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COMER BEM E BARATO

Artigo meu publicado hoje no "Guia Gastronómico 2011 - 2012" distribuido com o jornal Diário de Coimbra:

A 16 de Outubro comemora-se o Dia Mundial da Alimentação. Neste ano o dia é dedicado ao tema Preços da Alimentação - Da Crise à Estabilidade, tema que vem muito a propósito nos tempos em que vivemos. A crise económica tem levado muitas famílias a cortar nas despesas com alimentação. Este facto que, à primeira vista, constitui um grave problema, pois comer é uma das mais básicas necessidades humanas, pode ser aproveitado de forma inteligente para dar uma volta nos maus hábitos alimentares em nossas casas.
Como nutricionista, deixo um conjunto de regras para poupar na alimentação, sem nunca perder de vista as necessidades de nutrientes essenciais à saúde de todos os membros da família:

- Tome o pequeno-almoço em casa com alimentos tradicionais: leite e pão. Parta o pão aos bocadinhos e coloque-os na sua taça de leite, como nas tradicionais "sopinhas de leite". Esqueça os cereais de pequeno-almoço, que são mais caros e não são saudáveis.

- Leve sempre fruta para o trabalho para comer a meio da manhã ou da tarde e faça os seus filhos levarem também os lanches da manhã e da tarde. Comer no bar da escola fica mais caro e, além disso, encontram-se aí alimentos pouco ou nada recomendáveis

- O almoço e o jantar devem ser iniciados com um prato de sopa de legumes, um alimento muito barato, com poucas calorias, mas que é nutricionalmente inigualável.

- Dispense de vez em quando a carne e o peixe substituindo-os por leguminosas: feijão, grão, lentilhas, ervilhas, favas e soja. Estes alimentos contêm proteínas com um perfil de aminoácidos interessante sendo por isso bons substitutos da carne e do peixe.

- Opte pela confecção de pratos, com menos carne e peixe, como empadões, feijoadas, jardineiras, caldeiradas e arroz ou massada de peixe.

- Use os ovos nas suas refeições duas a três vezes por semana. Não tenha medo do colesterol. Está provado que as gorduras hidrogenadas e outras gorduras saturadas presentes nos mais variados produtos (bolachas, bolos, cereais de pequeno-almoço, molhos, refeições prontas, etc.) é que fazem subir o LDL-colesterol (o mau).

- As frutas e legumes de origem nacional têm boa qualidade e são normalmente mais baratas. Pessoalmente privilegio o que é nosso.

- Os sumos podem ser substituídos por água da torneira. Na conta da água que pagamos está incluído o necessário tratamento e desinfecção. Para quê pagar água engarrafada?

- Por último, recomendo que planeie as suas refeições caseiras preparando um menu semanal. Poupará muito dinheiro porque só vai comprar o que realmente precisa.

A alimentação para a saúde deve ser feita com base em alimentos naturais, que se situam nas zonas periféricas dos supermercados e que são os mais baratos.

Poderá não ser fácil abandonar alguns costumes caros e prejudiciais. Mas vivemos numa época em que as mudanças se tornam inevitáveis. Olhemos a crise como uma oportunidade de mudar o modo como fazemos compras, escolhendo melhor os alimentos, confeccionando-os em casa e levando para o trabalho alimentos naturais.
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