FUKUSHIMA: As crianças são quem mais poderá sofrer com a contaminação radioactiva

A ameaça de desastre nuclear na central de Fukushima é cada vez mais real. Segundo a Agência de Segurança Nuclear japonesa, as pessoas em Fukushima estão neste momento expostas a uma radiação superior a 8 milisieverts (mSv) por hora, o triplo da que uma pessoa poderá estar exposta no decorrer de um ano segundo as normas de segurança. A exposição a elementos radioativos poderá precipitar o aparecimento de diversos tipos de cancros designadamente da tiróide, pulmões, sangue e cólon, de gravidade proporcional à dose absorvida. Para proteger a saúde da população o governo japonês em conjunto com a Organização Mundial de Saúde tomaram, entre outras, duas medidas fundamentais: a evacuação do local num raio de vinte quilómetros em volta da central nuclear e distribuição de doses de iodo pela população.

Segundo o médico Manuel Sobrinho Simões, em entrevista publicada no jornal Público, as pastilhas de iodo servem para saturar a tiróide de iodo normal evitando assim a fixação do iodo radioactivo. Esta operação deve ser realizada, de preferência, uma hora antes da emissão de partículas contaminadas. Sobrinho Simões explica ainda porque é que as crianças são as mais afectadas:
"Quando acontece um acidente nuclear, é libertado iodo radioactivo, que é fixado, principalmente pelas chuva, nas pastagens, contaminando o gado e o leite produzido por esse gado. Trata-se de radiação beta que não penetra em grande profundidade no organismo, ao contrário da radiação gama libertada pela bomba atómica, como aconteceu em Hiroshima, e que provocou mais casos de leucemia e cancro do intestino. A principal consequência da contaminação com esta radiação é o desenvolvimento de cancro da tiróide. As crianças são as principais afectadas, uma vez que o iodo é fixado na tiróide, que só cresce até aos 15 anos. As crianças consomem também mais leite, o que aumenta o risco.”
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