terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Peixe português não tem contaminantes

O peixe da costa portuguesa, nomeadamente a sardinha, o carapau e a cavala, são de consumo seguro, contendo níveis muito inferiores ao permitido de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH), compostos contaminantes conhecidos como sendo cancerígenos. Nas espécies analisadas não foi encontrado qualquer nível de benzo(a)pireno, um dos hidrocarbonetos mais cancerígenos. Este é o resultado de um estudo realizado pela investigadora Maria João Ramalhosa sobre a qualidade do pescado português.

Lembro que estas três espécies analisadas são óptimas para a saúde pelos teores de ácidos gordos omega 3 e de vitamina D.  

Fonte:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=53227&op=all

Consumo de bebidas "Diet" aumenta risco cardiovascular

Alguns estudos têm sugerido que o consumo frequente de refrigerantes diet pode estar associado com a diabetes tipo 2 e com o desenvolvimento da condição conhecida como síndrome metabólica (tensão alta, obesidade abdominal e dislipidémia). Um novo estudo epidemiológico de dez anos que analisou  2564 indivíduos com mais de 40 anos encontrou uma ligação entre o consumo de refrigerantes diet e doença cardiovascular.

A análise foi publicada na versão online do The Journal of General Internal Medicine.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

FACTOS SOBRE EMAGRECER

De acordo com a minha experiência, a Primavera é a melhor época do ano para emagrecer. É nesta altura que as nossas consultas de nutrição têm maior procura e é também por isso que hoje deixo aqui alguns conceitos que certamente interessam a quem pretende perder alguns quilos:
  • Para perder meio quilo de gordura por semana devem ingerir-se menos 500 calorias por dia. Consegue-se facilmente este objectivo se apostar mais na sopa. Coma um bom prato de sopa verde no início das duas principais refeições, o almoço e o jantar. Com esta medida consegue reduzir 250 calorias em cada refeição porque não come tanto do segundo prato que é normalmente o mais calórico.
  • Os hidratos de carbono e as proteínas fornecem cerca de quatro calorias por grama. As gorduras contêm mais do dobro: nove calorias por grama. Numa colher de chá de gordura cabem cerca de cinco gramas. Para conseguir reduzir a quantidade de gordura que consome, opte por modos de confecção mais simples com pouca ou nenhuma gordura, como cozidos ou grelhados.
  • Uma grama de álcool contém sete calorias e é metabolizado de um modo que favorece a acumulação de gordura no fígado, dando lugar à chamada "barriga de cerveja". Opte por beber apenas socialmente. Acompanhe o almoço e o jantar com água que é a bebida "zero calorias" mais saudável.
  • Um adulto gasta cerca de 100 calorias por cada quilómetro e meio que caminha. Para queimar as calorias contidas numa lata de refrigerante é preciso andar cerca de cinco quilómetros. Lembre-se que as bebidas açucaradas são o modo mais rápido de ingerir calorias. É que nem as mastiga!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

FDA Prestes a Aprovar Novo Medicamento para a Obesidade

O FDA (Food and Drug Administration), agência norte-americana que regula os medicamentos e alimentos, poderá aprovar um novo medicamento para combater a obesidade, o primeiro em 13 anos. O remédio, conhecido como Qnexa®, obteve parecer positivo nesta quarta-feira após análise do comitê consultivo do governo, formado por endocrinologistas e especialistas em doenças metabólicas.

Após analisarem novos dados fornecidos pela empresa farmacêutica Vivus Inc., 20 especialistas votaram a favor do medicamento quando questionados a respeito da avaliação risco-benefício. Apenas dois membros do painel se pronunciaram contra a aprovação. Falta agora a decisão final da FDA, que deve sair até ao dia 17 de Abril próximo.

Em 2010, a FDA rejeitou por dez votos contra seis o Qnexa® devido aos riscos apresentados pelo produto. O Qnexa® concentra a combinação de duas drogas: fentermina, utilizada como inibidor de apetite, e topiramato, um medicamento anticonvulsivo que aumenta a sensação de saciedade. O medicamento pode promover entre a perda do peso corporal, num valor entre 6% e 10%,  em pacientes com sobrepeso e obesidade.

O problema apontado pela FDA é que o medicamento pode aumentar o risco de lábio leporino em crianças nascidas de mães que tomaram a pílula durante a gravidez. Na carta de rejeição enviada à empresa há dois anos, a FDA solicitou mais informações sobre os riscos cardiovasculares do medicamento e a possibilidade de malformações nos bebés expostos ao medicamento durante a gestação.

O objetivo da Vivus Inc. é conseguir a aprovação do medicamento, que seria utilizado uma vez por dia em homens e mulheres com índice de massa corporal (IMC) acima de 30 ou em pacientes com sobrepeso (IMC acima de 25) e doenças relacionadas à obesidade, como hipertensão, diabetes ou colesterol elevado. O medicamento não é indicado para a perda de peso meramente estética.

Mas deixo o alerta: seja ou não o Qnexa® aprovado, é melhor não acreditar em emagrecimentos através de  pílulas milagrosas. Para emagrecer é mesmo preciso comer menos e mexer-se mais.

Imagem : cnbc.com

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A diabetes está a aumentar nos jovens

A diabetes está aumentar entre a população mais jovem, tendo nos últimos dez anos duplicado o número de crianças e jovens com esta doença, segundo dados do observatório da diabetes. A doença é mais prevalente nos homens do que nas mulheres e na população com menos instrução.

Em 2010 registaram-se mais de 2.800 casos em jovens até os 19 anos e, no mesmo ano, foram detetados 18 novos casos por cada 100 mil jovens menores de 14 anos, perto do dobro do registado em 2000, revelam os dados do Observatório Nacional da Diabetes.

De acordo com o presidente do observatório, Luis Gardete, apesar de ainda não existir uma explicação para o aumento da incidência desta doença, sabe-se que hoje em dia as pessoas estão mais susceptíveis a estas doenças e que os jovens são particularmente vulneráveis por causa da vacinação. Adicionalmente, a descoberta da insulina veio aumentar a longevidade das pessoas diabéticas, pelo que há uma maior susceptibilidade genética dos seus descendentes, acrescentou.

Quanto à diabetes tipo 2 também está a aumentar em Portugal, mas neste caso devido aos hábitos de vida sedentários e a uma má alimentação, revelou Luis Gardete, especificando que este tipo de diabetes tem aumentado muito na população entre os 20 e os 39 anos, uma faixa etária que está a aumentar de peso e a ficar obesa.

“A hiperalimentação, rica em gorduras e açúcar e o sedentarismo são os principais factores de risco para a diabetes tipo 2 e Portugal está nos lugares cimeiros na Europa em excesso de peso”, afirmou.

Ao todo, o número de novos casos aumentou de 377, em 2000, para 623 novos casos, em 2010, por cada 100 mil indivíduos, sendo que a prevalência da doença neste último ano foi de 12,4% da população com idades entre os 19 e os 79 anos, correspondendo a um total de 991 mil pessoas, embora só tivesse sido diagnosticada em 56% destas.

Os dados do estudo também revelaram que a prevalência desta doença é diferente para os homens e mulheres, em 2010, a prevalência era 14,7 % e 10,2%, respectivamente.

O estudo apurou também que existe uma relação inversa entre o nível de educação e a prevalência da Diabetes na população portuguesa, rondando os 30% entre a população analfabeta e os 6,5% entre os que concluíram o Ensino Superior.

Fonte:

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Afinal, o leite não é só para crianças

Transcrevo o texto, da autoria de Nuno Borges, Nutricionista e professor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, publicado recentemente no suplemento life&style do jornal Público, esclarecedor da velha questão que é a de saber se o leite deve ou não ser tomado por adultos:
"O Homem é, de forma espontânea, o único animal que se alimenta de leite depois do desmame. Esta capacidade é, sob o ponto de vista histórico, bastante recente remontando há menos de dez mil anos atrás. Sendo uma aparente “artificialidade”, este hábito tem suscitado bastante controvérsia no que diz respeito ao valor alimentar e nutricional do leite e seus derivados.

Convirá referir que os indivíduos que possuem a mutação que lhes permite digerir o açúcar do leite (lactose) depois do desmame e durante a idade adulta, retiram dela uma evidente vantagem competitiva relativamente aos outros que não o conseguem consumir (intolerantes à lactose). Um exemplo flagrante é o da tribo Masai, oriunda do Leste Africano. Os Masai, que registam um elevado consumo de leite em natureza ou fermentado, apresentam geralmente níveis de saúde cardiovascular invejáveis e a sua maior estatura e força permitiu-lhes ser a tribo dominante nessa região desde esses tempos.

Calcula-se que apenas 30% da população mundial seja tolerante ao leite, sendo que os restantes 70% possuem algum grau de incapacidade de digestão da lactose, pelo que para estes será mais indicado procurar alimentos alternativos, como o leite de soja.

Para os que não têm este problema, o consumo de leite e seus derivados tem sido amplamente estudado, mas as conclusões nem sempre são claras e têm propiciado aceso debate acerca da mais valia destes produtos na nossa alimentação. A prestigiada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, recomenda que se limite o consumo de leite, iogurte ou queijo a uma ou duas porções por dia, mas um trabalho recente de investigadores dessa mesma instituição revela que o consumo de leite e queijo não está associado a ganho de peso na vida adulta. Muitos dos argumentos contra o consumo de leite apoiam-se no seu elevado teor em gordura saturada, sendo, deste modo, mais prudente utilizar o leite ou iogurtes magros.

A mais recente versão da pirâmide alimentar norte-americana inclui os lacticínios e, tal como a Roda dos Alimentos portuguesa, prevê o consumo de duas a três porções de leite, queijo ou iogurte por dia. A Dieta Mediterrânica, paradigma de um modelo alimentar saudável, consagra também o consumo de queijo em quantidades moderadas. O queijo é, aliás, um alimento que apesar do teor elevado de gordura e por vezes de sal, não parece trazer prejuízos a nível cardiovascular se consumido com regra. Este facto demonstra, uma vez mais, que os alimentos são mais que a mera soma dos seus constituintes individuais, sejam nutrientes ou não.

O consumo de leite fermentado, como o iogurte ou o kefir, é muitas vezes associado a melhores níveis de saúde. São bem conhecidos os relatos históricos da invulgar longevidade de algumas populações do Cáucaso e da sua relação com o consumo de iogurte. A ciência moderna tem sido capaz de provar alguns dos efeitos benéficos destes produtos da fermentação do leite a diversos níveis, sendo que o consumo de iogurte se revelou, por exemplo, estar associado a menores ganhos de peso em adultos.

A saúde óssea é um dos pontos que mais pode beneficiar do consumo de leite e seus derivados. A osteoporose e os problemas que dela resultam, como as fracturas ósseas, constituem um pesado fardo na saúde das populações, especialmente entre os mais idosos. O consumo regular de lacticínios, pelo seu teor elevado de cálcio, ajuda, comprovadamente, a minimizar este problema, embora seja igualmente necessário que haja um aporte adequado de vitamina D.

Para os que podem ingerir lacticínios, evitá-los com base no argumento de que o Homem não está ”preparado” para os ingerir depois do desmame, é um argumento que, no estado actual do conhecimento, não tem validade científica. Ser capaz de integrar na alimentação, com equilíbrio, os muitos alimentos disponíveis, acaba sempre por se revelar como a opção mais razoável."
Imagem
http://www.thinkvedic.com/2009/02/16/why-drink-milk/

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

LEITE DOS AÇORES: O melhor leite... até para emagrecer

Todos sabemos que o leite é um alimento completo, com alto valor nutricional que está ligado à alimentação humana desde o nascimento. Mas o leite não é todo igual. A sua composição varia, entre outros factores, com a raça, período de lactação, época do ano e alimentação dos animais. A gordura do leite, por exemplo, é o constituinte que mais sofre variações em função da alimentação e é também a característica que mais diferencia e valoriza os produtos lácteos. Um leite produzido a partir de animais alimentados à base de pastagens, como acontece nas bonitas ilhas dos Açores, apresenta uma composição de ácidos gordos mais saudável. Este leite apresenta valores de ácido linoleico conjugado (CLA, na sigla em inglês) mais elevados do que aqueles oriundos de animais que se alimentam, essencialmente, de concentrados (rações).

Vários estudos têm demonstrado que o CLA confere vários benefícios para a saúde nomeadamente na prevenção da obesidade, bem como da diabetes tipo 2 e do cancro, melhora a fixação de cálcio nos ossos, diminui a quantidade de LDL-colesterol (o mau colesterol) e aumenta a quantidade do HDL-colesterol (o bom colesterol) diminuindo assim o risco de acidentes vasculares cerebrais e doenças cardíacas.

Como se isto não bastasse, o CLA é capaz de inibir o mecanismo que leva o nosso corpo a acumular gordura e faz com que este use as nossas reservas de gordura como fonte de energia. Quer isto dizer que quando fazemos exercício físico com o objectivo de emagrecer, fica mais fácil a mobilização das gorduras de que nos queremos livrar.

Estes são motivos suficientes para considerar o leite dos Açores, que sabemos provir de animais alimentados em pastagens, o melhor leite, até para emagrecer!

Sítios consultado:
http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc06/quimsoc.pdf
http://repositorio.ipcb.pt/bitstream/10400.11/282/1/REL_SANDRA_OENG.pdf

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

É TEMPO DE EMAGRECER


A propósito de revistas semanais, como a "Sábado" e a "Visão" que costumam publicar artigos de capa sobre alimentação e saúde (é o caso das duas últimas que estão nas bancas), venho lamentar a retirada do mercado da revista "Focus", com a qual colaborei num artigo sobre alimentação e longevidade.  A revista baseava-se no modelo da revista alemã com o mesmo nome, também ela muito atenta a questões de alimentação e saúde.

Ainda antes de encerrar, a "Focus" publicou, depois das festas de Natal (n.º 638/2012), um excelente artigo de capa com o título - "É tempo de emagrecer"  - baseado na revista-mãe alemã, mas com contribuições de jornalistas e e nutricionistas portugueses. Transcrevo um extracto, com declarações de  um nutricionista alemão e de um nutricionista português. Vão ambos na mesma linha ao chamar a atenção para a dificuldade de um programa de emagrecimento e para o enorme esforço de vontade que ele exige. O ideal é ter uma ajuda próxima, um nutricionista e, se possível, um personal trainer. A nutrição e o exercício adequados para emagrecer são questões universais e com respostas também universais, apesar de algumas cambiantes locais:

"85% de todas as tentativas de emagrecer fracassam", diz Hans Hauner, do Centro de Medicina Nutricional da Universidade Técnica de Munique.

Todos os que já tentaram queimar os quilos a mais com exercício conhecem a sensação de estarem perante um tremendo obstáculo. Quem quiser mudar de estilo de vida, precisa de apoio. E quanto mais próximo e pessoal, melhor. Esse é um dos segredos do sucesso, tal como já foi demonstrado por vários estudos.

"Começar uma dieta para emagrecer não é só um desafio para o corpo, é também um exercício psicológico e acima de tudo emocional", explica à Focus o nutricionista Alexandre Fernandes.

MEXA-SE PELA SUA SAÚDE


A revista "Sábado" teve (e ainda se encontra em muitos quiosques) um excelente livro sobre exercício físico, ao preço inacreditável de menos de um euro. Trata-se de uma reedição em formato de bolso (ou quase) de um livro publicado originalmente em 2003 pela Dom Quixote. O título é "mexa-se pela sua saúde", o subtítulo esclarecedor é "Guia prático de actividade física e emagrecimento para todos" e o seu autor é o Doutor J. L. Themudo Barata, médico especialista em Medicina Interna e Medicina Desportiva e doutorado em "Actividade Física na Obesidade". Foi responsável pelo programa PESO- Promoção do Exercício na Obesidade da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, um estudo no qual também participu a Doutora Isabel do Carmo, que escreveu o prefácio (segundo Themudo Barata, na Introdução, ela foi aliás a principal impulsionadora do livro). Themudo Barata é autor de uma omão cheia de livros à volta do mesmo tema: "Nutrição, Exercício e Saúde" (livro mais técnico, com outros, na Lidel), "Mulher 50 + - 10" (com outros, incluindo Isabel do Carmo, na Dom Quixote), "Actividade Física e Medicina Interna" (na  Europress)  e  "Dicionário Médico para todos" (seguinda edição recente na Dom Quixote).

Só posso recomendar o "Mexa-se pela sua saúde". A relação preço / qualidade do livro é imbatível. O leitor poderá aprender o significado de estrangeirismos como jogging, stretching, cardiofitness, etc. Perceberá a diferença entre aeróbio e anaeróbio, etc. O livro esclarece a importância do exercício (indispensável para emagrecer e manter a saúde, como escrevi no meu livro "Emagrecer é", elenca os vários tipos de actividades físicas e de esquemas de treino, esclarece sobre os equipamentos, discute as condicionantes (doenças e o outras), aconselha a respeito dos comportamentos a ter durante a actividade física e, finalmente, aborda as eventuais lesões.

Um livro que dá vontade de calçar as sapatilhas e sair de casa a fazer jogging!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A PAISAGEM E A COZINHA


Começam a aparecer experiências originais sobre turismo e gastronomia: pode-se, como mostra o vídeo da Experience.Nature cooking, visitar uma região, por vezes fora dos circuitos normais, e aprender a cozinha local com os ingredientes locais.

Anticancerígeno fez regredir rapidamente Doença de Alzheimer em ratos

Um estudo recente publicado na revista Science revelou que o bexaroteno, medicamento usado para tratar o cancro, restaurou rapidamente as funções cerebrais de ratos de laboratório que sofriam da doença de Alzheimer . O anticancerígeno fez desaparecer até 75% das placas beta-amiloides (na imagem), placas extracelulares formadas por fragmentos da clivagem incorreta da proteína precursora do amilóide (APP), uma das principais características patológicas do Alzheimer. As proteínas beta-amilóides são insolúveis juntando-se aos poucos, formando as placas. Além disso, o bexaroteno reverteu os sintomas da doença, como a perda de memória.

Apenas 72 horas após o início do tratamento com o bexaroteno, os ratos, geneticamente modificados para desenvolver o equivalente da doença de Alzheimer, começaram a exibir comportamentos normais, explicaram os investigadores. "Os animais também recuperaram a memória e o olfato", afirmou o Dr. Daniel Wesson, professor adjunto de neurociência na faculdade de Medicina Case Western, em Cleveland (Ohio), coautor do estudo. Ele notou que a perda de olfato é um dos sinais de Alzheimer nos humanos.
Este avanço não tem precedentes, uma vez que até agora, o melhor tratamento existente em ratos de laboratório demorava vários meses para eliminar as placas amiloides.

"O nosso próximo objectivo é verificar se o tratamento funciona da mesma maneira em humanos", acrescentou o Dr. Gary Landreth, professor de neurociência na mesma faculdade e principal autor do estudo. "Estamos ainda a dar os primeiros passos para transformar esta descoberta num tratamento", disse.

Esta pesquisa foi baseada na descoberta, em 2008, do Dr. Landreth, de que o principal veículo do colesterol no cérebro, uma proteína chamada apolipoproteína E (ApoE), também facilita a destruição das proteínas beta-amiloides. Um aumento dos níveis dessa proteína no cérebro acelera a "limpeza" das placas amiloides que se acumulam. A doença de Alzheimer desenvolve-se em grande parte quando o organismo, em processo de envelhecimento, perde a capacidade de eliminar a beta-amiloide que se forma naturalmente no cérebro. Aparentemente o bexaroteno reprograma células do cérebro para que elas "devorem" novamente os depósitos amiloides.

O bexaroteno, inicialmente desenvolvido pelo laboratório americano Ligand Pharmaceuticals com o nome de marca Targretin, foi aprovado em 1999 pela FDA, agência americana que regula os medicamentos. Ele trata um linfoma cutâneo raro.

Fonte
http://veja.abril.com.br/
Imagem
http://biobioalzheimer.blogspot.com/

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Crianças chegam a consumir perto de 5 kg de açúcar (escondido) por mês

Ainda a propósito do post anterior: As crianças são as principais vítimas do excesso de açúcar porque a quantidade de açúcar ingerida num "sumo", por exemplo,  tem um efeito mais tóxico no corpo de uma criança do que no de um adulto. Quando vou às escolas falar sobre a alimentação para a saúde, costumo mostrar um slide com a quantidade de açúcar escondido que uma criança pode chegar a ingerir num mês considerando apenas dois alimentos muito do seu agrado: os "sumos", duas vezes por dia  (partindo do princípio de que a criança só o bebe ao almoço e ao jantar), e os cereais de pequeno-almoço, também duas vezes por dia (ao pequeno-almoço e ao lanche):

  • 33cl de Ice-Tea ou Cola fornecem respectivamente 40 a 50 g açúcar : 2 vezes / dia = 80 a 100 g

  • 60g de cereais açucarados tipo chocapic fornecem cerca de 30 g de açúcar: 2 vezes/ dia= 60 g

Somando, obtemos o valor do açúcar que estes dois alimentos fornecem por dia: 100 g + 60 g= 160 g

Multiplicando por trinta dias obtemos a quantidade de açúcar por mês: 160 x 30 = 4800 g 

São quase 5 kg de açúcar. É muito açúcar para o organismo de uma criança!

Lembro que a Organização Mundial de Saúde recomenda que os açúcares simples adicionados aos alimentos não forneçam mais de 10% da energia diária necessária. Embora esta dependa, entre outros factores, da idade, do sexo e da actividade física, em geral os valores-limite variam entre 50 e 75 gramas. O primeiro valor refere-se a crianças e idosos e o segundo a adolescentes e adultos. As mulheres adultas deverão consumir menos de 60 gramas e os homens menos de 70.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

AÇÚCAR: INIMIGO DA SAÚDE PÚBLICA À ESCALA GLOBAL

Um estudo recente publicado na revista Nature por Robert Lustig, Laura Schmidt e Claire Brindis, da Universidade da Califórnia, San Francisco, revela que o excesso de consumo de açúcar é tão perigoso para a saúde quanto o tabaco ou álcool, devendo por isso ser usado com moderação.

Os autores dizem que o açúcar contribui para a obesidade em todo o mundo, sendo responsável por 35 milhões de mortes por ano devido a problemas de saúde relacionadas com ela, tais como doenças cardiovasculares, diabetes e cancro. Estas doenças prevalecem agora no mundo mais do que as doenças infecciosas. Nos Estados Unidos, 75% dos dinheiros gastos na saúde estão relacionados com a obesidade e problemas a ela associados.

Os investigadores alertam para o facto de o açúcar  ter a capacidade de aumentar a pressão sanguínea, alterar o metabolismo e os sinais hormonais e causar danos no fígado, danos estes muito semelhantes aos causados pelo consumo de álcool em excesso.

A ingestão de açúcar nos últimos 50 anos triplicou (ver figura), sendo ela hoje considerada a primeira causa do problema da obesidade que continua a aumentar à escala planetária. Mas o açúcar não faz apenas as pessoas engordarem: ele causa doenças sem haver necessariamente aumento de peso. Lustig, Schmidt e Brindis alertam para o facto de 40 por cento das pessoas com diabetes, doenças cardíacas e cancros não serem obesas.

A imagem que escolhi para ilustrar este post chama a  atenção para o facto de que refrigerantes como a coca-cola, ice-tea, fanta, etc., contêm uma grande quantidade de açúcar escondido. Como costumo dizer nas minhas consultas, eles são o modo mais rápido de ingerir açúcar e calorias. E a indústria abusa na quantidade de açúcar para os tornar viciantes. Pense nisto antes de levar bebidas desse tipo para casa!

Referência:
. Robert H. Lustig, Laura A. Schmidt, Claire D. Brindis. Public health: The toxic truth about sugar. Nature, 2012; 482 (7383): 27 DOI: 10.1038/482027a

Fonte:

http://www.sciencedaily.com/releases/2012/02/120201135312.htm

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pressão Arterial deve ser medida nos dois braços

Uma revisão de 28 estudos publicada na versão online da revista The Lancet recomenda que os médicos passem a medir a pressão arterial nos dois braços do paciente. Isto justifica-se porque medidas diferentes de pressão entre os braços direito e esquerdo podem indicar um risco aumentado de doença vascular periférica.

A revisão dos estudos, conduzida pelo médico Christopher Clark, da Universidade Exeter na Grã-Bretanha, mostrou que uma diferença de pressão sistólica acima de 15 milímetros de mercúrio (mmHg) entre os dois braços está associada ao maior risco de ter uma das artérias parcialmente obstruída. Seria o caso, por exemplo, de um paciente com a pressão arterial de 120 mmHg por 80 mmHg num dos braços e de 140 mmHg por 80 mmHg no outro. A diferença entre 140 e 120 é 20. Segundo o estudo, com essa diferença, o paciente deveria ser encaminhado para exames mais específicos.

Fonte: