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DIETA, EXERCÍCIO E LONGEVIDADE

O Dr. Richard Hodes (67 anos) dirige o Institute Nacional de Envelhecimento do NIH dos Estados Unidos. Traduzi um passo da recente entrevista que deu ao New York Times sobre a relação entre dieta, exercício físico e envelhecimento:

"P. Quais são as notícias mais recentes sobre dieta e exercício?

R. Existem provas abundantes em muitas áreas de que o estilo de vida faz toda a diferença no envelhecimento. Um dos melhores exemplos foi um estudo de prevenção do diabetes apoiado pelos institutos de envelhecimento e diabetes. Os investigadores compararam estratégias para reduzir a diabetes em pessoas que estavam em risco elevado de desenvolver a doença. A um grupo foi fornecida a melhor informação sobre o bom tratamento, a segunda recebeu metformina, um medicamento que diminui o açúcar no sangue, e o terceiro grupo seguiu um regime de exercícios e dieta (mudança de estilo de vida).

A idade era uma das variáveis. Nos adultos jovens, tanto o estilo de vida como os tratamentos com medicamentos revelaram-se eficazes. Para as pessoas com mais de 60 anos, o remédio não teve qualquer efeito, mas a mudança do estilo de vida reduziu novos casos de diabetes de 71 por cento. Em 2009, um estudo de acompanhamento mostrou que o grupo dos mais velhos tinha mantido, em parte, a sua perda de peso e a sua actividade juntamente com alguns dos benefícios no metabolismo da glicose. O estudo continua.

P. E a pesquisa sobre o exercício e envelhecimento?

R. A epidemiologia é certamente muito forte e sugestiva de que a actividade física e o exercício físico se correlacionam com menor risco de morte, de doenças cardíacas e de deficiências em geral. No entanto, é importante testar essas correlações em ensaios clínicos, para nos certificarmos que sabemos o que é realmente a causa e o efeito.

Temos em curso um grande ensaio clínico que compara um grupo que recebe apenas informações sobre um estilo de vida saudável com um grupo de indivíduos semelhantes mas que segue um regime de exercícios muito rigoroso. Saberemos no final deste estudo, daqui a cerca de três anos, se esta intervenção com exercícios específicos impediu as pessoas de ficarem com alguma deficiência - este será um grande passo, que começou com os estudos epidemiológicos e alguns estudos de curto prazo, no sentido de determinar se poderemos dispor de uma intervenção que impeça
deficiência a longo prazo.

O mesmo estudo também irá determinar se o exercício afecta as mudanças cognitivas, se a actividade física pode preservar a capacidade cognitiva à medida que se envelhece, e se pode também ter influência na doença de Alzheimer e na demência.

Os estudos em ratinhos são absolutam
ente fascinantes. A prática de exercício nas suas gaiolas melhora realmente a sua capacidade de gerar novas células cerebrais. O que não sabemos é se é possível uma intervenção ao nível do exercício que vai realmente influenciar as funções cognitivas a longo prazo."
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