VIDA SIM, DROGAS NÃO


Li a notícia no jornal "Público" de 17 de Novembro e fiquei assustada. Um medicamento para emagrecer, comercializado pelo nome Mediator e fabricado pelo laboratório Servier, o segundo em França, deve ter provocado mais de 500 mortes só em França durante os 33 anos em que esteve à venda (1976 a 2009). Este foi praticamente o mesmo período em que também esteve à venda em Portugal, mas não se conhecem dados sobre fatalidades no nosso país.

Apesar de se tratar de um medicamento para diabéticos, muitas pessoas que queriam perder peso usaram-no uma vez que se conhecia um efeito de redução do apetite. Mas a molécula activa podia originar complicações cardíacas fatais, uma vez que provocava deformações das válvulas cardíacas que em casos extremos conduziam à morte. Esta conclusão foi obtida numa série de trabalhos recentes de uma equipa da Drª Irène Frachon, do Centro Hospitalar de Brest, mas pode ter havido negligência grave pois as moléculas não eram propriamente desconhecidas, tendo antes sido retiradas do mercado por serem constituintes de outros fármacos e haver indícios do perigo. O livro recente da autoria da médica "Mediator, quantos mortos?" está a causar grande polémica em França, com uma queixa do laboratório em tribunal que levou à censura do subtítulo (ver imagem). Certo é que mais de 300 000 franceses (dois terços mulheres) tomaram o medicamento!

Os problemas das drogas para emagrecer são conhecidos há muito. No meu livro "Emagrecer é..." (Gradiva) explico por que razão não vale a pena recorrer a fármacos para emagrecer. Um trecho precisamente sobre esse tema do meu livro pode ser lido aqui.
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