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A América come o equivalente a cinco planetas

Partilho algumas declarações ao jornal "Público" do britânico Tim Lang, especialista em Política Alimentar, que esteve ontem na Fundação Calouste Gulbenkian como orador convidado da segunda conferência do ciclo "O futuro da Alimentação - Ambiente, Saúde e Economia":

"O problema não são os chineses, somos nós. No Reino Unido comemos como se houvesse três planetas. Nos Estados Unidos, eles comem como se houvesse cinco planetas. E não há cinco planetas. Não há três Terras.

No quadro actual, a China é precisamente um exemplo de como se pode viver com recursos muito limitados. Uma imensa população vive em apenas 9% da terra disponível. E como é que o conseguiram? Comendo plantas. Claro que, à medida que vão enriquecendo, os chineses vão comprando mais terra e sementes para alimentar os animais, porque querem comer mais carne, que é uma expressão de riqueza. O que está a acontecer na China é uma transição nutricional pela qual o mundo ocidental, que hoje come em excesso, também já passou."

"Há no mundo ocidental um consumo excessivo sobretudo de carne e de lacticíneos, que consomem, através da alimentação dos animais, 50 por cento de toda a produção de cereais do planeta, e esta consome imensa água." O especialista britânico deu um exemplo: para a produção de uma caneca de leite (200 mL) são consumidos 200 litros de água. "É por isso que o sistema é insustentável". 

"No século XX houve uma revolução no que comemos, na forma como se produz a comida, como é processada, transportada, vendida e até cozinhada. Neste momento podemos calcular os custos dessa revolução alimentar e distinguir o impacto positivo do negativo. A produção de comida na Europa representa hoje 30% do impacto do consumo de gases de efeito de estufa. E há ainda as consequências para a saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde, entre as 20 principais causas de morte prematura 12 estão relacionadas com a alimentação."

"Há quem continue a defender que, perante o crescimento da população mundial, a prioridade tem que ser garantir alimentos para todos, mas Lang defende que isso não pode passar por "espremer" ainda mais o planeta para que todos tenham um bife no prato a todas as refeições."

Politicamente, Tim Lang propõe que os governos criem o Ministério da Alimentação que abrangeria muito mais do que os actuais Ministérios da Agricultura. O Ministério da Alimentação regularia todo o complexo sistema alimentar, desde a produção ao consumo, implementando políticas públicas em sintonia com os Ministérios da Saúde e da  Educação. Curiosamente, em Portugal, existiu em 1986 um Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação. 
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