O CASAMENTO FAZ BEM À SAÚDE?


Um artigo com o título de cima acaba de ser publicado na revista do jornal "New York Times" (ler aqui). É sua autora a jornalista de temas de saúde e bem-estar Tara Parker-Pope autora do livro que está prestes a sair na editora Dutton “For Better: The Science of a Good Marriage”.

É comum, tanto nos homens como nas mulheres, ocorrer aumento de peso depois do casamento. Há até quem fale do "Síndrome da Gordura Pós-Matrimonial". Deste ponto de vista, casar fará mal à saúde...

Mas Parker-Pope fala-nos antes nas vantagens para a saúde do casamento:

"Estudos recentes têm mostrado que as pessoas casadas têm menor probabilidade de padecer de pneumonia, ter uma cirurgia, desenvolver cancro ou ter um ataquescardíacos Um grupo de investigadores suecos descobriu que estar casado ou junto na meia-idade está associada a menor risco de demência. Um estudo de duas dezenas de causas de morte na Holanda descobriu que, em praticamente todas as categorias, desde mortes violentas como homicídios e acidentes de carro até determinadas formas de cancro, os solteiros apresentavam um risco muito maior do que os casados. Ao longo dos anos, estudos como estes têm influenciado tanto a política como a governação, alimentando os esforços nacionais de promoção do casamento, como a Iniciativa do Casamento Saudável do Departamento Norte-Americano de Saúde e Serviços Humanos. De 2006 a 2010, este programa recebeu anualmente 150 milhões de dólares para gastar em projectos como esforços de "redução de divórcio", referindo muitas vezes os benefícios para a saúde de se casar e de permanecer casado."

O artigo centra-se na investigação realizada por um casal de médicos da Faculdade de Medicina da Ohio State University, Ronald Glaser and Jan Kiecolt-Glaser, o primeiro imunologista e a segunda psiquiatra, que tentaram em conjunto estabelecer o novo ramo da neuroimunologia.

"No 'The Journal of Health and Social Behavior' publicaram recentemente um estudo de acompanhamento da história conjugal e de saúde de quase 9000 homens e mulheres nos seus 50 e 60 anos. O estudo, que partiu de trabalho de investigadores da Universidade de Chicago, descobriu que, quando as pessoas ficavam sozinhas - fosse por divórcio fosse pela morte de um dos cônjugues -, sofriam um declínio na saúde física de que nunca iam recuperar totalmente. Estes homens e mulheres tinham 20 por cento mais de incidência de problemas crónicos de saúde, como doenças cardíacas e diabetes, do que aqueles que ainda estavam casados com o primeiro marido ou mulher na meia-idade. Os divorciados e viúvos também tinha envelhecido pior, reportando mais problemas a subir e a descer escadas ou a caminhar grandes distâncias."

Quase no final, informa-nos a autora sobre pesquisas de nutrição:

"Os Glasers estão a realizar estudos para testar se suplementos regulares de óleo de peixe, rico em ácidos gordos ómega-3, podem atenuar alguns dos sintomas físicos do stresse sobre o sistema imunológico.

O casal também vai iniciar um novo estudo sobre a interacção entre a nutrição e o stress matrimonial. Uma pesquisa mais adiantada no estado de Ohio mostrou que, quando aos sujeitos do estudo foram dadas por via intravenosa injecções de gordura durante os períodos de stress, os triglicéridos, gorduras que estão associados a doenças do coração, demoraram mais a deixar a corrente sanguínea. Mas Kiecolt-Glaser está mais interessada no problema do mundo real: O que acontece com a capacidade do corpo de assimilar gorduras, quando os casais discutem à hora do jantar? Para descobrir isso, ela está pensar em alimentar os casais com dois tipos de refeições - uma relativamente saudável e outra rica em gorduras de fast food. Durante a refeição os casais serão convidados a debater temas stressantes, e uma análise ao sangue permitirá depois vislumbrar o efeito que o conflito tem na capacidade do organismo de metabolizar gorduras. "É a maneira ideal", disse Kiecolt-Glaser, de "ver o que se passa com os casais no mundo real, onde muitos conflitos familiares acontecem durante a refeição." "

Aguardam-se as conclusões, que poderão ser interessantes...
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