terça-feira, 27 de março de 2012

PIPOCAS: um concentrado de antioxidantes

Num estudo realizado na Universidade de Scranton, nos Estados Unidos, os investigadores encontraram maior concentração de polifenóis, compostos antioxidantes, nas pipocas do que em frutas e legumes. Os polifenóis são responsáveis pela diminuição da presença dos radicais livres no organismo causadores do envelhecimento e de várias doenças como cancro e Alzheimer.

Joe Vinson, pioneiro na análise destes compostos em chocolate, nozes e outros alimentos comuns, explica que os polifenóis estão mais concentrados nas pipocas, porque têm, em média, apenas 4% de água, enquanto nas frutas e legumes os polifenóis estão diluídos em 90% de água. O mesmo acontece com as frutas secas como a passa de uva, por exemplo. Como a casca da uva também é uma boa fonte de polifenóis, quanto menos água tiver, maior será a concentração da substância antioxidante.

Vinson alertou, no entanto, que a forma como as pessoas preparam e servem as pipocas faz toda a diferença quanto à sua imagem saudável. O cientista explica que as pipocas só se tornam alimentos saudáveis se forem feitas do modo tradicional, numa panela ou pipoqueira na qual os grãos explodem no ar, sem muito óleo, nem sal, nem açúcar. As versões de microondas e as amanteigadas, como as vendidas nos cinemas, não são recomendadas. Vinson afirma ainda que as pipocas não podem substituir frutas e vegetais frescos numa dieta saudável. Frutas e verduras contêm vitaminas e outros nutrientes, que são essenciais para uma boa saúde, mas que não estão presentes nas pipocas mas que são essenciais para uma boa saúde.

Fonte: http://isaude.net

quarta-feira, 21 de março de 2012

FALA O LEITOR: "Síndroma do Comedor Nocturno"

Recebi o seguinte testemunho de uma leitora (cujo nome omito) que, a avaliar pela descrição, sofre de um transtorno alimentar designado por Síndroma do Comedor Nocturno:
"Quando vi o vídeo do seu ultimo post (que o miúdo tinha ataques de raiva por estar privado da comida), fez-se luz e sei que tenho um problema , que não consigo controlar. Levanto-me durante a noite e só faço disparates. Torno-me "burra" e só como doces! Eu já tentei deixar de comer durante a noite. Mas sinto espasmos no corpo, nomeadamente nas pernas. Sim. Já falei com o meu médico, que me receitou comprimidos para dormir. Mas não está a ajudar nada. Nos últimos tempos, para além de ter ganho dois quilos, sinto-me cansada, com falta de concentração, mal humorada, sem paciência...um "caco".

É um vício. Agora pergunto. como é que faço para perder este vício. Já tentei. Fico sem sono, as noites são agitadas , as pernas não param de mexer e sofro espamos musculares. Horrível.

Faço todos os dias a minha corrida, na passadeira, 4 km, seguido de uma aula de
fitness. Deixei de fazer musculação há dois meses e não me sinto bem com estes quilos a mais... A minha zona de conforto é os 55 kg. Durante o dia sou a princesa da boa alimentação. À noite ahhaah!, fico uma bruxa e só faço disparates. Não como muito. Mas o que como é só porcaria. Mel, passado uma hora um copo de leite com dez colheres de chocolate em pó, duas horas mais tarde, um iogurte... A noite toda neste rodopio. Não durmo bem. Claro!

Só para dar o exemplo, numa semana pode haver um ou dois dias em que não como nada durante a noite. Como é que posso tratar este síndroma?Anti-depressivos não quero. Já tomei no passado e não gostei , não me fizeram sentir melhor. Tenho consciência do problema e quero vencê-lo se possível com a sua ajuda."

Respondi-lhe da seguinte maneira: Os ataques nocturnos ao frigorífico são um transtorno alimentar, um problema que tem que ser resolvido porque leva invariavelmente ao aumento de peso. No seu caso o melhor é procurar a ajuda de um especialista em endocrinologia ou fazer uma consulta do sono por uma equipa de especialistas que estudam, diagnosticam e tratam todas as patologias do sono. Poderá não ter que tomar antidepressivos, nem calmantes, mas sim indutores do sono à base de melatonina (uma hormona que está em baixa nas pessoas que têm distúrbio do sono, como é o seu caso). Convido-a a ler este post que escrevi em 2010 pois talvez se reveja nele:

sexta-feira, 16 de março de 2012

A história de duas crianças com obesidade mórbida

Quando li a notícia que postei aqui sobre os factores ambientais que alteram a expressão dos genes determinando a obesidade infantil mesmo antes do nascimento, lembrei-me imediatamente deste vídeo que tinha visto há dias no youtube e que agora partilho. São verdadeiramente impressionantes os casos destas duas crianças assim como o desespero dos pais:

Bastonário da Ordem dos Médicos propõe subida do IVA dos refrigerantes de 23% para 100%

José Manuel Silva, Bastonário da Ordem dos Médicos (OM), que em Setembro propôs taxar "junk food" para aumentar as receitas do Sistema Nacional de Saúde (SNS), reactivou a proposta, num encontro temático da OM sobre "Lixo alimentar e impostos inteligentes", usando a seguinte argumentação: "Diminui a despesa do Estado por duas vias: prevenindo despesas e aumentando receitas." Segundo o médico, "a discussão lançada pela OM contribuiu para a subida do IVA dos refrigerantes, mas ainda não é suficiente face a indicadores como 30 % de sobrepeso infantil ou aumento da incidência da diabetes e dados científicos que concluem que o estilo de vida pode prevenir 80% das doenças cardiovasculares e 90% dos casos de diabetes tipo 2."

Reafirmo mais uma vez o meu acordo com esta medida. Nós, os profissionais de saúde que estamos no terreno a tratar meninos e meninas obesos que nos chegam diariamente à consulta, sabemos bem a gravidade e a dimensão do problema. Em Setembro escrevi o que penso sobre esta matéria num artigo que pode ser lido aqui: http://comerbemateaos100.blogspot.com/2011/09/favor-da-taxa-do-fast-food.html

Fonte: Jornal i

OBESIDADE INFANTIL: Factores ambientais podem determinar doenças mesmo antes do nascimento


De acordo com um estudo realizado nas Universidades de Newcastle e de Bristol, ambas no Reino Unido, pessoas que se tornaram obesas ao longo da vida já apresentavam, desde o nascimento, diferentes marcas no seu código genético. O estudo foi publicado na quarta-feira na revista PLoS One.

Os nossos genes podem provocar mudanças sem que o código genético seja alterado. Isto é  uma mudança epigenética, que é diferente de uma mutação. Factores epigenéticos determinam se os genes funcionarão ou não, e o modo como irão fazê-lo. As mudanças podem ser causadas ao longo da vida por factores ambientais como a poluição ou pelo estilo de vida como exercício físico e tipo de alimentação.

Os autores do estudo concordam com a eixtência de algumas provas de que esses factores alteram a regulação do genoma  mesmo antes do nascimento. Factores como uma dieta pobre da mãe ou tabagismo materno durante a gravidez poderão predispor uma criança à obesidade ou a outros problemas de saúde.

Os investigadores analisaram o cordão umbilical de 179 bebés observando em especial os 24 genes conhecidos por estarem ligados ao peso corporal e concluíram que crianças com obesidade ou sobrepeso aos nove anos de idade apresentaram, ao nascer, diferentes padrões epigenéticos em nove desses genes, quando comparados com crianças de peso normal.

"Isto sugere que o nosso DNA possa ser marcado antes do nascimento e essas marcas poderiam ser indicadores do nosso peso posterior", afirma Caroline Relton, coordenadora do estudo. "Embora tenhamos descoberto uma associação entre esses genes e o peso na infância, precisamos de mais estudos para determinar a influência da expressão dos genes e descobrir se alterar padrões epigenéticos é uma forma de tratar a obesidade".

Fonte: http://Veja.abril.com.br

quarta-feira, 14 de março de 2012

Mulheres com stress comem mais descontroladamente


Mulheres que trabalham até à exaustão são mais propensas a compensar o stress emocional com a alimentação. Ou seja, tendem a comer mais quando estão stressadas, ansiosas ou tristes. Esta é a conclusão de um estudo realizado no Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional, que será publicado na edição de abril do American Journal of Clinical Nutrition. 

O estudo acompanhou o estilo de vida de 230 mulheres entre 30 e 55 anos, com uma actividade profissional.  No início do levantamento, responderam a um questionário sobre OS seus  hábitos alimentares e as suas rotinas de trabalho. De todas as entrevistadas, 22% consideravam exercer atividades exaustivas e stressantes.

A conclusão da análise dos inquéritos foi que as mulheres que trabalhavam exaustivamente tinham maior tendência para a compulsão e o abuso na alimentação.  

“As mulheres com uma vida profissional cansativa são mais vulneráveis a sofrer de problemas de compulsão alimentar, além de serem menos capazes de mudar os seus hábitos”, afirma a coordenadora do estudo, Nina Nevanpera. Segundo a investigadora, a exaustão profissional deve ser considerada na avaliação e tratamento da obesidade.

segunda-feira, 12 de março de 2012

O desafio de alimentar 9-10 mil milhões de pessoas de forma sustentável e equitativa

Resumo da conferência proferida por Charles Godfray, professor da Universidade de Oxford, responsável pelo grupo de peritos escolhidos pelo Governo britânico para pensar as mudanças que a alimentação e a agricultura vão sofrer nas próximas décadas, na sexta-feira passada no Ciclo de Conferências da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa:

"Nesta minha palestra, exploro alguns dos principais problemas que afectarão a segurança alimentar nas próximas quatro décadas, recorrendo substancialmente ao Projecto Foresight do Gabinete de Ciência do governo do Reino Unido, dedicado ao Futuro da Alimentação e da Agricultura, a cujo painel externo presidi.

O recente período de volatilidade de preços alertou-nos para as profundas alterações que se estão a dar no sistema alimentar. Os preços actuais poderão vir a baixar, mas tem-se verificado uma série de alterações no sistema alimentar de que resultarão prováveis aumentos de preços ao longo do século. A população aumentará (embora a um ritmo mais lento) e as populações de todo o mundo terão mais poder de compra e procurarão uma dieta mais rica, que exigirá mais recursos. A população global será cada vez mais urbana, o que irá alterar a forma como se adquirem e comercializam os alimentos (além de ampliar as consequências sociais e políticas dos elevados preços da alimentação). Do lado da oferta, será crescente a competição pelo acesso ao solo, à energia e à água, sendo esta última particularmente preocupante, uma vez que vários dos principais aquíferos estarão esgotados por volta de 2025. A produtividade continuará a aumentar, embora o ritmo deste aumento tenha desacelerado recentemente o que está associado ao escasso investimento em I&D (Investigação e Desenvolvimento) aplicada ao sistema alimentar. Os serviços dos ecossistemas de que depende a produção alimentar têm-se degradado a uma escala que ameaça o abastecimento futuro. Os efeitos das alterações climáticas far-se-ão sentir cada vez mais e, mesmo não sendo todos negativos, os efeitos da maior frequência de eventos extremos bem como os atrasos na adaptação a um ambiente em mudança, terão impacto no sistema alimentar.

A economia política do sistema alimentar também evoluirá, embora de formas muito mais difíceis de prever. A Ronda de Doha sobre o comércio mundial está paralisada, mas até já foi ultrapassada pelos acontecimentos: na esfera agrícola, por assentar num mundo de excedente de oferta dos países ricos, e não na forte procura; e em todas as áreas, por não reflectir os avanços económicos dos BRIC e outros países de rendimentos médios. Sendo abertamente "pró-pobre", a Ronda pouco diz sobre o ambiente. Há um debate crescente sobre quão adaptadas a esse fim estarão as organizações internacionais encarregues da governação do sistema alimentar. O sector privado tem assistido a uma grande consolidação global em todos os sectores, apesar do surgimento de novos actores internacionais nas economias emergentes em anos recentes. Na sequência da maior crise económica global desde a Grande Depressão, é especialmente difícil prever o rumo da globalização nas próximas décadas.

Estes problemas são de tal ordem que para os enfrentar temos que alterar todos os componentes do sistema alimentar. Temos que produzir mais, moderar a procura e melhorar a eficiência e a governação do sistema alimentar. E tudo o que fizermos terá que ser encarado pelo duplo prisma do aumento da sustentabilidade e da melhoria das condições dos mais pobres. Produzir mais significa difundir as melhores práticas actuais e investir em conhecimentos novos, recorrendo em ambos os casos à ciência moderna de alta tecnologia, mas também a áreas mais tradicionais, como a agronomia e a ciência dos solos, que nos últimos anos tem merecido menos atenção. Moderar a procura implica lançar uma discussão pública difícil sobre as dietas e a pegada ambiental relativa de diferentes tipos de alimentos, em particular de diferentes tipos de carne. Temos que reduzir os 30% de comida que é produzida mas não é consumida, tanto nos países com rendimentos elevados como nos com rendimentos baixos (embora por diferentes razões). Temos que conceber a governação do sistema alimentar de modo a que a globalização beneficie a segurança alimentar, o ambiente e os pobres. Temos que nos mentalizar de que a segurança alimentar é fundamental para alcançar todos os objectivos económicos, ambientais e de desenvolvimento da humanidade no século XXI. Falhando na alimentação, falharemos em tudo."

quinta-feira, 8 de março de 2012

Obesidade a par com a fome no mundo

O relatório das Nações Unidas sobre alimentação apresentado, há dias, em Genebra, ma Suíça, equipara, pela primeira vez, a gravidade das consequências da fome/ desnutrição  à obesidade. Cerca de 1300 milhões de pessoas em todo o mundo são obesas e mais de três milhões morrem em consequência disso a cada ano. Por outro lado, cerca de 1000 milhões de pessoas estão subnutridas.

Segundo Olivier de Schutter (na imagem), relator das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, os fast-foods são os vilões da alimentação moderna. Ele afirmou que, actualmente, a maioria dos regimes alimentares está a criar pessoas doentes.  

Para Schutter são cinco as acções prioritárias que trarão de volta os valores nutritivos ao sistema alimentar, quer nos países desenvolvidos, quer nos países em desenvolvimento:
  1. Taxar os alimentos nada saudáveis;
  2. Controlar e regular os alimentos que contêm alto teor de gorduras saturadas, sal e açúcares;
  3. Reduzir a publicidade ao fast food; 
  4. Repensar os subsídios para a agricultura que criam desequilíbrios nos preços dos ingredientes;
  5. Apoiar a produção local para permitir aos consumidores um acesso fácil a alimentos frescos, nutritivos e saudáveis.

terça-feira, 6 de março de 2012

Comer gelado pode ser viciante

Um estudo publicado na edição online do The American Journal of Clinical Nutrition, concluiu que comer gelados pode ser tão viciante quanto consumir algumas substâncias ilícitas.
Segundo Kyle Burger, co-autor do estudo, o alto teor de gordura e de açúcar nos alimentos ajuda a mudar a forma como o cérebro responde e por sua vez, modifica o sistema de recompensa mental, criando uma sensação 'viciante' .

"Este padrão verifica-se também nos consumidores de drogas, onde quanto mais a pessoa usa, menor se torna a recompensa. Esta tolerância aumenta com o uso, ou com o maior consumo, porque o indivíduo tenta alcançar o nível de satisfação anterior", afirma Burger.

"É difícil afirmar que o gelado, por si só, faz as pessoas ficarem viciadas. No entanto, os estudos mostram que as suas características podem proporcionar efeitos semelhantes ao das substâncias viciantes," afirmou Burger. Algumas pessoas podem comer frequentemente gelados ou outros alimentos ricos em gordura e açúcar sem ficar viciadas, mas outras podem desenvolver dependências em relação a alguns desses alimentos.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Ciclo de conferências "O Futuro da Alimentação-Ambiente, Saúde e Economia"

Informação recebida da Fundação Calouste Gulbenkian:

ENQUADRAMENTO GLOBAL DA PRODUÇÃO E CONSUMO DE ALIMENTOS

Sexta, 9 mar 2012

17:30
Aud. 3

Abertura
Presidente: José Lima Santos
Oradores: Charles Godfray: “The Future of Global Food and Farming” e Arlindo Cunha: “A PAC e a globalização“
Comentário: José Lima Santos

Ver programa completo aqui: http://www.gulbenkian.pt/index.php?object=160&article_id=3522&cal=eventos

quinta-feira, 1 de março de 2012

Relatório do CDC aponta para o elevado consumo de açúcar "escondido" nos alimentos pelos jovens americanos

Cerca de 16% das calorias que os jovens americanos, com idades entre 12 e 19 anos, ingerem vêm do açúcar escondido nos alimentos, aponta o relatório do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), órgão de saúde dos Estados Unidos.

Este açúcar está presente em refrigerantes, sorvetes, sumos concentrados, cereais de pequeno-almoço e em outros produtos processados. Os dados, colhidos entre 2005 e 2008, foram divulgados em Fevereiro pelo Centro Nacional para Estatísticas em Saúde (NCHS, na sigla em inglês).

O consumo excessivo deste tipo de açúcar está associado ao aumento do peso médio de adolescentes. A ingestão também está ligada ao aumento dos níveis de colesterol que, a longo prazo, podem ampliar o risco de doenças cardíacas. Neste aspecto, os açúcares presentes naturalmente nos alimentos, como os que encontram no leite e na fruta, não são considerados prejudiciais.

De acordo com o relatório, os meninos consomem uma média de 422 calorias por dia somente desse açúcar - a quantidade equivale a pouco mais de três latas de refrigerante.

O relatório do CDC também indicou que as crianças que menos consomem açúcares adicionados têm entre 2 e 5 anos. Os dados não mudaram significativamente de acordo com a classe social das famílias.

Cerca 60% desses açúcares consumidos pelos jovens vieram dos alimentos, e o restante das bebidas. A maior parte dessa ingestão é feita fora de casa.

Segundo os especialistas responsáveis pelo relatório, é preocupante o facto de a ingestão desse tipo de açúcar não variar muito entre jovens de 6 a 11 anos e adolescentes de 12 a 19 (que precisam de mais calorias do que os mais novos).

Não é demais repetir que é urgente os pais estarem atentos e informados para que possam ajudar reduzir o consumo deste tipo de alimentos cheios de açúcar "escondido" para combater o problema da obesidade infantil e juvenil, que atinge os Estados Unidos e vários países, entre os quais Portugal.

Fonte: