sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Em vez de bolachas...

Quem anda nas minhas consultas sabe que desaconselho vivamente as bolachas quando o objectivo é emagrecer. Na lista de "alimentos a evitar" que dou no final da minha consulta consta "bolachas de qualquer tipo". A razão é que a maioria das bolachas, mesmo as que não têm açúcar, como as de água e sal e integrais, têm gordura a mais. Em vez de bolachas, as minitostas integrais da marca Pingo Doce são uma alternativa muito menos calórica. Cada saqueta, com seis minitostas, fornece apenas 80 calorias. E são práticas para ter no local de trabalho...

GRAVIDEZ: Dois gelados por dia contra os enjoos

As náuseas durante a gravidez são muito comuns tendo, normalmente, início a partir da quarta semana de gestação. É atenuada ou desaparece após o terceiro mês de gravidez em 60% dos casos. Mas, nos restantes 40%, podem prolongar-se por meses até ao nascimento do bebé. Até há bem pouco tempo, a solução para estas situações eram os medicamentos que as pré-mamãs tinham que tomar, nos casos piores, até ao final da gravidez. Hoje sabe-se que há uma solução mais saborosa, sem efeitos secundários, e que resolve não só o problema das náuseas como também o da azia e o da secura da boca. Refiro-me aos gelados (ou picolés) de fruta, feitos com ingredientes naturais e sem adição de açúcar nem conservantes.

O médico italiano Antonio Chiantera, Secretário Nacional da Associazione Ostetrici Ginecologi Ospedalieri Italiani (AOGOI), escolheu 30 mulheres grávidas, que sofriam de náuseas, e fe-las consumir gelados  feitos a partir de ingredientes naturais, como limão, tangerina ou gengibre, sem adição de açúcar nem conservantes.  21 destas mães tiveram benefícios imediatos e ficaram livres do mal-estar. Com dois gelados  por dia, a intensidade das náuseas diminuiu de 7,1 (escala 0-10) para 4,3.

A imagem escolhida para ilustrar este post foi copiada do blogmiojo da jornalista brasileira Rosane Queiroz, que ensina como se fazem estes gelados de aspecto delicioso que vemos na imagem.

Fonte da Notícia
Spesa 2.0 Magazine

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Meias de compressão podem melhorar a apneia do sono

Usar meias de compressão pode ser uma maneira simples de reduzir os efeitos da apneia obstrutiva do sono em pacientes com insuficiência venosa crónica, revela um estudo europeu, que será publicado no Journal of Respiratory and Critical Care Medicine.

"Descobrimos que, em pacientes com insuficiência venosa crónica, as meias de compressão reduziram a acumulação de líquidos durante o dia nas pernas, o que, por sua vez, reduziu a quantidade de líquido que flui para o pescoço à noite, diminuindo assim o número de apneias e hipopneias em mais de um terço", explicou, em comunicado de imprensa, a líder da investigação, Stefania Redolfi, da Universidade de Brescia, em Itália.

Fonte

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Dois cafés por dia para prevenir a depressão (nas mulheres)

O café desempenha um papel activo na prevenção da depressão (pelo menos nas mulheres). Esta é a conclusão de uma pesquisa da Harvard Medical School publicada no Archives of Internal Medicine. O estudo envolveu cerca de 50 000 enfermeiros norte-americanos, cuja saúde foi acompanhada durante dez anos (1996-2006), tendo sido registado o consumo de café. Destes, cerca de 2600 não-bebedores, isto é, pessoas que consumiam muito pouco café, desenvolveram depressão. Comparando os que bebiam só uma chávena por dia (o café descafeinado não conta) com aqueles que bebiam duas a três chávenas por dia, estes últimos tiveram um risco 15% menor de desenvolver depressão. Aqueles que bebiam quatro ou mais chávenas por dia tiveram o risco reduzido de um apercentagem até 20%.

São boas notícias para os dependentes de café, como eu.

Fonte
Spesa 2.0 Magazine

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Como resolver o problema da Compulsão Alimentar

A Compulsão Alimentar (CA) é uma condição que afecta milhões de pessoas em todo o mundo. Caracteriza-se por episódios frequentes de ingestão exagerada e compulsiva de alimentos. Este distúrbio, para além de ser muito mais frequente do que a bulimia nervosa, distingue-se desta porque os doentes, após as crises de CA, não tentam evitar o ganho de peso com métodos de compensação como o vómito, o uso de laxantes ou exercício físico exagerado. Os episódios são acompanhados por uma sensação de falta de controlo sobre o acto de comer e por sentimentos de culpa e de vergonha.

Comportamentos comuns a quem sofre de CA
As causas deste transtorno são desconhecidas, mas cerca de metade das pessoas estão deprimidas ou têm história de depressão no seu passado. Não está ainda claro se a depressão é a causa ou efeito da CA. Sentimentos negativos como a raiva, a tristeza, o tédio e a ansiedade são descritos frequentemente como desencadeadores de uma crise.

Alguns comportamentos e problemas emocionais são também mais comuns às pessoas que sofrem de CA. Estes incluem o abuso do álcool, a impulsividade (agir sem pensar), não se sentir responsável por si próprio, sentir-se à parte das suas comunidades (trabalho, grupo de amigos, etc.) e não compreender nem falar sobre os seus sentimentos.

Cynthia Bulik, directora do Programa de Transtornos Alimentares da Universidade da Carolina do Norte, classifica os seus pacientes em dois grupos diferentes: os que sofrem de CA desde a infância e aqueles em que a CA surge mais tarde na vida, normalmente após uma dieta extrema. 

Papel dos alimentos e da dieta nas crises de CA

Embora não esteja claro o papel das dietas nestes quadros, sabe-se que, em muitos casos, os regimes excessivamente restritivos podem desencadear ou piorar o transtorno. Estar permanentemente a pensar em dieta é causa e consequência da perda do controlo alimentar. Perde-se a “inocência” ao comer. Baralham-se os sinais internos, de fome, saciedade e de prazer, que regulam a ingestão alimentar. E os culpados? Haverá culpados? A meu ver sim. Não é à toa que os alimentos mais frequentemente escolhidos pelos comedores compulsivos sejam os bolos e doces, o chocolate, as pizzas, as batatas fritas, as bolachas, as colas e os gelados, em duas palavras, a junk food. Todos alimentos hipercalóricos que justificam a tese de Deirdre Barrett, professor de Psicologia Clínica na Harvard Medical School, que diz que estes comportamentos estão, em certa medida, escritos nos nossos genes uma vez que estavamos programados para sobreviver na savana Africana, onde era necessário ingerir muita comida que era rica em fibras, mas pobre em calorias.

Por outro lado, algumas pessoas parecem ser particularmente vulneráveis ​​à junk food. Mary Boggiano, professora associada no Departmento de Psicologia da Universidade do Alabama, descobriu que  todos os ratos do seu laboratório comiam as mesmas quantidades da ração padrão, mas, quando lhes apresentava bolachas oreo, alguns não mostravam qualquer interesse, enquanto outros não conseguiam parar de as comer.  Boggiano descobriu ainda que a compulsão pela junk food nestes animais estimula os mesmos receptores cerebrais de prazer que são estimulados quando os viciados em drogas tomam opiáceos.

Tratamento

O tratamento da CA exige uma abordagem multidisciplinar que exige um psiquiatra, um endocrinologista, uma nutricionista e um psicólogo. O objetivo do tratamento é o controlo dos episódios de CA através de técnicas comportamentais (a psicoterapia pode ajudar o paciente a lidar com questões emocionais subjacentes) e de acompanhamento nutricional para restabelecer hábitos alimentares saudáveis. As horas das refeições e os alimentos escolhidos são importantes para diminuir a frequência e intensidade das crises. Os episódios são mais frequentes durante a tarde e noite e decorrem muitas vezes do facto destas pessoas não tomarem o pequeno-almoço (café da manhã) e quase não almoçarem. Nestes casos a nutricionista dá uma grande ajuda porque coloca regras e estabelece um plano alimentar (não é sinónimo de dieta) para o dia.

O psiquiatra poderá prescrever medicação antidepressiva que se tem mostrado eficaz para diminuir os episódios de compulsão alimentar e os sintomas depressivos.

Você não está sozinho

Por último, se acha que sofre de CA é importante saber que você não está sozinho. A maioria das pessoas que têm o distúrbio já tentou, mas não conseguiu, controlá-lo por conta própria. Procure ajuda profissional que pode começar pelo nutricionista, pelo psiquiatra ou pelo psicólogo. A boa notícia é que a maioria das pessoas que cumprem o tratamento, vencem a CA.

Sítios consultados:

Beber vinho com moderação pode ajudar a prevenir a asma

Um novo estudo que envolveu quase 20.000 pessoas mostrou que beber álcool com moderação pode ajudar a prevenir a asma. Os resultados foram apresentados, na reunião anual da European Respiratory Society realizada em Amsterdão, por Sofie Lieberoth, do Bispebjerg Hospital de Copenhaga, Dinamarca:

"Enquanto o consumo excessivo de álcool pode causar problemas de saúde, os resultados do nosso estudo sugerem que o consumo moderado pode reduzir o risco de desenvolver asma."

No início deste mês, um outro estudo demonstrou que as pessoas que bebem um ou dois copos de vinho por dia tinham uma probabilidade, para desfrutar de boa saúde geral na velhice, 30% superior do que aqueles que evitaram completamente o álcool ao longo da vida.

Outro estudo recente sugere que beber um copo de vinho por dia pode ajudar a emagrecer.

Fonte
http://www.telegraph.co.uk/health/healthnews/8784937/A-few-drinks-a-week-could-reduce-asthma-risk.html

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Frutos e legumes brancos reduzem o risco de AVC

Um estudo liderado por Linda M. Oude Greip, da Wageningen University, na Holanda, e publicado na revista Stroke refere que o consumo diário de 25 gramas de maçãs, peras, ou outras frutas e legumes de polpa branca, reduz o risco de acidente vascular cerebral. As maçãs e as peras são frutos ricos em fibras e num flavonóide denominado quercetina.

As frutas e os legumes foram classificados em quatro grupos de cores: verde, laranja/amarelo, vermelho/roxo e branco. O único grupo que foi associado com uma redução estatisticamente significativa do risco de AVC foi o das frutas e legumes brancos. Nesta categoria incluem-se as maçãs, peras, bananas, couve-flor, chicória, pepinos e cogumelos. A conclusão foi que por cada aumento de 25 gramas na quantidade de frutas brancas consumidas por dia, o risco de AVC diminuiu 9%.

Fonte
http://www.alert-online.com/

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Nozes e proteína de soja eficazes para baixar o colesterol

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) refere que comer nozes e proteína de soja reduz mais eficazmentente o mau colesterol (LDL) do que uma dieta baixa em gordura saturada. Segundo os investigadores, liderados por David J. A. Jenkins, do St. Michael's Hospital e da Universidade de Toronto, Canadá, os níveis de LDL podem reduzir para metade ao longo de seis meses, mas alertam que são necessários mais estudos para confirmar estes resultados. 

Os perigos da obesidade infantil e juvenil

Do Guia de Avaliação do Estado Nutricional Infantil e Juvenil que referi no meu post anterior destaco uma frase elucidativa dos perigos para a saúde que decorrem da obesidade nas crianças e jovens:

"(...) valores mais elevados de IMC* (Índice Massa Corporal) desde os primeiros anos de vida estão associados a maior risco durante a idade pediátrica, mas particularmente na idade adulta, de hipertensão arterial, de diabetes, de doença cardiovascular e de neoplasia (cancro), com consequente redução da esperança média de vida."
*IMC - Calcula-se dividindo o peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Guia de Avaliação do Estado Nutricional Infantil e Juvenil

Notícia recebida do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge:

Ciente de que Portugal é actualmente um dos países com maior prevalência de obesidade infantil, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), IP, desenvolveu o “Guia de Avaliação do Estado Nutricional Infantil e Juvenil”, uma iniciativa que contou com a colaboração do Conselho Científico da Plataforma contra a Obesidade da Direcção-Geral da Saúde.

Reconhecida a forte associação entre obesidade e morbilidade cardiometabólica, já em idade pediátrica, com consequente redução da qualidade e expectativa de vida, o Guia pretende reunir um conjunto de informações que apresentem, de uma forma padronizada, os procedimentos mais actuais em antropometria, vindo por uma lado colmatar uma lacuna que existe na obtenção de informação comparável sobre o estado nutricional infantil, e por outro suportar uma correcta vigilância nutricional infantil em Portugal.

Visite a página do INSA ou faça o download do Guia aqui.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

366 milhões de diabéticos em todo o mundo

A cada sete segundos, uma pessoa morre em consequência da diabetes, revelou a federação internacional que representa a doença, estimando que em todo o mundo existam 366 milhões de doentes com esta patologia. Os números foram avançados no Congresso Europeu de Diabetes, que decorreu na semana passada em Lisboa.

A Federação Internacional da Diabetes (FID) alertou ainda que esta epidemia global está a agravar-se e considera o número de casos estimados “impressionante”.

A FID reclama medidas concretas para travar esta “epidemia”, exortando as autoridades de saúde das Nações Unidas, que se reúnem na próxima semana, a focarem-se nas doenças crónicas e a comprometerem-se com metas específicas para prevenir casos e investir em mais pesquisa.

Estima-se que a diabetes seja responsável por 4,6 milhões de mortes todos os anos e que os sistemas de saúde gastem 465 mil milhões de dólares por ano no combate à doença, incluindo a diabetes tipo 1 e tipo 2.


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

World Nutrition Rio 2012

Informação recebida da Universidade do Estado do Rio de Janeiro:

 

A cidade do Rio de Janeiro sediará, de 27 a 30 de Abril de 2012, o World Nutrition Rio2012, congresso mundial de Alimentação e Nutrição em Saúde Colectiva organizado pela Associação Brasileira de Pós Graduação em Saúde Colectiva (ABRASCO) em parceria com a World Public Health Association (WPHNA) e com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que sediará o evento. O congresso contará com a presença de convidados e participantes de todos os continentes.

O tema geral do congresso é Conhecimento, Política e Ação, o que significa a tradução da melhor evidência para políticas e programas efetivos que protejam, preservem e melhorem a saúde das populações em todo o mundo.

Para outras informações, inscrição e submissão de resumos, entre no site oficial do congresso em: http://www.worldnutritionrio2012.com.br/

Mulheres japonesas são as que morrem menos por doenças não transmissíveis


De acordo com um relatório publicado nesta quarta-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS) as doenças não transmissíveis, como as cardiovasculares ou o cancro, são responsáveis por cerca de dois terços das mortes no mundo. Dos 36 milhões de óbitos causados anualmente pelas doenças não transmissíveis, nove milhões correspondem a pessoas com menos de 60 anos. Destas, as doenças cardiovasculares são as mais perigosas, já que respondem por 48% dos óbitos, seguidas pelo cancro com 21%, pelas doenças respiratórias 12% e pela diabetes responsável por 3% das mortes .

O motivo pelo qual estas doenças são a principal causa de morte no mundo deve-se ao facto de nos últimos 30 anos o estilo de vida se ter tornado mais sedentário e pela mudança na dieta com predominância de açúcares e farinhas refinadas, gorduras saturadas e sal que fazem elevar o colesterol, a tensão arterial e os níveis de açúcar no sangue.

O relatório destaca que as doenças não transmissíveis estão a aumentar nos países pobres, onde o número de óbitos cresceu em força. A OMS destaca ainda que as crianças com menos recursos estão a consumir mais alimentos e bebidas açucaradas que fazem mal à saúde.

Segundo a OMS, as mulheres japonesas são o grupo com menor taxa de mortalidade anual por doenças não transmissíveis. No caso dos homens, são os da República de San Marino (que se situa-em Itália) os que morrem menos por doenças não transmissíveis

O documento afirma ainda que um crescimento de 10% das doenças não tranmissíveis num país representa uma redução de 0,5% no seu Produto Interno Bruto (PIB).

Fonte:
http://pt.kioskea.net/news/16678-oms-doencas-nao-transmissiveis-matam-mais
Imagem
http://www.asianoffbeat.com/default.asp?display=2275

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Insulina em spray melhora o raciocínio e a memória dos doentes de Alzheimer

A insulina tem estado, nos últimos anos, na mira dos investigadores para tratar a doença de Alzheimer. Um estudo americano recente publicado no jornal da especialidade Archives of Neurology, informa que, quando aplicada via intranasal (pelo nariz), a insulina ajuda a melhorar as funções cognitivas de pacientes com demência leve ou grave.

Os investigadores afirmam, no entanto, que é ainda prematuro pensar-se na insulina como tratamento único, a ser usado em breve. O estudo analisou apenas 104 pacientes havendo necessidade de que seja repetido em larga escala antes que sua eficácia seja de facto comprovada.

Fonte

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Médicos do Hospital de Santa Maria realizam técnica pioneira para tratar a hipertensão arterial resistente


A HTA é considerada uma doença extremamente perigosa que afecta quase metade da população portuguesa, e só em apenas 11% dos doentes ela está controlada, segundo dados da Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

Um dos principais mecanismos de regulação do corpo para controlar a pressão arterial envolve o sistema nervoso simpático. Este sistema inclui os principais órgãos que são responsáveis pela regulação da pressão arterial: o cérebro, o coração, os rins e os vasos sanguíneos. A peça chave na regulação da pressão arterial a longo prazo é o rim. Os nervos renais comunicam informações do rim para o cérebro, e vice-versa.

Em pessoas com hipertensão, os nervos renais são hiperativos, o que aumenta a pressão arterial e contribui para lesões no coração, rim e vasos sanguíneos. Se selectivamente acalmarmos os nervos hiperativos renais provocaremos uma redução na produção de hormonas produzidas a nível renal, hormonas estas que elevam a pressão arterial.

Uma equipa médica do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, realizou na semana passada pela primeira vez os procedimentos de desnervação renal, uma técnica pioneira para tratar doentes com hipertensão arterial resistente aos medicamentos. Segundo os especialistas, a técnica de desnervação renal “é um procedimento minimamente invasivo que desactiva os nervos simpáticos localizados nas paredes da artéria renal”.

De acordo com o hospital, a hipertensão arterial (HTA) resistente é uma patologia em que os doentes, apesar do tratamento com três ou mais medicamentos anti-hipertensivos, continuam com níveis elevados de pressão arterial.
“Esta técnica inovadora vem trazer uma nova esperança aos doentes com HTA resistente, que através desta nova abordagem minimamente invasiva poderão ter controlados os seus níveis de pressão arterial”, declarou à agência Lusa, Pedro Canas da Silva, coordenador da Unidade Cardiologista de Intervenção do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Fonte

sábado, 10 de setembro de 2011

A Nutricionista na Cozinha #2

A receita de hoje é um prato que se prepara em cerca de meia hora (demorei mais por causa das fotografias). Fiz tortilha de courgete  para  o almoço porque foi o que me apeteceu comer  depois de uma manhã de trabalho no Phive - Health and Fitness Center. Tenho substituído a batata por courgete em muitas receitas e resulta muito bem. Vantagens: menos calorias e maior valor nutricional por causa da casca. A courgete deve -se cozinhar sempre com casca porque contém ácido fólico, fibras e outros micronutrientes que é uma pena irem para o lixo.

Tortilha de Courgetes

Ingredientes (para três pessoas)

4 ovos
2 courgetes
1 cebola grande
1/2 pimento (opcional)
2 colheres de sopa de Azeite
sal

 Corte a cebola, a courgete e o pimento aos cubinhos como mostra a imagem
Aqueça o azeite numa frigideira. Frite um pouco as cebolas e os pimentos até as cebolas ficarem quase transparentes. 
 Adicione as courgetes e tempere com uma pitada de sal. Mantenha o lume brando durante cerca de dez minutos, mexendo ocasionalmente até amolecerem.

Numa tigela bata os ovos com sal e pimenta a gosto e deite na frigideira.


Deixe cozer em lume brando, cerca de oito minutos, até o ovo ficar sólido. Desenforme e corte em três ou quatro fatias. Acompanhe com salada de alface e cenoura ralada.

Coma um prato de sopa antes (a sopa que vê na imagem é de feijão verde) e uma peça de fruta para terminar a refeição. Nutrientes muitos, calorias poucas. É fácil emagrecer assim.  

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Opinião de uma endocrinologista sobre o Victoza

Destaco o comentário da Dr.ª Luciana Spina, endocrinologista no Hospital da Lagoa, Rio de Janeiro, Brasil, sobre os riscos do medicamento que está a ser usado nesse país para emagrecer. Tendo a concordar com a opinião dela:

"Como endocrinologista, gostaria de colocar minha opnião sobre essa reportagem [revista Veja]. Em primeiro lugar esse medicamento foi aprovado para uso em diabéticos. Demais indicações ainda estão em estudo, portanto temos que ter cautela. É um medicamento novo, existe há apenas 3 meses no mercado brasileiro, o que significa que a classe médica, na sua maioria, tem pouca experiência com ele. Essa medicação é injetavel, de uso diario e de custo elevadíssimo. Não é para todo mundo, então. Pode causar enjoo e nauseas e pode ter seu uso restrito para individuos com problemas gastricos. O mais importante de tudo isso é que provavelmente a perda de peso será temporária se não houver mudança de habito alimentar. A melhora no padrão alimentar é que garante uma vida mais saudável. Procuramos sempre uma maneira facil e rapida de emagrecer... Mas emagrecer com saúde é aprender a comer bem e praticar atividade fisica. Não existe remédio no mundo que substitua esse fato! Pensem sobre isso!"

Controvérsia sobre o medicamento para a diabetes usado para emagrecer

Victoza é o nome do medicamento para diabéticos tipo 2 que está a fazer furor no Brasil. A razão é que aparentemente faz emagrecer sem dieta e sem esforço e já há casos de sucesso em pessoas não diabéticas em processo de emagrecimento.Ainda não se encontra à venda em Portugal, mas, de acordo com a revista Veja, no Brasil, o stock de Victoza esgotou mal foi posto à venda. O medicamento é aplicado uma vez por dia, por injecção subcutânea, como a insulina, e a perda de peso pode chegar aos 3 kg por mês, sem dieta ou exercício físico. Isto é música para os ouvidos de muita gente.

Mas vamos ao que investiguei sobre os mecanismos de acção: a liraglutida, princípio activo do Victoza, promove a perda de peso (média de 3 kg por mês) pelo facto de retardar o esvaziamento gástrico e aumentar a sensação de saciedade após as refeições.

A liraglutida é um análogo do peptídeo semelhante ao glucagon 1 (na sigla em inglês GLP-1) que tem uma acção anti-hiperglicémica devido a vários factores: aumento da secreção de insulina dependente de glicose (o GLP-1 age no pâncreas estimulando a libertação de insulina apenas quando os níveis de açúcar no sangue estão altos), inibição da secreção pós-prandial de glucagon, atraso do esvaziamento gástrico e aumento da saciedade. O medicamento está apenas indicado para pessoas diabéticas tipo 2, porque têm níveis de GLP-1 reduzido.

Ficam as advertências: apesar de haver alguns estudos citados pelas revistas Lancet e pelo Internacional Journal of Obesity, não existe ainda autorização para o uso do medicamento para emagrecimento.
"Victoza não deve ser utilizado em doentes com diabetes mellitus tipo 1 ou no tratamento da cetoacidose diabética. Os doentes que utilizarem Victoza em combinação com uma sulfonilureia poderão ter um risco acrescido de hipoglicemia. O risco de hipoglicemia pode ser diminuído com uma redução da dose de sulfonilureia. A combinação do liraglutido com a insulina não foi avaliada, não sendo, por isso, recomendada. Victoza não deve ser utilizado durante a gravidez, sendo recomendada, em alternativa, a utilização de insulina. Se uma doente pretender ficar grávida, ou se ocorrer uma gravidez, o tratamento com Victoza deverá ser interrompido."
O medicamento já existe em Espanha e por cá, se chegar a ser posto à venda, irá custar cerca de €130 para um mês de tratamento.

Artigo consultado:
Adriana Costa e Forti, Estratégias Terapêuticas Baseadas nas Vias do GLP-1. Revisão, Julho 2006

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A favor da taxa do fast food


Levantaram-se algumas vozes contra a medida proposta  pelo Bastonário da Ordem dos Médicos de taxar em 10% os alimentos com excesso de sal, gordura e açúcar para sustentar o Serviço Nacional de  Saúde. Mas a medida justifica-se plenamente. Basta pensar que o fast food está na origem de inúmeras doenças que custam muito dinheiro ao Estado, quer dizer, a todos nós. Desde a medicação aos cuidados médicos e de enfermagem,  passando pelos materiais gastos em tratamentos dos diabéticos,  pelas cirurgias (sempre caras!) e pelas elevadas taxas de absentismo por incapacidade e custos para a segurança social.

Impressionou-me muito a quantidade de diabéticos, mulheres e homens em plena idade activa,  que observei quando, entre março e junho deste ano, estive a fazer uma formação no Serviço de Endocrinologia de um hospital do norte do país. Esses doentes afluíam várias vezes por semana, alguns diariamente, à consulta de pé diabético, para pensos e outros tratamentos. Passavam lá a manhã ou a tarde e tinham os pés e as pernas numa verdadeira lástima. Só não publico aqui algumas fotografias que tirei  porque,  além de não ter autorização, não quero ferir os leitores mais sensíveis. Como é que estas pessoas podem ir trabalhar, quando o "emprego" delas é ir, quase todos os dias, ao hospital para te tratar?  Que patrão pode manter um funcionário neste permanente estado de quase invalidez ou mesmo de invalidez?

O excesso de peso e  a obesidade está a aumentar de ano para ano entre nós e  isso acontece porque aos portugueses estão a piorar os seus hábitos alimentares. Não são só os jovens que consomem hoje fast food. Este tipo de alimentos está muito generalizado... E fast food é muito mais do que hamburgueres e pizzas. São os cereais de pequeno-almoço com mais de 40% de açúcar, são os ice-teas, as coca-colas e os néctares todos os dias à mesa dos consumidores menos informados. São as bolachas que não param de aumentar em variedade. São os sacos de minicroissants estrategicamente colocados no supermercado para esbarrarmos com eles. São os bolos baratos tipo dan-cake vendidos em pacotes bastante práticos,.São os iogurtes superdoces e agora também supergordos (refiro-me aos iogurtes gregos, que de grego ou de mediterrânico não têm nada, ao contrário do que a indústria quer fazer crer). São os sacos enormes cheios de gomas e outras guloseimas. São os baldes a transbordar de pipocas no cinema. Etc., etc. Podia ainda dar outros exemplos, mas estes devem chegar. Trocámos a  nossa alimentação tradicional, rica, variada e de qualidade, por uma série de alimentos nutricionalmente muito pobres. Trocámos o pão, o leite, a sopa, o peixe, as leguminosas e as frutas, por cereais de pequeno-almoço, refrigerantes, batatas fritas e guloseimas. Que pena!  

Quem está contra uma tal medida ignora decerto o que se passa no terreno, não conhece a realidade do nosso sistema de saúde. Pretende-se que parte dos lucros obtidos com a venda deste "lixo alimentar" seja canalizada para as instituições de saúde de modo a ajudar a pagar as astronómicas despesas. É uma espécie de princípio de utilizador-pagador. Que mal há nisso?

Que esta discussão seja, pelo menos, mais um alerta para os perigos que o consumo excessivo de fast food acarreta. E, ao contrário do que dizem os opositores da proposta, não retiraria a liberdade a ninguém. Todos continuam a ser livres de comprar e de consumir o que muito bem entenderem. Mas a mudança de preço pode ajudar a racionalizar o consumo. Insisto: estes alimentos não fazem falta a ninguém. São um vício, tal como o tabaco ou o álcool aos quais se tem aumentado nos últimos anos, sem grande oposição, a carga fiscal.

A taxa sobre o fast food pode "não fazer com que as pessoas se alimentem de forma mais saudável", como afirmou um opositor da medida, mas pode levar a indústria a reduzir os teores de sal, açúcar e gordura dos alimentos no intuito de conseguir produtos com preços concorrenciais.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Imposto sobre fast food: OMS dá apoio técnico

José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos, propôs uma taxa de 10% sobre os alimentos com excesso de sal, gordura e açúcar para financiar Sistema Nacional de Saúde.
A recomendação de medidas fiscais faz parte de uma resolução aprovada pela OMS em 2004, no âmbito da Estratégia Global para a Dieta, Actividade Física e Saúde e é nesse sentido que a organização se encontra disponível para trabalhar com países que como Portugal pretendam taxar alimentos nada saudáveis. Godfrey Xuereb, responsável pela Unidade de Prevenção na População do Departamento de Doenças Crónicas e Promoção da Saúde, adianta que, além da Hungria, que implementou o imposto no início do mês, há esforços semelhantes na Dinamarca, em relação a doces e chocolates, na Roménia, em relação a sal, açúcar e gordura e em França, em relação a refrigerantes. "Vários estados dos EUA propuseram ou implementaram estes impostos, mas até à data, como estiveram em vigor por períodos curtos, nenhum avaliou o seu impacto na saúde pública." Nas últimas semanas a discussão alargou-se ao Reino Unido, depois de um estudo na revista Lancet ter previsto um aumento da população obesa de 73% até 2030.

Por cá, o governo não disse se tenciona avançar com um imposto ou com novas medidas no sector. Em 2010, o país foi pioneiro no combate ao excesso de sal no pão, com a introdução de multas até 5 mil euros para quem ultrapasse o teor máximo legislado. Ficaram, contudo, por introduzir limites noutros alimentos.

Fonte:

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tratamentos da tendinite e da artrite passam pela nutrição?


A curcumina, substância encontrada no caril (curry), de origem indiana, tem propriedades capazes de reverter alguns sintomas da tendinite e também de formas de artrite. Segundo um estudo publicado no Journal of Biological Chemistry, o pigmento é capaz de suprimir os mecanismos biológicos que desencadeiam as inflamações nos tendões, fornecendo uma nova esperança de tratamento para estas situações dolorosas. A tendinite é a inflamação de um tendão que surge usualmente através do excesso de repetições de um mesmo movimento.
"Esta pesquisa não sugere que o caril seja a cura para as doenças inflamatórias, tal como a tendinite ou artrite, no entanto, pode levar os cientistas a um novo tratamento destas condições dolorosas através da nutrição", explicou, em comunicado de imprensa, um dos responsáveis pela investigação, Ali Mobasheri.

Para o especialista, esta descoberta pode ser a base para "futuras investigações e terapias complementares para reduzir o uso de anti-inflamatórios não-esteroides, os únicos fármacos actualmente disponíveis para o tratamento da tendinite e das várias formas de artrite que provocam efeitos debilitantes”.

Se está a sofrer de uma destas situações ponha uma colher de açafrão da Índia no arroz ou faça caril de peixe ou de frango. Não custa nada tentar. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A Nutricionista na Cozinha #1

A cozinha é um sítio onde gosto de estar. Não sou uma profissional de culinária, mas, como a maioria das mães, confecciono diariamente as refeições para a família e cozinho relativamente bem qualquer prato desde que pouco elaborado. Como nutricionista escolho cuidadosamente os ingredientes para preparar as refeições familiares. De um modo geral, adapto receitas para lhes reduzir o teor de gordura ou mudar o tipo desta e, no caso dos doces, também o  teor de açúcar de modo a que o valor calórico da refeição fique menor. Nesta rubrica passo a partilhar não só as receitas que  cozinho mas também alguns dos alimentos que levo para casa. Aparecerão maioritariamente pratos de peixe, de legumes, de sopas, mas também algumas sobremesas que preparo só nos dias de festa, tudo isto segundo as regras da melhor alimentação para a saúde. Com  o aumento do preço dos alimentos, passar mais tempo na cozinha pode resultar não só em poupança, mas também e sobretudo em alimentação mais saudável. Eu já comecei e estou a tomar o gosto. Espero que gostem e aproveitem bem a nova rubrica: "A Nutricionista na Cozinha".

BACALHAU COM LEGUMES À BRÁS para quatro pessoas
(este prato de bacalhau foi inspirado nos legumes à brás da cozinha vegetariana)


1 posta de bacalhau
azeite q. b.
uma cebola grande
duas courgetes
meia couve lombarda
pimenta
azeitonas e salsa picada para decorar



Parte-se a cebola grosseiramente e coloca-se numa frigideira com azeite. Desfia-se o bacalhau depois de bem demolhado em cru. Quando a cebola começar a alourar adiciona-se o bacalhau e deixa-se cozinhar durante uns minutos.


Entretanto partem-se as courgetes e a couve lombarda em juliana, adicionam-se ao bacalhau e deixa-se cozinhar de oito a dez minutos.


Por fim batem-se três ovos aos quais se adiciona pimenta em pó (opcional). Envolve-se tudo com os ovos e tira-se do lume.

Coloca-se numa travessa, decora-se com azeitonas, salsa picada e está pronto a servir.


Iniciámos a refeição com uma sopa de legumes e comemos o bacalhau com legumes à brás que estava óptimo, com menos de metade das calorias do tradicional à base de batatas fritas.


Nota: outros legumes podem ser adicionados como cenoura, pimento ou alho francês desde que seja do gosto da família. O prato ficará nutricionalmente mais rico.

domingo, 4 de setembro de 2011

O que comi no Rio

Partilho algumas das fotos das deliciosas iguarias que comi recentemente no Brasil.


Na primeira noite fomos ao restaurante Siri Mole&amp, Cia, entre Copacabana e Ipanema, que oferece cozinha baiana rica em sabores e temperos fortes. Provei o menu de degustação (na imagem de cima) que inclui pratos como bobó de camarão, siri à baiana, vatapá de bacalhau ou moqueca de peixe e camarão. Uma delícia! 



Também há carne de sol com mandioca no Siri Mole&amp, Cia (em cima).



No último dia, comemos na esplanada do restaurante "Informal(zinho)", também entre Copacabana e Ipanema,  a famosa feijoada "surda e manca", como disse o garçon que nos serviu. Admirada perguntei: surda e manca? E ele respondeu: não tem pé nem orelha de porco. Ri-me e comi com muito gosto.

Propriedades nutritivas e medicinais da água de coco

                                             Recém chegada do Brasil, onde provei a famosa água de coco, resolvi investigar as suas propriedades nutritivas e medicinais. Eis o que descobri: 

A água de coco é refrescante e naturalmente livre de contaminações. De sabor agradável, é nutritiva e tem poucas calorias, cerca de 20 por 100mL. É constituída por 93% de água, 5% de açúcares, vitaminas do complexo B, vitamina C e sais minerais. É mais rica em potássio e sódio, mas também contém cálcio, magnésio, manganês, ferro, zinco e cobre. Livre de gordura, tem altos poderes hidratante, de reposição de electrólitos e regulador das funções intestinais. A composição da água de coco varia com o estado de maturação do fruto e com a composição do solo onde o coqueiro está implantado.

É excelente para matar a sede e para hidratar podendo ser utilizada no tratamento de diarreias e como bebida desportiva. É útil para pessoas que estão em tratamento de quimioterapia, já que ajuda a repor os minerais perdidos.Estão descritos ainda efeitos de proteção do fígado, de combate ao stresse oxidativo e de inibição do aparecimento de células cancerosas. Supõe-se ainda que esta possa apresentar ação indireta na prevenção do enfarte do miocárdio. Por fim, devido à capacidade diurética este alimento tem sido testado no tratamento de pedras nos rins.

Fonte
Escrito a partir do texto de Renata Trommer "Propriedades nutricionais da água-de-coco".

Os magros também sofrem

A notícia do post anterior deu-me o mote para tratar um tema que há muito tenho vontade de abordar:  a magreza. Os magros são, para muita gente, “sortudos que podem comer qualquer coisa em qualquer quantidade a qualquer hora e não engordam”. Mas quem diz isso não imagina quanto pode  sofrer uma pessoa que come, come... e não consegue engordar. Uma baixíssima percentagem das pessoas que me procuram na consulta fazem-no porque são muito magras e querem engordar. Mas as taxas de sucesso do tratamento são bastante baixas. Para estas pessoas é mesmo difícil ganhar peso. Faço-lhes um plano alimentar equilibrado contendo alguns alimentos de mais fácil assimilação, conseguindo que aumentem em média dois ou três quilos num mês, mas não mais. Conseguem-no à custa de grande esforço, mas qualquer alteração no seu ritmo de vida, com uma situação ou outra de maior stresse, deita logo, normalmente, tudo a perder. 

Há também o estigma da anorexia. Quando olhamos para um supermagro, a tendência imediata é para pensarmos que se trata de uma pessoa anoréctica e os magros sofrem com essa suposição. Fui  uma vez consultada por duas irmãs gémeas, bonitas, não muito altas e com uma idade  que rondava os trinta anos. Aparentavam ter muito menos idade, o que para elas era uma dificuldade, mas esse era apenas um dos problemas dos muitos que fui descobrindo durante  a consulta. Sofriam imenso por serem magras e queriam desesperadamente engordar. Não iam à praia para não expor os seus corpos e nem sequer  tiravam o casaco, mesmo em dias de muito calor, para que ninguém reparasse nos seus braços demasiado finos. Contaram-me que, um dia, uma delas foi parar à urgência do hospital após um desmaio. Tinha estado de cama com uma virose e sentia-se fraca, mas o maior problema foi, no hospital,  terem duvidado que não era anoréctica. De facto, não era. Ma esta desconfiança da equipa médica é perfeitamente legítima pois quem conhece a doença sabe que as anorécticas mentem...

Esta história que conto foi para mim marcante. No meu trabalho diário, em que ajudo os "gordinhos" a resolver o problema do excesso de peso,  em geral com boas taxas de sucesso, fui-me apercebendo que o mundo dos magros é também um mundo de sofrimento, por vezes de muito sofrimento incompreendido Como nutricionista sofro por não conseguir ajudar mais a resolver os problemas dos magros.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cientistas descobriram a causa genética da magreza

Um grupo de cientistas liderado por Philippe Froguel, professor da Escola de Saúde Pública do Imperial College de Londres, descobriu a causa genética da magreza extrema, condição que pode desencadear, em crianças, a chamada síndrome da falha de desenvolvimento ("failure to thrive", em inglês). O estudo será publicado na edição desta quinta-feira da revista científica Nature.
Os investigadores examinaram o DNA de cerca de 95 mil pessoas, em busca de padrões vinculados à magreza extrema e descobriram que a duplicação de uma parte do cromossoma 16, que contém mais de duas dúzias de genes, é fortemente associada ao baixo peso, definido pelo índice de massa corporal (IMC) abaixo de 18,5. Lembro ainda que indivíduos adultos cujo IMC varia entre 18,5 e 25 são considerados normoponderais, indivíduos com IMC entre 25 e 30 são considerados pré-obesos e acima de 30, obesos.

Segundo os cientistas, uma em cada duas mil pessoas tem parte do cromossoma duplicado, tornando os homens 23 vezes e as mulheres 5 vezes mais propensos a estarem seriamente abaixo do peso. Normalmente, um indivíduo herda uma cópia de cada cromossoma do pai e da mãe, resultando num par de cada gene. Mas às vezes, secções de um cromossoma são copiadas ou apagadas, resultando em segmentos a mais ou a menos no código genético."Em muitos casos, as cópias e apagamentos não produzem qualquer efeito, mas ocasionalmente podem gerar doenças", explicou Philippe Froguel. Pesquisas anteriores já tinham identificado um grande número de falhas genéticas que levam à obesidade, mas esta foi a primeira a detectar uma causa genética para a magreza.

O estudo é ainda o primeiro exemplo de efeitos colaterais do apagamento e da duplicação de uma parte do genoma. "Até ao momento, não sabemos nada sobre os genes nesta região. Se pudermos descobrir porque a duplicação genética nesta área causa magreza, isso pode gerar novos tratamentos possíveis para a obesidade e distúrbios do apetite", disse.

O próximo passo, segundo Froguel, é sequenciar os genes para descobrir quais estão envolvidos na regulação do apetite. A parte do cromossoma 16 identificado no estudo contém 28 genes. As duplicações nesta região foram, anteriormente, associadas à esquizofrenia, e os apagamentos, ao autismo.

Há muito poucos trabalhos sobre magreza, mas, quanto a mim, poderá ser a melhor via para se descobrir o tratamento da obesidade.
 
Fonte
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/cientistas-identificam-genes-da-magreza



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Desvantagem do sexo masculino na saúde não é genética

De acordo com o Relatório da Comissão Europeia, metade das mortes prematuras entre os homens seriam evitáveis porque assentam em comportamentos de risco e estilos de vida pouco saudáveis. O facto de todos os anos morrerem duas vezes mais homens em idade activa do que mulheres (630 mil contra 300 mil) não tem nenhuma explicação genética ou biológica. Os homens vão menos ao médico porque se sentem melhor,  fazem menos rastreios e são mais vítimas de acidentes de trabalho e rodoviários. Dos factores de risco evitáveis constam o consumo de tabaco e de álcool, a obesidade e a diabetes que têm um crescimento mais galopante entre a população masculina apesar de estarem a aumentar a nível global.

Fonte: jornal i