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Como combater a obesidade nacional?

Quando li a frase no post anterior de William Dietz, director da Divisão de Nutrição, Actividade Física e Obesidade do CDC: "devemos continuar a fazer esforços para fomentar estilos de vida saudáveis e activos entre os norte-americanos para poder fazer frente a esta epidemia”, lembrei-me logo dos concorrentes do Peso Pesado. 

 Como é que este senhor pensa convencer pessoas para quem fazer qualquer actividade física representa um esforço quase desumano a mudar o seu estilo de vida? A troco de quê? Por que iriam trocar o sofá com pipocas e coca-cola na mão, que lhes dá tanto prazer, por uma caminhada e uma sopa? Acontece que os concorrentes do Peso Pesado movem-se principalmente pelo prémio final...

Nunca fui aos Estados Unidos, mas dizem-me que se encontra comida rápida e refrigerantes por todo o lado. Nalguns sítios, pelo preço de uma coca-cola podem beber-se quantas se queiram. Parecem não saber que a água é a melhor bebida quando se tem sede.  A indústria dos refrigerantes sabe e inventa sucedâneos da água. Veja-se o sucesso de vendas da água vitaminada (VitaminWater) de várias cores e sabores, que já atravessou o Atlântico, e que encontrei pela primeira vez numa bomba de gasolina. Uma fantástica máquina de marketing a ilusão de que estas águas são um saudável e milagroso elixir, hidratante e rejuvenescedor. As garrafas são bonitas, com cores atractivas, parecendo-se com bebidas desportivas, e os rótulos contêm um texto bem-humorado e inteligente. Em cada sabor há um termo que ressalta como um objectivo que se atinge mal se engole o último trago: "resistência, "energia", "essencial", "ossos fortes", "equilíbrio"... Mas deixemos o reino da fantasia. A VitaminWater é apenas água fortificada com frutose, o açúcar que está na moda.





Apetecia-me dar mais exemplos acerca do que os "génios" do marketing conseguem fazer pelos produtos que lhes pagam para promover...

Mas vamos ao título deste post. Combater a obesidade não passa só por campanhas que fomentam estilos de vida activos. Elas são necessárias, mas não são suficientes. Os países que, tal como nós, têm o problema grave do aumento de peso da população deveriam rever urgentemente a legislação alimentar, colocando limites aos teores de açúcares, gorduras e ao valor calórico de determinados géneros alimentícios. Devia proibir-se a venda de comida, qualquer que fosse o sítio, através de vending machines. A comida só deveria ser vendida nos locais próprios, como supermercados, mercearias, restaurantes, padarias, cafés e pastelarias. As quantidades de alimentos por menu das cadeias de fast-food deviam ser reguladas para impedir doses cada vez maiores. Comer fora de casa só devia ser permitido em estabelecimentos adequados. Evitava-se, por exemplo, que nas salas de cinema se ingerissem em poucos minutos cerca de 1200 kcal (na melhor das hipóteses!) em pipocas e coca-cola. Que vício é este, o de comer no cinema, que nos impingem? O consumo exagerado e compulsivo de comida deve ser encarado como uma doença. Alguém imagina, por exemplo, como resistiria um viciado em álcool, em tratamento de desintoxicação, se por todo lado por onde passasse houvesse uma vending machine de bebidas alcoólicas?

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