliás como todas as outras utilizadas para tratamento da obesidade mórbida, é hoje, quase sempre, realizada por laparoscopia, e demora entre uma e duas horas. Na opinião de Castro e Sousa, a intervenção mais simples é a Banda Gástrica. Faz-se através de quatro furinhos, dois com 10-15mm e dois com cinco milímetros e a banda entra através dos tubos da laparoscopia. A mortalidade operatória da banda é praticamente zero, enquanto a do By Pass pode alcançar dois por cento. "Com a banda o doente fica com um corpo estranho dentro de si, mas fica com o organismo exactamente igual ao que era", garante o especialista.

Estas cirurgias são dispendiosas porque os materiais usados são muito caros mas também porque o doente obeso é um doente muito difícil e obriga a uma assistência pós-operatória muito mais cuidada e a um acompanhamento muito mais permanente. No entanto, um estudo feito pelo Serviço de Saúde Britânico garante que um ano depois estão recuperados os custos com o doente obeso. "Por muito cara que seja a operação sai sempre mais barato ao Serviço Nacional de Saúde e sobretudo ao doente", admite Francisco Castro e Sousa. Para o cirurgião de Coimbra as vantagens da cirurgia da obesidade não se medem. “Não há memória de alguém se ter arrependido de fazer uma cirurgia destas. E quando há um caso ou outro de intolerância às bandas, e as pessoas têm de as tirar, ficam tremendamente desgostosas e acabam por vir a solicitar uma intervenção de outro tipo.”

Fonte
http://www.cienciahoje.pt/

terça-feira, 3 de julho de 2012

Dieta de baixo índice glicémico é a mais eficaz para a fase de manutenção do peso

De acordo com um estudo publicado na revista JAMA, investigadores americanos constataram que as dietas de baixo índice glicémico são preferíveis à dieta com baixo teor de gorduras para os indivíduos que querem manter o peso, após terem emagrecido.

Neste estudo, a equipa de investigadores, liderada por David Ludwig, decidiu avaliar os efeitos da composição da dieta no gasto energético durante a perda de peso, tendo para tal contado com a participação de 21 adultos que tinham perdido entre 10 a 15% do seu peso. Depois, na fase de manutenção do peso, seguiram uma das três dietas, de forma aleatória, durante quatro semanas. As dietas adotadas foram as seguintes: dieta com baixo teor de gorduras que limita o consumo de gorduras e dá preferência à ingestão de hidratos de carbono (60% das calorias diárias totais); dieta de baixo índice glicémico, essencialmente composta, por cereais pouco processados, vegetais e frutas (40% das calorias diárias são provenientes dos hidratos de carbono); e a dieta com baixo teor de hidratos de carbono (apenas 10% das calorias diárias são provenientes de hidratos de carbono).

Os resultados do estudo sugerem que a dieta de baixo índice glicémico foi a mais eficaz na manutenção do peso. “Observámos que, contrariamente ao dogma nutricional, as calorias não são todas iguais”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos líderes do estudo, David Ludwig.

“Para além dos benefícios reportados neste estudo, acreditamos que a dieta de baixo índice glicémico seja mais fácil de seguir em comparação com a dieta de baixo teor de hidratos de carbono, considerada por muitos limitativa”, concluiu a outra líder do estudo, Cara Ebbeling.