ESTAS NOTÍCIAS SÃO PERIGOSAS

Li hoje no site cienciahoje.pt uma notícia com o título "Perdeu 12 quilos alimentando-se de guloseimas". Trata-se de uma experiência levada a cabo por Mark Haub (na imagem), docente de dietética, que quis provar que o aporte energético deve ser adaptado.

O professor norte-americano, da Universidade do Kansas, com 41 anos quis usar o seu corpo como cobaia para avaliar as consequências de um regime alimentar com menos calorias apesar de constituído por alimentos pouco recomendáveis. Assim, Mark Haub trocou as refeições habituais que incluíam carne, legumes, cereais, etc., por bolos de fabrico industrial e salgados em pacote (batatas fritas) de três em três horas, equivalentes a dois terços da sua ração alimentar quotidiana. O terço restante compreendia legumes. Incluiu, ainda, uma lata de refrigerante com gás e suplementos vitamínicos. Ao todo, Haub passou a consumir 1800 calorias por dia, em vez das 2600 habituais, e não alterou a sua actividade física. O regime foi feito durante dez semanas.

Não há nada de novo nesta experiência. Todos sabemos que, para a maioria das pessoas, quando se reduz a ingestão de calorias e se cria um balanço energético negativo perde-se peso. Pelas minhas contas, Haub fez uma redução calórica de 800 calorias por dia o que corresponde, ao final de 70 dias (tempo que durou a experiência), ter deixado de ingerir 56000 calorias. Não admira, portanto, que tenha diminuído o seu peso.

O problema destas notícias é a desestabilização que provocam no público. As pessoas ficam a pensar que podem comer estes alimentos hipercalóricos, cheios de gordura, açúcar e sal, sem restrições e que isso até lhes permite emagrecer. Mas não é verdade! Ele emagreceu porque reduziu calorias durante um período prolongado de tempo. Faltou a este senhor mostrar, através de dados bioquímicos, as consequências para a sua saúde resultante da privação de numerosos nutrientes indispensáveis ao funcionamento saudável e harmonioso do organismo.
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