Controvérsia sobre o medicamento para a diabetes usado para emagrecer

Victoza é o nome do medicamento para diabéticos tipo 2 que está a fazer furor no Brasil. A razão é que aparentemente faz emagrecer sem dieta e sem esforço e já há casos de sucesso em pessoas não diabéticas em processo de emagrecimento.Ainda não se encontra à venda em Portugal, mas, de acordo com a revista Veja, no Brasil, o stock de Victoza esgotou mal foi posto à venda. O medicamento é aplicado uma vez por dia, por injecção subcutânea, como a insulina, e a perda de peso pode chegar aos 3 kg por mês, sem dieta ou exercício físico. Isto é música para os ouvidos de muita gente.

Mas vamos ao que investiguei sobre os mecanismos de acção: a liraglutida, princípio activo do Victoza, promove a perda de peso (média de 3 kg por mês) pelo facto de retardar o esvaziamento gástrico e aumentar a sensação de saciedade após as refeições.

A liraglutida é um análogo do peptídeo semelhante ao glucagon 1 (na sigla em inglês GLP-1) que tem uma acção anti-hiperglicémica devido a vários factores: aumento da secreção de insulina dependente de glicose (o GLP-1 age no pâncreas estimulando a libertação de insulina apenas quando os níveis de açúcar no sangue estão altos), inibição da secreção pós-prandial de glucagon, atraso do esvaziamento gástrico e aumento da saciedade. O medicamento está apenas indicado para pessoas diabéticas tipo 2, porque têm níveis de GLP-1 reduzido.

Ficam as advertências: apesar de haver alguns estudos citados pelas revistas Lancet e pelo Internacional Journal of Obesity, não existe ainda autorização para o uso do medicamento para emagrecimento.
"Victoza não deve ser utilizado em doentes com diabetes mellitus tipo 1 ou no tratamento da cetoacidose diabética. Os doentes que utilizarem Victoza em combinação com uma sulfonilureia poderão ter um risco acrescido de hipoglicemia. O risco de hipoglicemia pode ser diminuído com uma redução da dose de sulfonilureia. A combinação do liraglutido com a insulina não foi avaliada, não sendo, por isso, recomendada. Victoza não deve ser utilizado durante a gravidez, sendo recomendada, em alternativa, a utilização de insulina. Se uma doente pretender ficar grávida, ou se ocorrer uma gravidez, o tratamento com Victoza deverá ser interrompido."
O medicamento já existe em Espanha e por cá, se chegar a ser posto à venda, irá custar cerca de €130 para um mês de tratamento.

Artigo consultado:
Adriana Costa e Forti, Estratégias Terapêuticas Baseadas nas Vias do GLP-1. Revisão, Julho 2006
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