Os dois extremos da obesidade infantil em Portugal


O Algarve e os Açores estão nos dois extremos da obesidade infantil em Portugal com uma incidência, respectivamente, de 19,4% e 42% de crianças com excesso de peso, revelou a investigadora Ana Rito (na imagem), nutricionista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Os resultados do primeiro estudo com uma amostra representativa e comparável com a de outros países europeus foram apresentados ontem na Conferência Internacional de Obesidade Infantil (CIOI). Para a especialista, as diferenças encontradas a nível nacional poderão ser explicadas pelo bom funcionamento de algumas actividades de intervenção escolar e sensibilização, destacando o trabalho da Administração Regional de Saúde do Sul.

Portugal surge atrás de Itália com uma das maiores prevalências de excesso de peso em crianças na faixa etária analisada, dos seis aos nove anos, com os indicadores globais bastante acima da média europeia. De acordo com o estudo, em Portugal 32,2% das crianças têm peso a mais e 14,6% enquadram-se já num quadro clínico de obesidade, com o índice de massa corporal acima do percentil 95, explica a investigadora. A nível europeu os resultados preliminares apontam para uma incidência do excesso de peso, em crianças da mesma faixa etária, na ordem dos 24%.

O estudo foi realizado no ano lectivo 2008/2009 e contou com a participação de 3847 crianças do 1.º ciclo do Ensino Básico de 185 escolas, amostra que viria a juntar-se à de outros 13 países europeus que aceitaram o convite da Organização Mundial de Saúde para integrar o primeiro Sistema Europeu de Vigilância Nutricional Infantil. Ana Rito sublinha que a metodologia aplicada nesta primeira ronda da chamada iniciativa COSI veio pela primeira vez permitir que se analisasse todo o país, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira até aqui excluídas dos estudos pontuais. A idade média dos jovens avaliados foi de 7,5 anos, com estaturas médias de 122,4 centímetros nas raparigas e de 124,3 nos rapazes. O peso médio foi neste ano de 26,6 quilos nas raparigas e de 27,3 kg nos rapazes, revela um artigo sobre o estudo publicado na Plataforma Contra a Obesidade da Direcção-Geral de Saúde.

Quanto aos hábitos alimentares, o estudo revela que a maioria toma o pequeno-almoço (95%) e mais de 57% vão de carro para a escola. Ao fim-de-semana estão o dobro do tempo em frente da televisão e do computador mas também brincam mais fora de casa.

Fonte
ionline.pt

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Visao.pt
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