Diabetes, Hipertensão e Obesidade: Três doenças, uma epidemia

Excertos de uma entrevista que o Dr. Mário Espiga de Macedo, assessor da Coordenação Nacional para Doenças Cardiovasculares, concedeu à revista Mundo da Saúde:

(...) A nossa constatação - através de estudos epidemiológicos e de inquéritos de saúde, a nível nacional e mundial - demonstra que a diabetes está a aumentar de forma exponencial e porque está a aumentar igualmente a obesidade. E a obesidade exagerada significa uma probabilidade muito maior de ter diabetes. E o mais preocupante é que hoje em dia temos jovens cada vez mais gordos. Os inquéritos a nível nacional demonstram que mais de 30% dos nossos jovens sofrem de excesso de peso e obesidade e muitos deles com obesidade muito significativa. Para além disso, começamos a ver nas consultas algo que não víamos há 20 anos atrás, ou seja, diabetes do tipo 2 - a diabetes do adulto ou do obeso- em crianças de 14 ou 15 anos. E a principal preocupação é esta: associada à obesidade está a diabetes e associada a estas duas estão a hipertensão e as doenças cardiovasculares. Se não fizermos nada para contrariar esta tendência, daqui a 20 ou 30 anos teremos uma população adulta jovem cheia de problemas. E a melhor de o fazer é, não gastar muito dinheiro a tratar os doentes que já estão doentes- porque tiveram uma doença coronária ou um AVC (acidente vascular cerebral), ou insuficiência renal provocada pela diabetes - mas sim evitar que outros não cheguem a essa situação.(...)

(...) Os miúdos hoje brincam mais com computadores do que jogam futebol, ou andam às corridas ou às "caçadinhas" e isso contribui para o problema. Piores são os hábitos alimentares, os croissants, os bolos e o facto de ser muito mais fácil comer alimentos condicionados do que comer uma sopa ou um pão com fiambre.(...)

Sobre o impacto social que estas doenças provocam nas pessoas:

Desde logo o impacto no aspecto da pessoa e sobre a sua vida social. Estas pessoas cansam-se mais, transpiram mais, têm dificuldade em comprar roupa, etc. Mas o que é grave é que mais precocemente vão ter hipertensão, vão sofrer acidentes vasculares cerebrais, enfarte do miocárdio, insuficiência renal e todos os problemas da diabetes - perturbação da visão, perturbações neurológicas e perturbação da circulação periférica. Isto, muito provavelmente antes dos 50 anos. Portanto, na plena pujança de um adulto, já começam a estar doentes. E isto tem custos pessoais, sociais e para o Estado. Em vez de estarmos a tratar um indivíduo entre os 70 e os 90 anos, estamos a tratar um indivíduo entre os 45 e os 50 anos. São mais anos de despesa, mais anos de baixa, mais anos de subsídios e mais anos de incapacidade.
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