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Síndroma do Comedor Nocturno


O Síndroma do Comedor Nocturno, conhecido pelas suas siglas em inglês NES (Night Eating Syndrome), foi descrito pela primeira vez por Albert Stunkard, em 1955, num estudo que realizou para determinar o comportamento alimentar em pacientes com obesidade severa que apresentaram resistência ao tratamento de redução de peso. A prevalência deste transtorno varia segundo diversos estudos, mas pensa-se que afecta cerca de dois por cento da população. Atinge ambos os sexos, mas é mais frequente em mulheres (cerca de 66% dos casos). As pessoas com o NES apresentam normalmente maior tendência para a depressão e têm baixa auto-estima. Em termos endócrinos está provado que os níveis nocturnos das hormonas melatonina e leptina estão diminuídos.

O NES parece ser resultante de um desequilíbrio químico do cérebro. É caracterizado por anorexia de manhã e hiperfagia e insónia à noite com alterações neuroendócrinas. A exacerbação dos sintomas coincide com os períodos de ganho de peso e episódios de stresse. Os alimentos ingeridos depois da última refeição são aqueles que possuem mais hidratos de carbono como bolachas, bolos, biscoitos, chocolate e pão.

O que diferencia as pessoas que sofrem do NES das que que sofrem de bulimia é que nas primeiras a necessidade de comer compulsivamente acontece sempre à noite e não tentam nenhum acto de compensação como vomitar, tomar laxantes ou diuréticos.

A anorexia matinal é definida como jejum ou ingestão pouco abundante durante o horário da manhã. Este fenómeno explica-se como sendo uma consequência da alteração do ritmo biológico, o que retarda a aparição do apetite. É frequente que estas pessoas não sintam vontade de comer durante as primeiras horas do dia, inclusivamente podem deixar de almoçar ou sentir muito pouca fome até à tarde.

Quanto à hiperfagia nocturna, Stunkard refere que as pessoas com padrões alimentares adequados têm um consumo calórico depois do jantar menor do que 10% do total requerido para um dia, enquanto os que apresentam o NES ingerem cerca de 35% das suas calorias diárias depois do jantar.

Os ataques nocturnos ao frigorífico não são considerados transtorno alimentar se forem esporádicos, mas se forem frequentes devem ser encarados como um problema que tem que ser resolvido porque leva invariavelmente à obesidade. Neste caso o melhor é procurar a ajuda de um especialista em endocrinologia ou fazer uma consulta do sono por uma equipa de especialista que estudam, diagnosticam e tratam todas as patologias do sono, em todas as idades, desde a criança ao idoso.

Sítios e Bibliografia consultados
http://www.scielo.org.ve/scielo.php?pid=S0798-07522006000100006&script=sci_arttext
http://www.med.upenn.edu/ins/faculty/stunkard.htm

Gluck EM, Geliebter A, Satov T. Night eating syndrome is associated with depression, low self esteem, reduced daytime hunger and less weight loss in obese outpatients. Obes Res 2001;94:264-267.

Allison KC, Stunkard AJ, Thier SL. Overcoming night eating syndrome. Oakland, New Harbinger Publications, 1st edition. 2004
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