O leite à noite e a obesidade infantil


Ainda a propósito do post anterior gostaria de acrescentar que no caso da criança apresentar excesso de peso, o leite da ceia deve ser mesmo abolido. Esta semana tive na consulta de obesidade infantil uma menina de quatro anos que apresentava uma obesidade gravíssima (percentil de IMC muito acima de 97). A mãe trouxe-a ao médico porque ela se queixava de dores nos ossos das pernas e pés o que não seria suposto numa criança de quatro anos. Obviamente que o médico de família a encaminhou imeditamente para a minha consulta. Fazendo a história alimentar desta criança, entre outros erros, verifiquei que a mãe lhe dava um biberon de 220 ml de leite quando ela ía para a cama, isto é, duas horas depois de ter jantado uma refeição completa.

Este caso vem ao encontro do que diz o Dr Paulo Oom na sua crónica. Tem que haver bom senso! Uma criança não pode comer tudo o que quer e nem comer tanto como um adulto. E os adultos não podem achar graça a uma criança que o faça. Longe vai o tempo em que se pensava que os meninos gordinhos são os mais saudáveis. Uma criança obesa pode apresentar hipertensão arterial, desenvolver diabetes e ter problemas osteoarticulares. Nós os profissionais que trabalhamos nesta área andamos assustados com o número cada vez maior de crianças pré-obesas e obesas. E estas crianças são filhas de pais que têm a obrigação de estar informados e limitar o consumo de determinados alimentos. Refiro-me aos cereais de pequeno-almoço, ao "sumo" à refeição, aos croissants ao lanche, aos gelados e guloseimas a toda a hora. Quanto mais tarde se introduzir o açúcar na alimentação das crianças melhor. Ele não é preciso para nada uma vez que existe naturalmente nas frutas e no leite.

Se ama os seus filhos cuide da saúde deles: alimente-os bem! Se for preciso consulte um nutricionista, o profissional mais habilitado para o ajudar.
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