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Atenção ao consumo de bebidas energéticas por crianças, jovens e jovens adultos

O consumo de bebidas energéticas pode ser perigoso e deve ser desencorajado, em especial nas crianças e adolescentes que sofram de hiperactividade, diabetes, convulsões, alterações cardíacas ou distúrbios de humor e de comportamento ou que estejam a fazer qualquer medicação.

"Vários relatórios na literatura científica associam bebidas energéticas a efeitos secundários graves", explicou, em comunicado, Sara M. Seifert, membro da equipa de investigadores da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, que publicaram um estudo sobre o assunto na revista Pediatrics.

A equipa liderada por Steven Lipshultz analisou milhares de dados vindos de governos de vários países, grupos cívicos, relatos de casos na literatura científica e em artigos publicados na comunicação social. São vários os efeitos secundários do consumo de bebidas energéticas registados em jovens com menos de 23 anos: agitação, lesão hepática, insuficiência renal, psicose e enfarte agúdo do miocárdio. Verificou-se também que 46 por cento dos 5448 casos de overdose de cafeína, registados nos EUA em 2007, aconteceram em jovens com menos de 19 anos de idade.

Uma bebida energética pode conter valores de cafeína muito superiores a 100 miligramas, quantidade contida num café normal. Enquanto uma lata de Red Bull contém cerca de 80 miligramas de cafeína, a Relentless, comercializada pela Coca-Cola, contém 160 miligramas, a Cocaine, uma outra marca comercializada nos Estados Unidos, chega aos 280 miligramas e a Whoop Ass (na imagem) consegue incluir numa única lata 505 miligramas de cafeína.

Se pensarmos que um jovem pode beber várias latas por dia o panorama é assustador. De acordo com o estudo, entre 30 a 50 por cento dos adolescentes e jovens adultos consomem regularmente bebidas energéticas. Mas igualmente preocupante é, segundo os dados apresentados no estudo, o facto de existirem registos de crianças pequenas a consumirem entre quatro a cinco bebidas por dia. As propriedades conhecidas e desconhecidas dos ingredientes destas bebidas energéticas e a sua toxicidade podem colocar algumas destas crianças em risco.

Além da cafeína, as bebidas energéticas contêm frequentemente níveis elevados de estimulantes, como a taurina e o guaraná, não estando estabelecidos os níveis seguros para o seu consumo.

No artigo, os autores alertam ainda para o facto de estas bebidas energéticas serem frequentemente recomendadas para atletas, o que pode induzi-los a um maior consumo colocando a sua saúde em risco, sem o saberem. Outra situação preocupante que pode conduzir a casos dramáticos é o da ingestão combinada de bebidas energéticas e álcool.

Os investigadores reforçam a importância de as famílias e os prestadores de cuidados de saúde pediátricos estarem atentos e alerta para o risco de overdose que pode resultar em convulsões, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e até mesmo morte súbita.

As bebidas energéticas apareceram no mercado há mais de 20 anos, mas o seu consumo tem registado o crescimento mais rápido no sector das bebidas.
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