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A minha homenagem a David Servan-Schreiber (1961-2011)

Ontem à noite fiquei triste quando soube, através do jornal Público, que o médico e neurocientista francês David Servan-Schreiber, conhecido pelo seu livro "Anticancro: um novo estilo de vida" (Caderno, 2008), que aqui recomendei, tinha morrido no Hospital Hauts Falaises em Fécamp, França. Tinha 50 anos e lutava há quase 20 contra um cancro muito agressivo no cérebro. Servan-Schreiber explicou incansavelmente a doença a centenas de milhares de pessoas em todo o mundo, desde o diagnóstico, a quimioterapia, a boa comida, até aos benefícios do yoga, do ciclismo e da meditação. Tornou-se um verdadeiro ícone da cura e, com uma  aparência jovial, ninguém conseguia imaginar que aquele homem lutava desde os 31 anos de idade contra um tumor maligno cerebral dos mais agressivos. Para espanto de todos, ele conseguiu parar a evolução da doença até ao ano 2000, altura que que teve uma recaída e se sujeitou a novos tratamentos de radioterapia e quimioterapia.  Mas, em 2010, uma ressonância magnética de rotina revelou que o cancro adormecido tinha despertado. Desta vez o prognóstico era: apenas 18 meses de sobrevivência. Esta recaída motivou a escrita do que viria a ser o seu último livro: "On peut se dire aurevoir plusieurs fois" ("Podemos dizer adeus várias vezes") editado pela Robert Laffont em Junho de 2011.
O Dr. Servan-Schreiber conhecia, melhor do que ninguém, o seu cancro e sabia que ele voltaria:
"Cedo ou tarde ele voltaria. Eu conheço o prognóstico do meu cancro. Podia retardar o prazo, ganhar anos, quase esquecê-lo, mas desta vez é o "Big One", como dizem os californianos quando temem um terramoto devastador. Esta recaída levou-me a colocar as questões mais importantes da minha vida: se a doença persiste apesar de pensar, comer, mexer-me, respirar e viver anticancro, então o que me resta de Anticancro? É para responder a esta pergunta que escrevo hoje. Este livro é também uma oportunidade para eu dizer adeus a todos aqueles que apreciaram os meus livros anteriores ou que vieram para me ouvir. Aconteça o que acontecer, tenho a firme esperança de que este adeus não será o último. Podemos dizer adeus várias vezes."
Adeus, Dr. Servan-Schreiber. Descanse em paz!


Sítios consultados:
Publico.pt
ParisMatch.com
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