terça-feira, 29 de março de 2011

Abriu o primeiro Centro de Apoio a Doentes com Cancro da Mama


Notícia recebida da Universidade do Porto:

Abriu no dia 24 de Março o primeiro Centro de Apoio a Doentes com Cancro da Mama - o Mama Help.
A criação deste centro foi pensada e promovida por Maria João Cardoso, professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e dirigente da Cirurgia Mamária da Unidade de Mama da Fundação Champalimaud.
O Mama Help reúne no mesmo local todo o suporte não médico, desde o apoio psicológico ou nutricional às terapias complementares, e destina-se a acompanhar as doentes com cancro da mama, seus familiares e amigos, em qualquer fase da doença desde o diagnóstico ao tratamento, na recidiva e até na cura.

De acordo com Maria João Cardoso, que preside o Conselho Científico deste Centro, "o projecto nasceu da constatação de que em Portugal existe uma lacuna nesta área, não existindo locais que, de forma integrada e profissionalizada, possam construir o suporte necessário aos doentes com cancro da mama."

Frisando que o Mama Help não pretende substituir-se aos hospitais, Maria João Cardoso defende que o Centro funcionará como um ponto de encontro e referência para todos os doentes com cancro da mama em busca de ajuda e com dúvidas relacionadas sobretudo com as consequências psicossociais da doença, qualquer que seja a unidade hospitalar onde tenham sido operados".

O centro situa-se na Ordem da Trindade e não tem fins lucrativos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Exercício físico reduz o efeito que o sal provoca na pressão arterial


De acordo com um estudo apresentado num congresso da American Heart Association, nos Estados Unidos, a prática de exercício físico reduz o efeito que o sal provoca na pressão arterial. Os resultados deste estudo mostram que quanto maior é a prática de exercício físico, menor é o aumento da pressão arterial em resposta a uma dieta com elevado teor de sal.

Para o estudo, os investigadores da Tulane University School of Public Health & Tropical Medicine, em Nova Orleães, compararam ao longo de duas semanas a pressão arterial de 1906 participantes que tinham, durante uma semana, adoptado uma dieta com baixo teor de sal (3 g/dia) e na semana seguinte uma dieta rica em sal (18 g/dia). De acordo com a American Heart Association, o consumo de sal deve ser inferior a 1,5 g/dia.


Se a pressão sistólica média de uma pessoa aumentava cerca de 5% ou mais, devido à alteração da dieta para uma de alto teor de sal, os investigadores consideravam que o participante em questão era sensível ao sal.


Os investigadores dividiram os participantes em quatro grupos desde os fisicamente muito activos até aos bastante sedentários.


O estudo revelou que, em média, o aumento da pressão arterial sistólica após a alteração de uma dieta pobre para uma dieta rica em sal, tendo em conta a idade e o sexo dos pacientes, foi de 5,27 mm Hg para ao grupo mais sedentário, 5,07 mm Hg para o grupo que praticava pouca actividade física, 4,93 mm Hg para o grupo de participantes que praticava algum exercício físico e 3,88 mm Hg para os fisicamente mais activos.


Em comparação com o grupo mais sedentário, a probabilidade de ser sensível ao sal, de acordo com a idade e o sexo do paciente diminui 10% no grupo que praticava pouca actividade, 17% o grupo de participantes que praticava algum exercício físico e 38% para os fisicamente mais activos.


De acordo com o líder da investigação Casey M. Rebholz, os "pacientes deveriam ser aconselhados a aumentar a actividade física e a diminuir o consumo de sal." Acrescentando que, "a restrição de sal é particularmente importante na redução da pressão arterial nas pessoas mais sedentárias."

Fonte
ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Vida longa e sem doença ?

A manutenção da integridade do DNA ao longo da vida é a chave para atrasar o envelhecimento e eliminar doenças degenerativas como o cancro ou o Alzheimer. Investigadores americanos descobriram o modo como a manutenção do DNA é regulada abrindo novas perspectivas de preservação da informação genética. Em comunicado de imprensa, o investigador responsável pelo estudo, Robert Bambara, do departamento de bioquímica e biofísica da University of Rochester Medical Center, nos Estados Unidos revelou que "se nós encontrarmos um meio de melhorar a protecção da parte do DNA envolvido na produção de proteínas, aumentando o que faz o nosso corpo para eliminar os erros, poderemos viver mais tempo. Um tratamento que permitisse fazer uma pequena alteração no mecanismo de regulação da acetilação ajudava a atrasar o início do desenvolvimento de cancros e doenças neurológicas."A chave, segundo o líder da investigação, seria ”uma simples abordagem preventiva, não para a imortalidade, mas, para uma vida sem doença".

sexta-feira, 25 de março de 2011

OBESIDADE E DISFUNÇÃO ERÉCTIL

Notícia recebida da Universidade do Porto (noticias.up.pt):

Obesidade piora funcionamento vascular do pénis
Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que a percentagem de gordura corporal tem uma correlação inversa com a função eréctil vascular. Ou seja: “quanto mais obesos formos, pior o funcionamento vascular do nosso pénis”, sumariza Nuno Tomada, investigador principal deste trabalho recentemente publicado no Journal of Sexual Medicine.

Ler notícia completa aqui.

quinta-feira, 24 de março de 2011

NOVA MEDIDA DE OBESIDADE


O Indice de Massa Corporal - IMC (em inglês Body Mass Index - BMI) tem sido usado desde há 200 anos para determinar se uma pessoa é ou não obesa. Porém, alguns problemas desse índice (por exemplo, algumas deficiências da sua aplicação a crianças) têm levado à procura de novos índices. O último é o Índice de Adiposidade Corporal - IAC (em inglês Body Adiposity Index - BAI) e tem a vantagem de não necessitar de pesagem numa balança.

O IMC define-se como a razão do peso em quilogramas pela altura em metros ao quadrado:

IMC = Peso / Altura^2

O IAC define-se como a razão da medida da cintura dos quadris em centímeros pela potência três meios da altura em metros, sendo depois o resultado subtraído de 18.

IAC = ( Perímetro quadris / (Altura^(3/2)) ) - 18

A altura levantada à potência 3/2 = 1,5 pode também obter-se multiplicando a altura pela raiz quadrada da altura. O número resultante mede directamente a percentagem de gordura corporal, havendo tabelas para verificar a existência de obesidade nos dois géneros.

Um cálculo directo de IMC e IAC pode ser feito no final deste sítio (atenção: escolha as unidades correctas):

http://www.sweetadditions.net/health/body-adiposity-index-calculator-tool-better-than-bmi

Se os valores nãop estiverem normais, as leitores e leitores deste blogue já saberão o que fazer...

COMIDAS OCIDENTAIS, DOENÇAS OCIDENTAIS

Do último livro de Michael Pollan publicado em Portugal, "Saber Comer" (Lua de Papel), deixo em excerto:

"As populações que comem a chamada dieta ocidental - normalmente definida como uma dieta que consiste em muitos alimentos processados e muita carne, muita gordura e açúcar, muitos cereais refinados, muito de tudo excepto de vegetais, frutas e cereais integrais - sofrem invariavelmente de taxas elevadas das chamadas doenças ocidentais: obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e cancro".

domingo, 20 de março de 2011

PRIMAVERA: A MELHOR ÉPOCA DO ANO PARA EMAGRECER


Este cartoon é um pouco cruel ao caricaturar a má sensação que muitos de nós experimentamos no fim do Inverno quando nos vemos ao espelho ou medimos o peso numa balança. Isto acontece porque os dias pequenos e frios levam-nos a comer alimentos mais calóricos e a realizar menos exercício físico. Depois, o espelho e a balança trazem-nos as más notícias. As boas notícias são que está a começar a época quente, que, como digo no meu livro "Emagrecer É.." (Gradiva 2010) é a melhor época do ano para emagrecer... Os dias convidam agora a refeições mais moderadas e ao exercício no exterior. O apêndice três do livro contém um plano alimentar, "O método de Eiras", fácil de seguir que, sem passar fome, nos vai pôr novamente na linha. Em breve seremos nós a rir-nos do espelho e da balança.

HUMOR: O PESO DO SUPERHOMEM

Guias sobre saúde e alimentação

Os jornais JN e DN estão a vender, por cinco euros, com as suas edições "Guias de Saúde", redigidos por especialistas da Faculdade de Medicina do Porto e do Hospital de S. João. O livro que saiu em 5 de Março era sobre "Anorexia e Bulimia / Obesidade". O livro de 12 de Março sobre "Diabetes / Nutrição" e o de 19 de Março sobre "Aleitamento Materno / Diagnóstico Pré-Natal".

Por sua vez a revista "Focus" está a distribuir gratuitamente guias de saúde. O de 30 de Março é sobre "Diabetes" e o de 18 de Maio é sobre "Alimentos e Nutrição".

Finalmente, a revista "Sábado" começou a distribuir, guias sobre alimentação para a saúde da autoria da Dr.ª Isabel do Carmo: "Coma Bem Viver Melhor". O primeiro, que saiu na passada quinta-feira, foi gratuito e os próximos volumes custarão apenas um euro.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Campanha "Comer bem é mais barato"


Informação recebida da Associação Portuguesa dos Nutricionistas:

Várias entidades lançaram esta semana a campanha "Comer bem é mais barato" com o objectivo de contribuir para mudar atitudes e comportamentos alimentares das famílias portuguesas.

A campanha, criada pela Fundação Gulbenkian, Fundação EDP e SIC, com o apoio da DECO e da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, “foi motivada por dados que dão conta de uma progressiva deterioração dos hábitos alimentares dos portugueses, que a crise económica e social veio agravar”.

Segundo o comunicado de imprensa, existe “uma relação directa entre a falta de recursos, o pouco tempo de que os portugueses dispõem e a falta de informação ou de motivação para melhorarem hábitos de consumo e de confecção dos alimentos”. Da campanha fazem parte ‘spots’ televisivos em que serão apresentadas sete refeições completas e equilibradas, do ponto de vista nutricional, pelo valor de um euro.

Da campanha faz ainda parte um roadshow - uma carrinha que viajará por sete cidades, parando em locais públicos para confeccionar as receitas da campanha. Nestas paragens será proposto o regresso ao tipo de cozinha tradicionalmente praticada na bacia do Mediterrâneo, com base em nutrientes como o azeite, os frutos e legumes frescos e o consumo moderado de produtos lácteos, carne e peixe. Entre os alimentos serão identificados aqueles que, pelo preço reduzido, melhor se encaixam nos orçamentos familiares carenciados.

As cidades serão Lisboa, Porto, Coimbra, Viana do Castelo, Santarém, Évora e Faro. Nestas acções de proximidade está prevista ainda a distribuição gratuita de um livro com as receitas divulgadas durante a campanha.

Veja reportagem da Sic aqui.

quarta-feira, 16 de março de 2011

FUKUSHIMA: As crianças são quem mais poderá sofrer com a contaminação radioactiva

A ameaça de desastre nuclear na central de Fukushima é cada vez mais real. Segundo a Agência de Segurança Nuclear japonesa, as pessoas em Fukushima estão neste momento expostas a uma radiação superior a 8 milisieverts (mSv) por hora, o triplo da que uma pessoa poderá estar exposta no decorrer de um ano segundo as normas de segurança. A exposição a elementos radioativos poderá precipitar o aparecimento de diversos tipos de cancros designadamente da tiróide, pulmões, sangue e cólon, de gravidade proporcional à dose absorvida. Para proteger a saúde da população o governo japonês em conjunto com a Organização Mundial de Saúde tomaram, entre outras, duas medidas fundamentais: a evacuação do local num raio de vinte quilómetros em volta da central nuclear e distribuição de doses de iodo pela população.

Segundo o médico Manuel Sobrinho Simões, em entrevista publicada no jornal Público, as pastilhas de iodo servem para saturar a tiróide de iodo normal evitando assim a fixação do iodo radioactivo. Esta operação deve ser realizada, de preferência, uma hora antes da emissão de partículas contaminadas. Sobrinho Simões explica ainda porque é que as crianças são as mais afectadas:
"Quando acontece um acidente nuclear, é libertado iodo radioactivo, que é fixado, principalmente pelas chuva, nas pastagens, contaminando o gado e o leite produzido por esse gado. Trata-se de radiação beta que não penetra em grande profundidade no organismo, ao contrário da radiação gama libertada pela bomba atómica, como aconteceu em Hiroshima, e que provocou mais casos de leucemia e cancro do intestino. A principal consequência da contaminação com esta radiação é o desenvolvimento de cancro da tiróide. As crianças são as principais afectadas, uma vez que o iodo é fixado na tiróide, que só cresce até aos 15 anos. As crianças consomem também mais leite, o que aumenta o risco.”

terça-feira, 15 de março de 2011

Uma má alimentação durante a gravidez pode determinar a diabetes do filho


Durante a gravidez a alimentação deve ser ajustada às necessidades especiais que se estabelecem nesse período de forma a garantir o bom desenvolvimento do novo ser e a saúde da mãe. A dieta durante os períodos de crescimento e desenvolvimento, como acontece durante os nove meses da gravidez, é considerada um factor ambiental decisivo para a saúde futura do bebé.

A epigenética é um ramo recente da biologia que estuda o modo como o ambiente e as opções de vida podem influenciar, a curto prazo, o nosso código genético e o dos nossos filhos. Está perfeitamente estabelecido que os factores ambientais interagem com os genes ao longo da vida, afectando a expressão desses mesmos genes e, consequentemente, a função dos tecidos e o risco de doença.

O gene Hnf4a desempenha um papel importante durante o desenvolvimento do pâncreas e, mais tarde, na produção de insulina. Desta forma, os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, colocaram a hipótese de que a dieta adoptada durante a gravidez influencia a expressão deste gene mais tarde na vida, e consequentemente, o risco de diabetes. Para testar esta teoria os investigadores liderados por Susan Ozanne utilizaram um modelo animal, onde a alteração do conteúdo proteico da dieta da mãe durante a gravidez conduzia ao desenvolvimento de diabetes tipo 2 nas crias, na idade adulta. O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, revelou que a expressão do gene Hnf4a é regulada pela dieta materna através de modificações epigenéticas do ADN.

domingo, 13 de março de 2011

LIMÃO: O rei dos frutos terapêuticos

Ontem deram-me um saco de limões e como sei que estes frutos têm inúmeras propriedades terapêuticas resolvi investigar sobre os compostos que o constituem. O limão, Citrus limonum, é uma das frutas mais conhecidas e utilizadas no mundo. Tanto o seu sumo como a casca contêm vários compostos com propriedades que promovem a saúde, sendo até denominado o rei dos frutos terapêuticos. O cirurgião inglês, John Wodall, em 1617, recomenda, no seu livro The Surgeon's Mate, o uso de sumo de limão para a profilaxia e cura do escorbuto, doença muito frequente entre os marinheiros e piratas que passavam longos meses no mar. Soube-se posteriormente que a doença era originada pela falta de ácido ascórbico ou vitamina C, necessária para síntese de colagénio no organismo humano. Nos dias de hoje já ninguém sofre de escorbuto, mas a insuficiência de vitamina C provoca algumas desordens orgânicas, entre elas a astenia (cansaço da Primavera), falta de apetite, doença reumática, tendência para hemorragias da pele e das mucosas, propensão para catarros nas vias respiratórias, problemas digestivos e urinários. Quando tais sintomas aparecem, é altura de comer diariamente limões e laranjas para recuperar a saúde (Ernest Schneider, A Saúde pelos alimentos, Publicadora Atlântico). Estima-se que a necessidade média diária de Vitamina C seja entre 50 a 100 mg e dependem da idade, sexo, prática desportiva, hábitos de consumo de tabaco e álcool, entre outros factores, quantidade que se encontra em 100 a 200 g de sumo de limão ou de laranja.

Mas, os limões não contêm só vitamina C. No seu sumo estão presentes também pectinas, glícidos, ácidos cítrico e málico, vitaminas do complexo B e flavonóides (A.Proença da Cunha, Plantas aromáticas em Portugal caracterização e utilizações, Fundação Calouste Gulbenkian 2007). A acidez do sumo de limão é atribuída ao ácido cítrico, um ácido forte, mas que curiosamente tem um efeito alcalinizante do meio interno. Isto acontece porque durante a digestão do ácido cítrico formam-se, a partir dele, compostos alcalinos como os carbonatos e bicarbonatos de cálcio e potássio. Um dos efeitos notáveis do limão é, por exemplo, o de combater o ácido úrico sendo por isso uma mais valia no combate das diversas patologias reumáticas e artríticas. Nestes casos a recomendação é ingerir um copo de água com sumo de meio limão, todos os dias, pela manhã, fazendo deste modo o desjejum.

Na casca do limão existe caroteno (pro-vitamina A) responsável pela cor amarela e um composto volátil responsável pelo odor característico do fruto, o limoneno. Este é o maior constituinte de muitos óleos essenciais. O chá de casca de limão é digestivo e anti-séptico, por isso mesmo deve ser tomado, no primeiro caso para ajudar nas digestões difíceis e no segundo caso para auxílio no combate às gripes e constipações.



quarta-feira, 9 de março de 2011

ENTREVISTA À REVISTA GINGKO

Partilho com os leitores do blogue as respostas que dei às questões colocadas pela jornalista Teresa Violante da revista Gingko, sobre a obesidade:

G - O que é obesidade? A partir de que momento se pode afirmar que uma pessoa é obesa?
AC
- A obesidade é uma doença crónica que pode atingir toda a gente – mulheres, homens, crianças e idosos. Caracteriza-se por acumulação de tecido gordo para além da que é necessária ao normal funcionamento e equilíbrio de um corpo saudável. A obesidade reduz a qualidade e a esperança de vida devido à sua relação com a diabetes, a hipertensão, o colesterol elevado, problemas nas articulações, baixa auto-estima, etc. Pode medir-se e mede-se internacionalmente pelo chamado Índice de Massa Corporal, um valor que se obtém dividindo o peso pelo quadrado da altura: de uma forma simples o valor indica se um indivíduo adulto tem peso baixo, peso normal ou peso excessivo. Há pré-obesidade quando o valor é superior a 25 e há obesidade quando o valor é superior a 30 kg/m^2.


G - Qual a dimensão/gravidade do problema a nível nacional?
AC - Infelizmente trata-se de um flagelo mundial. A Organização Mundial de Saúde chamou à obesidade a epidemia do século XXI, pois continua a alastrar de modo preocupante em muitos países, incluindo o nosso. Em Portugal, prevê-se que, se nada se fizer em contrário, no ano de 2025 metade da população portuguesa venha a ser obesa. Há, portanto, um problema de saúde pública. Esse problema põe-se em particular entre os jovens, que se alimentam mal, com grande prejuízo da sua saúde actual e futura.

G - Quais os erros alimentares mais comuns? É possível apontar alimentos “vilões”?

AC - Os jovens usam e abusam de comida rápida, em vez de alimentos necessários para o seu crescimento: hambúrgueres, pizzas, sumos que de sumo pouco têm, cereais açucarados, etc. Quanto aos adultos eles têm maus hábitos alimentares, com o abuso de gorduras e hidratos de carbono: carnes gordas, batatas fritas, etc. Os alimentos “vilões” são todos os que fornecem demasiadas calorias, pois, se estas não forem gastas através de actividade física, irão contribuir para o excesso de peso.

G - Segundo o ditado popular, “somos o que comemos”. Mas também há quem coma de forma incorrecta e, graças aos genes, não engorde. Qual o peso da alimentação e da componente genética para o excesso de peso?

AC - Sim, é verdade que o nosso corpo é construído com base nos alimentos que ingerimos. Por isso, ter cuidado com o que comemos é o melhor seguro de saúde que podemos fazer. De facto, há algumas – poucas – pessoas que, apesar de não terem o devido cuidado com o que comem, não apresentam sinais de obesidade. Mas elas são a excepção e não a regra. Para a maioria das pessoas, a alimentação regrada é um factor crítico para assegurar um peso adequado. Por outras palavras, o ambiente é, em geral, mais importante que os genes.


G - Alguns casos de excesso de peso estão associados a carências/perturbações psicológicas. O stresse, a ansiedade, a depressão, levam a que se coma de forma compulsiva. Estes casos são mais complicados de resolver?

AC - Sim, como corpo e mente estão intimamente ligados, há uma componente psicológica na alimentação: muitos problemas de défice ou de excesso de peso têm essa componente. São, de facto, situações muito complicadas. À falta de peso, baseada na recusa de alimentos de origem mental, dá-se o nome de anorexia nervosa e ocorre nalgumas jovens. Ainda há pouco correu o mundo a notícia de uma modelo francesa que morreu extra-magra. Mas é mais frequente o problema de excesso de peso com uma origem psicológica: frustrações na vida pessoal ou profissional conduzem à procura inconsciente de calorias nos alimentos num mecanismo de compensação. Na minha consulta de nutrição tenho encontrado muita gente que, quando chega do trabalho, vai logo, com grande ansiedade, abrir a porta do frigorífico. Ou que “ataca” o frigorífico a altas horas nocturnas… Procura-se compensar com calorias a satisfação que falta. No meu livro “Emagrecer é…” dou algumas indicações sobre o modo como lidar com esse tipo de situações. É tudo uma questão de auto-controlo e de escolha de alimentos certos para essas situações. Mas, é mais fácil de dizer do que de fazer...

G - Não há fórmulas mágicas para reduzir o peso, mas antes do Verão é certo e sabido que as dietas rápidas são seguidas por muitos. Qual o impacto da adopção desses comportamentos?

AC - Entre nós, o tempo do Verão é o tempo de ir à praia e, portanto, de mostrar o corpo. É, por isso, natural que se tenha mais cuidado com a linha, isto é, que haja preocupação em alcançar padrões de beleza socialmente aceitáveis. A Primavera-Verão é a melhor época do ano para emagrecer, pois, por um lado, há uma grande variedade de frutas e saladas, e, por outro lado, o tempo agradável convida à prática de exercício físico, como passeios e caminhadas. Mas é absolutamente contraproducente seguir dietas rápidas para atingir o padrão desejado. A gordura demorou algum tempo a acumular e vai ter de demorar algum tempo a desaparecer. As dietas rápidas não funcionam pela simples razão de que ninguém aguenta um regime muito restritivo por muito tempo. E os quilos perdidos acabam por reaparecer, por vezes acompanhados por mais alguns…

G - Muitas pessoas não têm motivação para combater o excesso de peso. Qual o impacto de programas televisivos como “The Biggest Loser”, que em breve terá uma versão portuguesa?

AC - A motivação é essencial e deve vir do próprio. Claro que motivação adicional pode provir da ajuda de familiares, amigos ou colegas, mas o próprio, que é ou deve ser o principal interessado, tem de estar determinado a mudar os seus hábitos alimentar e de vida. A motivação é essencial. Tal como em muitos outros aspectos da vida, querer é poder. Pode custar um bocadinho de início, mas a compensação de se sentir, depois, mais leve e mais saudável é enorme. Os livros e os média, incluindo a televisão e a Internet, podem ser boas fontes de consulta. Os programas de televisão, como o “Peso Certo” chamam a atenção para o problema da obesidade. Podem servir para chocar. Mas não passam de espectáculos, bem encenados…Por vezes as mensagens transmitidas não se adequam aos casos individuais.

G - Afirmou no livro “Emagrecer é…” que “é pela boca que se engorda, é pela boca que se emagrece”. Mas o exercício físico também é fundamental. A combinação de alimentação correcta com a aposta em actividade física é a fórmula certa para combater o excesso de peso?


AC - Sim, obtém-se o peso certo combinando alimentação adequada com exercício físico também adequado. De uma maneira muito simples, para não acumular calorias, as calorias que entram devem equilibrar as calorias gastas no metabolismo interno e na actividade física. Mas, dito isto em geral, fica por dizer muita coisa. Sabe-se hoje que há calorias e calorias, isto é, alguns alimentos têm calorias que se dirigem mais para o metabolismo: crescimento da massa muscular ou da estrutura óssea, sem haver acumulação de gordura. E a perda de calorias por exercício tem de ser feita com o devido cuidado: nem toda a gente pode ter as mesmas práticas.

G - Qual o apoio prestado por um nutricionista a uma pessoa que deseja perder peso?

AC -
Um acompanhamento pessoal especializado ajuda a escolher o melhor regime alimentar para cada caso individual. E, além disso, esse acompanhamento tem a vantagem de proporcionar o "coaching" sem o qual as resoluções pessoais têm pequena probabilidade de êxito. As revistas ou livros contêm regras gerais. Mas as pessoas têm idades, constituições físicas, hábitos alimentares e estilos de vida diferentes. Só um(a) nutricionista tem formação e experiência necessárias para efectuar um diagnóstico e um tratamento específico para cada pessoa. E só um(a) nutricionista pode seguir a evolução dos efeitos do regime, adaptando-o para ter o melhor resultado, reforçando a vontade de quem o segue. É como diz o ditado:"a tenda quer-se com quem a entenda".

G - Nalguns casos é necessário recorrer à cirurgia. O aconselhamento de um nutricionista é também fundamental nessa fase?

AC - Sim, em casos de obesidade extrema, não há melhor solução do que uma intervenção cirúrgica. Mas também aqui o acompanhamento por um(a) nutricionista é muito útil, tanto na fase pré-cirurgica, como, principalmente, na fase do pós-operatório, em que, com um “corpo novo”, há que seguir um novo regime. Alguns dos doentes que acompanho perderam muitos quilos graças a cirurgias, tendo melhorado muito a sua qualidade de vida.

G - Hoje é muito comum as pessoas comerem fora de casa. Como podem fazer escolhas saudáveis e nutritivas?

AC - O ideal é sempre comer em casa, pois tem-se melhor controlo sobre tudo aquilo que se ingere. Mas o estilo de vida moderna, designadamente nas cidades, obriga a comer fora de casa. Comer num restaurante não é hoje desculpa para engordar. Pode-se sempre escolher um restaurante de comida saudável ou pedir comida saudável num restaurante normal. Começar com um prato de sopa, é meio caminho andado para fazer uma refeição baixa em calorias. Do segundo prato podem sempre rejeitar-se as batatas e o arroz substituindo-os por leguminosas, legumes ou saladas.

G - O que recomenda para o lanche a meio da manhã e da tarde?

AC - Comer várias vezes ao dia é um dos segredos de emagrecer. Recomendo uma peça de fruta – tenha maçãs sempre à mão – ou um iogurte natural ou de aromas. Pode misturar os iogurtes com a fruta. Se puder evite o pão nessas alturas, mas se o comer, escolha pão integral e com queijo magro. Quanto a bebidas, água, infusões ou café sem açúcar, são as melhores formas de ingerir líquidos. Convém não esquecer que quem passa o dia sentado em frente a um computador gasta muito pouca energia não devendo fazer grandes lanches, se não quer engordar!

terça-feira, 8 de março de 2011

TERÇA FEIRA GORDA


Hoje é Terça-feira gorda, o ultimo dia do Carnaval. Em francês diz-se "Mardi Gras", o nome por que é conhecida a grande festa do Carnaval em New Orleans (ver figura), a capital do estado norte-americano da Louisiana outrora território francês. A palavra gorda significa que, de acordo com as recomendações antigas da Igreja, era o último dia em que se podia, sem impedimentos, comer carne, pois a seguir vinha a Quaresma. Etimologicamente Carnaval pode querer significar "Adeus à Carne": do latim tardio, "Carne vale", ou em italiano "Carne levare" (há outros possíveis significados). Nos tempos de hoje, de abundãncia de carne, esta tradição está esquecida. Mas comer menos carne, em particular carne gorda, significa decerto viver melhor...

HUMOR: FALTA DE CÁLCIO

- Precisa de incluir mais cálcio na sua dieta.

"Eu Consegui": Superação da obesidade na "Gingko"


Breve extracto de um artigo sobre superação da obesidade intitulado "Eu Consegui", da autoria da jornalista Teresa Violante, publicado na revista "Gingko" (número de Fevereiro / Março, já nas bancas):
“É pela boca que se engorda, é pela boca que se emagrece”, afirma a nutricionista Ana Carvalhas no seu livro Emagrecer É…. Se os jovens “usam e abusam de comida rápida”, os adultos “têm maus hábitos alimentares, como abuso de gorduras e hidratos de carbono, carnes gordas, batatas fritas, etc.”, enumera a especialista.

A DIETA DO GARFIELD

segunda-feira, 7 de março de 2011

O FRUTO DA LONGA VIDA


Sabe-se que as maçãs e outros vegetais como os brócolos, os tomates, os mirtilos azuis são boas fontes de compostos antioxidantes que actuam contra os radicais livres, produzidos nas células, responsáveis pelo envelhecimento e por algumas doenças. Um grupo de cientistas provou que os polifenóis das maçãs (um grupo químico de antioxidantes) prolongam a vida, de animais de laboratório, em dez por cento.
Ler aqui o artigo publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry

quinta-feira, 3 de março de 2011

Adolescentes portuguesas são das mais gordas da OCDE

Segundo o relatório Situação Mundial da Infância 2011, da UNICEF, Portugal é um dos sete países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que registaram níveis mais elevados de obesidade entre raparigas adolescentes durante o ano de 2007. Este relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), refere que nos "países industrializados e em desenvolvimento, a obesidade é uma preocupação séria e crescente". De um conjunto de dez países em desenvolvimento, a UNICEF constatou que entre 21 a 36% de raparigas com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos apresentavam excesso de peso, com um índice de massa corporal superior a 25. Os países da OCDE, com níveis mais altos de obesidade registados em 2007, são Espanha, Grécia, Itália e Portugal, e também as principais nações anglófonas, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido .

terça-feira, 1 de março de 2011

COMER BEM EM TEMPO DE CRISE

A crise económica que estamos a atravessar, associada a altos índices de desemprego, redução de salários e aumento dos preços dos bens essenciais, tem levado inúmeras famílias a cortar nas despesas com alimentação. Este facto que, à primeira vista, é um problema grave, pois comer é uma das mais básicas necessidades humanas, pode ser aproveitado de uma forma inteligente para dar uma volta nos (maus) hábitos alimentares instalados em muitas casas. É interessante notar que a palavra "crise" se escreve em chinês combinando dois caracteres: «perigo» e «oportunidade», ou seja, os momentos caóticos e perigosos podem ser, afinal, oportunidades de renovação.

Como nutricionista, deixo um conjunto de regras, que reuni não exaustivamente, destinadas a poupar dinheiro na alimentação, sem nunca perder de vista as necessidades fundamentais de nutrientes que proporcionam saúde a todos os elementos da família.

Tome o pequeno-almoço sempre em casa usando alimentos tradicionais: leite ao qual pode juntar café ou chocolate, se não desejar tomá-lo simples, e um pão com manteiga ou queijo ou mesmo sem nada. Pode parti-lo aos bocadinhos e colocá-lo dentro da sua taça de leite, matando saudades das tradicionais "sopinhas de leite". Esqueça os cereais de pequeno-almoço, que são muito mais caros e, ao contrário do que a indústria alimentar quer fazer crer, não são nada saudáveis.

Leve sempre consigo fruta, pão, leite ou iogurte, para comer a meio da manhã ou da tarde. Assim evita gastar dinheiro em "snacks". Procure que o seu filho leve também de casa os lanches da manhã e da tarde. Comer no bar da escola fica mais caro. Além disso, evitará que ele consuma gomas ou outras guloseimas pouco ou nada recomendáveis.

O almoço e jantar devem ser sempre iniciados com um bom prato de sopa de legumes, um alimento muito barato, com poucas calorias, mas nutricionalmente inigualável. Para segundo prato não há necessidade de comer carne e peixe, alimentos mais caros, todos os dias. ao almoçoe jantar. As leguminosas, feijão, grão, lentilhas, etc., contêm proteínas com um perfil de aminoácidos muito interessante e que são, portanto, bons substitutos da carne e do peixe. Uma lata de feijão ou grão, que custa pouco mais do que cinquenta cêntimos, pode ser o princípio de uma boa refeição para toda a família. Experimente fazer um rancho, grão com massa cotovelo, cenoura e couve (ao qual pode juntar um bocadinho de linguiça para dar sabor) ou então experimente feijão frade ou grão de bico com cebola picada, salsa e um ovo cozido e/ou uma lata de atum.

Os ovos são também excelentes fontes de proteínas. Utilize-os nas suas refeições duas a três vezes por semana. E não tenha medo do colesterol. Está mais do que provado que o que faz subir o LDL-colesterol (o mau) são as gorduras hidrogenadas tão usadas pela indústria alimentar nos mais variados produtos (bolachas, bolos, cereais de pequeno-almoço, molhos, refeições prontas, etc.) e não o colesterol ingerido nos alimentos.

Outro modo de poupar no peixe e na carne é optar pela confecção de pratos que levam menos quantidade destes ingredientes, como feijoadas com pouca gordura, jardineiras, caldeiradas ou arroz de peixe ou massada de peixe. Compre mais vezes os peixes que são tradicionalmente pescados na nossa costa, como sardinha, carapau, cavala, fanecas, etc. e, quanto às carnes, a melhor escolha são as de aves e de porco.

Os legumes devem ser frescos, mas os congelados mantêm a qualidade nutricional e dão muito jeito a quem tem pouco tempo para preparar as refeições. Ficam um bocadinho mais caros, mas cada um deve ponderar se a diferença de preço compensa o menor tempo gasto na sua preparação.

Quanto às frutas, as de origem nacional são normalmente mais baratas e de boa qualidade. Pessoalmente privilegio o que é nosso. As maçãs de Moimenta da Beira, por exemplo, que se vendem já em sacos são tão saborosas quanto baratas, batendo as maçãs francesas ou italianas mais vistosas.

Quanto às bebidas, sumos e vinhos podem muito bem ser substituídos por água da torneira. Quando pagamos a conta da água estamos, claro, a pagar o tratamento de desinfecção a que foi sujeita. Para quê pagar por água engarrafada?

Evite almoçar ou jantar fora. É claro que o valor de um jantar num restaurante dá para comprar carne para toda a semana…

A alimentação para a saúde deve ser maioritariamente feita com base em alimentos naturais (ver imagem). Estes alimentos que se situam nas zonas periféricas dos supermercados são também os mais baratos. Poderá não ser fácil deixar alguns costumes que são caros e maus. Mas, vivemos numa época em que as mudanças que fazem uma enorme diferença no orçamento familiarse tornam inevitáveis. Olhemos a crise como uma oportunidade de renovar o modo como fazemos compras, escolhendo melhor os alimentos que vamos comer, confeccionando as refeições em casa, e levando para o trabalho alimentos naturais e saudáveis.