terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cacau protege contra o cancro do cólon

Sempre que há notícias dos benefícios do chocolate para a saúde elas vêm parar aqui ao "Comer Bem até aos 100". Em primeiro lugar porque gosto de chocolate e em segundo lugar porque sei que não estou sozinha. Mas eu controlo-me: como SÓ um quadradinho por dia. Mas vamos à notícia:

Comer cacau pode ajudar a prevenir problemas intestinais graves, como o cancro do cólon. Segundo um estudo publicado no Molecular Nutrition & Food Research, o cacau, principal ingrediente do chocolate, tem substâncias eficazes para proteger o intestino contra o stress oxidativo (sobrecarga de substâncias que causam prejuízos à estrutura de componentes celulares) e contra a proliferação de células cancerígenas.

Coordenado por cientistas do Instituto de Ciência, Tecnologia e Nutrição Alimentar (ICTAN na sigla em inglês) em  Espanha, o estudo reconheceu o cacau como uma excelente fonte de flavonóides, incluindo procianidinas, catequinas e epicatequinas, que podem ajudar a prevenir doenças cardíacas e cancro (principalmente o colorretal). As catequinas e epicatequinas também são encontradas no chá.

“Por estar exposta a diferentes toxinas, a mucosa intestinal é muito suscetível a desenvolver algumas doenças”, diz María Ángeles Martín Arribas, coordenadora do estudo. O estudo, realizado com ratinhos, confirmou pela primeira vez o potencial efeito protetor que os flavonóides do cacau têm em relação ao cancro do cólon. Durante oito semanas os ratinhos foram alimentados com uma dieta enriquecida em cacau (12%), além de induzirem a carcinogénese (processo de formação do cancro). De acordo com a coordenadora María Ángeles, quatro semanas após a administração do composto químico azoximetano para a indução da carcinogénese, apareceu muco intestinal de lesões pré-malignas neoplásicas. “Essas lesões são chamadas de ‘focos de criptas aberrantes’ e são consideradas como bons marcadores para o cancro do cólon”, disse.

Os resultados do estudo mostram que os ratos alimentados com cacau tinham um número significativamente menor de criptas no cólon induzidas pela carcinogénese. Tinham ainda uma melhoria nas suas defesas antioxidantes e uma redução nos danos oxidativos nas células.

A conclusão dos cientistas é que o efeito protetor do cacau consiste em parar as vias de sinalização das células responsáveis pela proliferação celular e, assim, evitar a formação de tumores. Embora sejam necessários mais estudos  para descobrir qual é o composto do fruto responsável por tais efeitos, os autores consideram que uma dieta rica em cacau aparenta reduzir o stress oxidativo e os riscos de cancro do cólon.

Fonte
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A OBESIDADE PODE CAUSAR DOR?

Um novo estudo realizado na Universidade de Stony Brook, Estados Unidos, mostrou que pessoas obesas ou com sobrepeso sentem mais dores do que que as pessoas com peso baixo ou normal. A pesquisa, publicada recentemente na versão online da revista médica Obesity, analisou dados de mais de um milhão de americanos com base em entrevistas feitas por telefone entre 2008 e 2010. Os participantes responderam a perguntas sobre o peso e a altura, a partir dos quais foi calculado o índice d emassa corporal (IMC), sobre condições de dor no ano anterior sobre a experiência de dor no dia anterior. Apenas 19,2% da amostra foi classificada como de baixo peso ou peso normal, 21,4% foi classificada como de sobrepeso, e a restante parte da amostra foi classificada nas três categorias de obesos de acordo com os parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Obesos grau I são aqueles com IMC de 30 a 34,99 kg/m^2; de grau II de 35 a 39,99, e de grau III os que apresentam um IMC maior do que 40.

Resultados:
Na comparação com indivíduos com peso baixo ou normal, pessoas com sobrepeso ou obesidade mostraram sentir 20% mais dores. Esse número aumentou quando foram comparadas pessoas de peso baixo ou normal somente com obesos. Pessoas com obesidade grau I sentiam 68% mais dores; de grau II, 136%; e de grau III, 254%.

Os pesquisadores observaram que as maiores dores foram sentidas por pessoas com doenças que provocam dor corporal. No entanto, mesmo após essas doenças terem sido controladas, os indivíduos mais pesados continuavam a sentir dores. "Esta descoberta sugere que, além da presença de doenças dolorosas, a obesidade por si só pode causar dor", diz Joan E. Broderick, umas das autoras do estudo.

Outra conclusão é que as dores sentidas por pessoas obesas ou com sobrepeso aumentam à medida que elas ficam mais velhas. Os autores explicam que a relação entre dor e obesidade pode ser devido ao facto de a gordura corporal desencadear processos fisiológicos que geram inflamação e dor. Outras condições médicas que causam dor, como artrite, fazem com que o indivíduo pratique menos exercício e, consequentemente, ganhe mais peso.

Os autores reforçam a importância de mais investigações sobre as causas metabólicas da dor, bem como a necessidade de estudos mais profundos sobre a obesidade.

Referência
Stone,A.A., Broderick, J.E. Obesity and Pain Are Associated in the United States. Obesity (19 January 2012) doi:10.1038/oby.2011.397

Fonte
http://www.nature.com/oby/journal/vaop/ncurrent/full/oby2011397a.html

Imagem
http://www.scientificamerican.com

Mais de metade dos consumidores em todo o mundo tem excesso de peso

Um estudo realizado pela Nielsen, empresa que faz a análise dos hábitos dos consumidores a nível mundial, apurou que mais de metade dos consumidores em todo o mundo considera ter excesso de peso e apresenta dificuldades em compreender a informação nutricional das embalagens dos alimentos.
O estudo que contou com a participação de 25 mil utilizadores da Internet de 56 países verificou, contudo, que mais de 60% dos portugueses que responderam ao inquérito online afirmaram compreender a informação nutricional dos rótulos, sendo este o país que registou a mais elevada pontuação.

Ler a notícia completa aqui.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Depressa se vai mais longe

Artigo meu saído hoje no suplemento sobre exercício físico do Diário de Coimbra:




Já se sabe há muito tempo que o exercício físico é essencial para a saúde. O famoso epidemiologista britânico Jeremiah Morris demonstrou, há mais de 50 anos, que o exercício fazia bem. Num seu célebre estudo publicado na revista médica The Lancet revelou que os condutores dos autocarros de Londres, que passavam os dias sentados ao volante, morriam mais novos do que os seus colegas cobradores, que não paravam de subir e descer as escadas dos veículos de dois andares. Mais tarde, Morris observou o mesmo fenómeno com funcionários dos correios, chegando a semelhante conclusão: os carteiros ingleses que entregavam o correio a pé ou de bicicleta estavam mais protegidos contra doenças cardíacas do que os seus colegas que se limitavam a trabalhar ao balcão. O investigador encontrou assim uma grande verdade sobre a saúde: a prática regular do exercício físico ajuda a viver mais tempo.

Os estudos mais recentes vão na linha desses trabalhos pioneiros. Um estudo que acaba de ser publicado na prestigiada revista Nature mostra, de novo, que o exercício tem inegáveis efeitos benéficos sobre a saúde, incluindo a protecção contra terríveis doenças metabólicas como a diabetes que cada vez atingem mais pessoas. A equipa de investigadores, liderada pela Doutora Beth Levine, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, descobriu, com a ajuda de experiências em ratinhos, que o exercício físico induz as células a reciclar componentes envelhecidos. Nesse processo, conhecido como autofagia, as células alimentam-se deste material. Já se sabia que dietas extremas, isto é, dietas com privação severa de alimentos, conduziam a autofagia. Ficou-se agora a saber que o exercício físico, que é muito menos penoso do que passar fome, produz o mesmo resultado. Pode-se, portanto, prolongar uma vida saudável por mais alguns anos não abdicando de uma alimentação normal desde que se tenha o cuidado de efectuar exercício regular desejavelmente com alguma intensidade.

Com os avanços da ciência médica, é cada vez mais claro que o exercício físico ajuda a prevenir doenças várias que constituem hoje um flagelo da humanidade como, além da diabetes, as doenças cardiovasculares, vários tipos de cancro e depressão. Apesar disso, poucos de nós temos o cuidado, na nossa vida diária, de dedicar algum tempo á prática de uma actividade física minimamente vigorosa. Deixamos a preguiça falar mais alto! Porém, nunca é tarde para começar. A canadiana Olga Kotelko, de 92 anos, iniciou o treino de atletismo aos 77 anos, encontrando-se hoje em grande forma física para a idade que tem. A andar e a correr todos os dias quer viver mais anos. O seu exemplo devia ser inspirador para todos nós.

Se queremos viver mais, temos, tal como a senhora Kotelko, que nos mexer mais. Não é preciso uma pista de atletismo. Uma caminhada todos os dias, ou mesmo uma corrida (o chamado “jogging”), ainda que curtas, na cidade ou no campo, são um bom seguro de saúde, em alternativa ao estádio ou ao ginásio. É barato e está ao nosso alcance. "A actividade física pode ser o melhor investimento de hoje na saúde pública do ocidente", escreveu Jeremiah Morris num artigo publicado em 1994 que hoje mantém perfeita actualidade. Morris morreu no ano de 2009, com a bonita idade de 99 anos.

Cientista portuguesa identificou as dosagens benéficas de antioxidantes presentes na dieta mediterrânica para prevenção de cancros

Uma equipa internacional de investigadores, liderada por uma cientista portuguesa, identificou as dosagens benéficas de alguns compostos antioxidantes presentes na dieta mediterrânica que podem ajudar na prevenção contra o cancro da mama e da pele.
Os compostos antioxidantes estudados estão presentes em produtos como o azeite, vinho tinto, frutos frescos, legumes e cereais, entre outros, revelou à agência Lusa, Maria Paula Marques, da Universidade de Coimbra (UC).

A associação direta entre o consumo da dieta mediterrânica e uma menor incidência de vários tipos de cancro e de doenças cardiovasculares era já conhecida. Contudo, ainda não eram conhecidos os compostos com maior capacidade de eliminação de radicais livres nocivos.

Uma das conclusões importantes a que os investigadores chegaram é que as dosagens desses antioxidantes são determinantes na luta contra os agentes capazes de provocar doenças.  Contudo, a partir de certa concentração podem ser nocivos.

Os compostos antioxidantes consumidos em doses elevadas “podem ser pró-oxidantes, nocivos”, revela a investigadora, alertando para a existência no mercado de vários “aditivos alimentares, de venda livre, e de produtos alimentares enriquecidos, que raramente contêm a indicação da dosagem daqueles compostos”.

“As cápsulas destes compostos contêm dosagens mais elevadas do que as existentes nos  alimentos da dieta mediterrânica e se forem tomadas sem qualquer conselho médico podem ter consequências desastrosas para a saúde”, acrescentou.

Depois de determinarem as dosagens benéficas e as danosas, que podem diferir de composto para composto, os investigadores alertam para a “urgência em serem criadas normas reguladoras da utilização de aditivos alimentares, tal como acontece com para os medicamentos”.

Fonte:
ALERT Life Sciences Computing, S.A

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Dormir pouco aumenta o apetite

Noites mal dormidas podem ser factor de risco de sobrepeso e obesidade. Esta é a conclusão de um estudo realizado na Universidade de Uppsala, na Suécia em colaboração com cientistas de outras universidades europeias e publicado no The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. Christian Benedict e Helgi Schiöth, investigadores no Departamento de Neurociências daquela universidade, mostraram que uma área do cérebro responsável pela sensação de apetite é ativada com mais intensidade após uma noite de insónia. Os mesmo investigadores já tinham anteriormente mostrado, num estudo publicado no The American Journal of Clinical Nutrition, que a perda de uma única noite de sono, por homens jovens com um peso considerado normal, era o suficiente para inibir o gasto energético na manhã seguinte. O estudo também verificou que estes indivíduos apresentavam níveis aumentados de fome.

Neste novo estudo foram analisadas que regiões do cérebro, envolvidas na sensação de apetite, são afetadas pela perda de sono. Para isso os cientistas realizaram ressonâncias magnéticas em 12 homens com peso normal, enquanto estes visualizavam imagens de alimentos, após uma noite normal de sono. Posteriormente, foram comparados estes resultados com os obtidos após uma noite sem dormir.

Christian Benedict revelou, em comunicado de imprensa, que “após uma noite sem dormir, os homens apresentaram níveis altos de ativação numa área do cérebro que está envolvida no desejo de comer. Tendo em conta que a falta de sono é um problema crescente da sociedade moderna, os nossos resultados podem explicar porque é que os hábitos inadequados de sono afetam o risco de ganho de peso a longo prazo. Assim, poderá ser importante dormir cerca de oito horas diárias para manter um peso estável e saudável”.

Fonte:
Veja.abril.com.br

sábado, 21 de janeiro de 2012

Baixos níveis de vitamina D estão associados à depressão


Um novo estudo ajuda a esclarecer resultados contraditórios sobre a relação entre a vitamina e a condição psicológica. Psiquiatras do UT Southwestern Medical Center que trabalham junto com o Cooper Center Longitudinal Study, nos Estados Unidos, apontam para que baixos níveis de vitamina D estejam associados à depressão.

No presente estudo, publicado na Mayo Clinic Proceedings, os investigadores descobriram que baixos níveis de vitamina D estão associados a sintomas depressivos, principalmente em pessoas com história de depressão. Estes achados sugerem que os pacientes dos cuidados de saúde primários com um histórico de depressão podem ser alvo importante para a avaliação dos níveis de vitamina DO estudo não relatou se o aumento dos níveis de vitamina D reduziu os sintomas depressivos, pelo que Sherwood Brown, professor de Psiquiatria e autor sénior do estudo, afirmou que "as nossas descobertas sugerem que a triagem para os níveis de vitamina D nos pacientes deprimidos (e talvez de triagem para depressão nas pessoas com níveis baixos de vitamina D) podem ser úteis. Mas ainda não temos informações suficientes para recomendar suplementos".
Falta ainda perceber se o nível baixo de vitamina D contribui para os sintomas de depressão ou se a depressão em si contribui para diminuir os níveis de vitamina D, ou o modo como isso acontece quimicamente. Mas a vitamina D pode afetar os neurotransmissores, os marcadores inflamatórios e outros fatores, o que ajuda a explicar a relação com a depressão, disse Brown, que lidera o programa de pesquisa psiconeuroendócrina da UT Southwestern.
Os níveis de vitamina D são agora comumente testados durante a rotina de exames físicos, sendo já são aceites como fatores de risco para uma série de outros problemas médicos: doenças auto-imunes, doenças cardíacas e vasculares, doenças infecciosas, osteoporose, obesidade, diabetes, determinados tipos de cancro e distúrbios neurológicos, como o Alzheimer, o Parkinson, a esclerose múltipla e o declínio cognitivo geral.
Fonte
http://www.isaude.net


Brevemente um post sobre as necessidades diárias de vitamina D. Não perca!

Cientista indiano acusado de falsificar dados sobre o resveratrol

O resveratrol, polifenol presente nas uvas e no vinho tinto, tem sido apontado como um dos antioxidantes mais promissores na prevenção do cancro, problemas cardiovasculares e aumento da longevidade. Alguns destes resultados optimistas foram, na semana passada, postos em causa pela Universidade de Connecticut. Esta tornou público que um seu cientista, Dipak K. Das, conhecido pelo seu trabalho com o resveratrol, foi acusado numa investigação interna por 145 situações de fabricação e falsificação de dados.

David Sinclair, professor de patologia da Universidade de Harvard, conhecido pela sua descoberta de que o resveratrol parece prolongar a vida de ratos e moscas da fruta, afirmou que nunca tinha ouvido falar de Das e que nunca trabalhou com ele. Sinclair disse ainda que nunca viu nenhum trabalho de Das publicado em nenhum dos principais jornais de biologia molecular.

Dipak Das foi o responsável pelo Centro de Investigação em Doenças Cardiovasculares da referida universidade. O processo contra ele teve início em 2008 após uma denúncia anónima e levou a instituição a concluir, num relatório de 60 mil páginas, que Das, além de ter manipulado dados, teria ligações a pelo menos uma empresa de concentrados de resveratrol, a Longevinex. Das negou as acusações, alegando que o caso resulta do preconceito da universidade contra investigadores indianos.


Fonte
http://www.ionline.pt/

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Exercício físico induz "reciclagem" nas células protegendo da diabetes e do cancro

Investigadores do Howard Hughes Medical Institute, nos Estados Unidos, descobriram como o exercício físico induz as células a quebrar proteínas indesejadas para produzir mais energia, impedindo distúrbios metabólicos como a diabetes e protegendo contra outras doenças.
Nesse processo, conhecido como autofagia, a célula elimina organitos "velhos" e alimenta-se deste material que expele. É um processo de "reciclagem" das células, que permite que elas se adaptem às mudanças quando aumentam as necessidades energéticas e nutricionais do corpo, como acontece quando se está a praticar exercício físico.
Essa "reciclagem" previne o desenvolvimento da resistência à insulina, que tem como principal consequência a diabetes tipo 2. Noutros estudos já se mostrou também que o processo retarda o envelhecimento e protege contra alguns tipos de cancro.
Ver notícia completa aqui. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O NEGÓCIO MILIONÁRIO DAS VITAMINAS DESNECESSÁRIAS




O último número da revista alemã Der Spiegel traz um artigo de fundo sobre o negócio milionário das vitaminas desnecessárias. 

Que vitaminas escolhe?



estas? 
  ...ou estas?

Conclusões surpreendentes do estudo do genoma de dois supercentenários

Os supercentenários, pessoas que vivem mais de 110 anos, são muito raros: ocorrem a uma taxa de um por cada cinco milhões de pessoas, nos países desenvolvidos. Estes indivíduos apresentam os mesmos genes associados à doença que a população em geral, mas também têm genes que os ajudam a viver durante mais tempo. Estas são as conclusões de um estudo liderado por  Paola Sebastiani da Boston University Schools of Public Health, nos Estados Unidos.

Neste estudo, os investigadores analisaram a sequência total do genoma de um homem e de uma mulher, que tinham vivido mais de 114 anos. A arquitetura geral do genoma dos dois participantes era comparável à de outros genomas previamente sequenciados, em taxa de novas variantes, variantes funcionais e variantes associadas à predisposição para o desenvolvimento de cancro e de doenças associadas à idade. Apesar dos participantes apresentarem os mesmos genes ligados à doença que a população em geral, a sua longevidade sugere que existem outros mecanismos protetores.

Os investigadores verificaram que, por exemplo, o homem estudado tinha 37 mutações genéticas associadas ao risco de desenvolvimento de cancro do cólon. "Na verdade, no início da sua vida, ele tinha desenvolvido cancro de cólon que foi curado com uma cirurgia, por não ter metastizado. Perto da hora da sua morte, a sua função cognitiva e a sua forma física eram espantosas”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Thomas Perls.

A centenária também apresentava variações genéticas associadas à idade, incluindo um maior risco de desenvolvimento de Alzheimer, cancro e doenças cardiovasculares. A mulher desenvolveu insuficiência cardíaca congestiva e leve comprometimento da função cognitiva. Contudo, estas doenças só se manifestaram depois dos 108 anos.

Thomas Perls acredita que “possivelmente os centenários têm variantes associadas à longevidade que anulam o efeito dos genes associadas às doenças. Este efeito pode ir até ao ponto de impedir a ocorrência da doença,  atenuar a severidade e atrasar o início do desenvolvimento da doença”.


Fonte:
ALERT Life Sciences Computing, S.A.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Química das coisas boas: castanhas assadas

Do blog De Rerum Natura transcrevo o interessante post do químico Sérgio Rodrigues:

O odor das castanhas assadas e o fumo que sai dos assadores nas ruas não deixa ninguém indiferente. No entanto, só há relativamente pouco tempo alguém se lembrou de analisar o cheiro das castanhas assadas.1

As castanhas são um fruto muito rico em hidratos de carbono, especialmente amido e sacarose, tendo, comparativamente, poucas proteínas e gorduras. Nestas últimas são significativas as quantidades dos ácidos linoleico e alfa-linolénico, os quais contribuem para a prevenção de doenças cardiovasculares. São também relevantes as quantidades dos aminoácidos livres, asparagina, e ácidos glutâmico e aspártico e, ainda, do ácido gama-aminobutírico, um neurotransmissor importante.2

No processo de assar as castanhas, o aquecimento acelera as reacções de Maillard entre aminoácidos e açúcares, além de desidratar e polimerizar ligeiramente estes últimos, originando a cor amarela dourada tão agradável à vista e o sabor delicioso. O calor provoca também a formação e libertação de compostos voláteis de odor característico. Embora não seja possível atribuir o cheiro das castanhas assadas a um composto ou grupo de compostos em particular,1 o odor é inconfundível.

A análise química1 revela que para o cheiro das castanhas assadas contribuem os compostos: gama-butirolactona, gama-terpineno, furfural, hexanal, benzaldeído e 4-metil-2-pentanona, entre outros em menor quantidade. Uma mistura muito complexa que é um prazer reencontrar todos anos em cada magusto.

1 Volatile compound analysis of SPME headspace and extract samples from roasted Italian chestnuts (Castanea sativa Mill.) using GC-MS, Krist S, Unterweger H, Bandion F, Buchbauer G, Eur Food Res Tech, 219 (2004) 470-473.

2 Uma revisão da composição nutricional e vantagens para a saúde das castanhas pode ser encontrada na referência: Composition of European chestnut (Castanea sativa Mill.) and association with health effects: fresh and processed products. De Vasconcelos MC, Bennett RN, Rosa EA, Ferreira-Cardoso JV, J Sci Food Agric. 90 (2010) 1578-89.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Consumo de refrigerantes faz acumular gordura no fígado

Os efeitos negativos do consumo de refrigerantes comuns, com açúcar, vão além do ganho de peso e de gordura. Um estudo feito no Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca, concluiu que quem consome pelo menos um litro desse tipo de bebida todos os dias acumula maior quantidade de gordura em lugares perigosos, como no fígado, nos músculos e em órgãos localizados no abdómen. Consequentemente, corre maior risco de desenvolver diabetes e doenças cardíacas. O estudo foi publicado no The American Journal of Clinical Nutrition.

Os investigadores acompanharam 47 pessoas que beberam todos os dias, durante seis meses, um litro da bebida à sua escolha: água, leite, refrigerante normal ou refrigerante diet. Todos os participantes escolhidos eram obesos ou tinham sobrepeso, porque, segundo os investigadores, pessoas com esse perfil são mais sensíveis a mudanças na dieta.

Após os seis meses, os participantes que consumiram refrigerante normal foram os que mais acumularam gordura. Tinham 25% mais de gordura em torno dos órgãos e cerca de duas vezes mais gordura acumulada no fígado e nos músculos do que no início do estudo.

Estes resultados são preocupantes sabendo nós o modo como está generalizado o consumo de "sumos" nas famílias. Considero a recente subida do IVA para este tipo de bebidas uma verdadeira medida de saúde pública.

Fonte:
veja.abril.com.br

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Como funciona a grelina, a hormona do apetite

Em 1999 um grupo de cientistas japoneses, Prof. Kojima e colaboradores, descobriu uma hormona produzida no estômago - a grelina - que parece ter a ver com a regulação do apetite. Esta descoberta poderá ser a ponta do novelo que nos levará a compreender os mecanismos da obesidade. 

A grelina é uma hormona produzida no estômago que envia sinais ao cérebro provocando a sensação de fome. A sua produção aumenta quando se aproxima a hora da refeição ou simplesmente pela visão ou odor da comida. Enquanto comemos outros mecanismos contribuem para diminuir gradualmente o apetite, fazendo chegar ao cérebro a informação de que estamos a ficar cheios. A primeira fase deste processo ocorre no estômago e no intestino delgado, que começam a distender-se ao mesmo tempo que enviam impulsos nervosos ao cérebro induzindo a sensação de saciedade. Produzem-se então hormonas a nível intestinal que são também enviadas ao cérebro aumentando a sensação de satisfação. Estes mecanismos fazem-nos compreender a importância de comer devagar.

A secreção da grelina diminui à medida que nos alimentamos. Mas, quando o estômago fica vazio, inicia novamente a sua produção regressando o apetite. Estudos envolvendo libertação da grelina em humanos mostram ainda que os tipos de nutrientes contidos na refeição, e não o seu volume, são os responsáveis pelo aumento ou decréscimo pós-refeição dos níveis de grelina no plasma. Estas observações sugerem que a contribuição da grelina na regulação pós-prandial da alimentação pode diferir com o macronutriente predominante no alimento ingerido. Por exemplo, a sua concentração no plasma diminui após refeições ricas em hidratos de carbono e aumenta após refeições ricas em proteínas animais e gorduras.

Ao contrário do que seria de esperar, os obesos têm menos grelina que as pessoas com peso ideal. Por um lado, os obesos têm maior sensibilidade a essa hormona e, por outro, possuem um mecanismo que reduz a sua produção quando ganham peso. Além disso, os magros segregam grandes quantidades de grelina enquanto dormem, ao contrário dos obesos.

Com esta descoberta deu-se mais um passo para compreender o aumento desenfreado de massa gorda num superobeso. 

Sitios consultados:
pt.wikipédia.org
scielo.br

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

NÃO TROQUE FRUTA POR SUMO

A maior empresa de dietas do mundo, Weight Watchers ou Vigilantes do Peso (em português) trocou o sistema de pontos baseado em calorias por mais nutrição. Por exemplo, uma laranja e meio copo de sumo (que corresponde a uma laranja) não são equivalentes, apesar de conterem a mesma quantidade de calorias (cerca de 40) e a mesma quantidade de açúcar. A diferença está nas fibras. Uma laranja tem um conteúdo em fibras muito superior e isto faz toda a diferença quer no modo como o açúcar da fruta é assimilado (muito mais lentamente), quer na sensação de saciedade que proporciona. Por outro lado, a digestão de uma laranja é mais lenta gastando mais energia ao organismo, energia essa que, se não for utilizada, será armazenada no corpo sob a forma de gordura.

Lembro que beber sumo, seja de que tipo for, é a forma mais rápida de ingerir açúcar e calorias, pelo que desaconselho vivamente a quem desejar emagrecer. Sou também, há muito, favorável ao consumo de fruta. De preferência e sempre que possível com casca. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Beba chá vermelho para depurar o organismo dos excessos do Natal

Depois dos excessos das festas o Instituto Italiano per la Ricerca degli Alimenti e la Nutrizione (INRAN) recomenda beber chá vermelho feito a partir da planta Rooibos que cresce somente na África do Sul
Embora seja chamado de "chá", na realidade não é sequer parente do autêntico chá feito a partir da planta Camellia sinensis, que pertence à família das Theaceae. As folhas de Rooibos não contêm cafeína, pelo que a infusão não tem propriedades excitantes como acontece com o chá clássico. É particularmente rico em polifenóis, flavonóides, vitamina C e minerais. Contém ainda  luteolina, um composto que exerce o efeito de "captador" dos radicais livres que danificam as células. O chá vermelho tem também leves propriedades sedativas, digestivas, antiespasmódicas e imunoestimulantes. Auxilia, portanto, a digestão e desintoxica o que é particularmente importante após a época das festas natalícias em que todos cometemos excessos alimentares.

Mauro Serafini, investigador do INRAN explica que "o baixo valor calórico de Rooibos, a ausência de cafeína e as suas propriedades organolépticas únicas, ajudam a reduzir o stresse induzido pelas refeições, ajudando a depurar o organismo dos excessos do Natal."

A infusão tem um sabor delicado, levemente doce e cítrico. Tem pouquíssimo tanino, não sendo, por isso, amargo. Uma bebida óptima para ser degustada durante todo o dia, fria ou quente. Experimente!

Fonte:

domingo, 1 de janeiro de 2012

Comer devagar emagrece

A velocidade com que ingerimos os alimentos tem influência no peso corporal e comer devagar tem resultados equiparáveis aos de uma cirurgia bariátrica, revela um estudo realizado por uma investigadora portuguesa que ganhou um prémio internacional.

Ler notícia do Público aqui.