O PINTOR DAS GORDAS


 Acaba de inaugurar na Cidade do México, no Palácio das Belas Artes, a maior exposição da já longa carreira do pintor colombiano (nascido em 1932) Fernando Botero, cuja arte se caracteriza pela redondez das formas humanas (curiosamente, o México é, depois dos Estados Unidos, o país americano com maiores índices de obesidade) . Para Botero as figuras que pinta e esculpe não são,porém, de pessoas gordas. Escreve o seu amigo Mario Vargas Llosa, o Nobel da Literatura, no catálogo da mostra: 

"Quando um crítico lhe perguntou porque pintava figuras gordas, Botero respondeu. 'Não são gordas. A mim parecem-me esbeltas.' "

Nem toda a gente é, porém, da mesma opinião. O repórter do El País (30/Março/2012), quando perguntou a uma jovem de 20 anos se achava bonita uma das mulheres representadas num quadro de Botero, obteve a seguinte resposta:

 "Não, não é estética, mentiria se dissesse que era bonita."

E o jornalista pediu-lhe então o seu peso e altura:

"Meço 1,63 m e peso 58 kg e sinto-me muito gorda, eu não quero ser bojuda."

Neste tempo que cultiva a magreza, neste tempo em que "gordura não é formosura", a exposição de Botero, intitulada "Botero: uma celebração",  pode ser vista como uma celebração das formas redondas, contrariando os cânones de beleza vigentes. A filha do pintor, Lina Botero, comissária da exposição, transmite assim o pensamento estético do seu pai:

"Ele diz que a arte está actualmente no seu pior momento de decadência, porque abandonou a figuração e a busca do prazer".


Pintar para Botero continua, ao fim de muitos anos de actividade, a ser um prazer.  Continua, aos 80 anos,  a trabalhar activamente nos vários estúdios que possui espalhados pelo mundo, de Medellin, onde nasceu, a Paris,  durante "pelo menos oito horas por dia". Ele próprio nada tem de gordo. Conta trabalhar até aos cem...
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