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A ARTE DE BEM COMER E DA VOLÚPIA

Transcrevo excerto do livro que acaba de sair na Bizâncio "A arte de bem comer e da volúpia" da ensaísta francesa Dominique Loreau, que vive no Japão desde finais dos anos 70 e que tem divulgado a arte de viver oriental:

"A saciedade moderada é um estado impreciso, contrariamente ao estado de saciedade completa em que a pessoa se sente "repleta". Muitas vezes, é porque comemos sem ter realmente fome que comemos... sem parar! Quando o estômago de um animal está cheio, ele pára de comer. Até aos três anos, os bebés também param de comer quando se sentem cheios. Só depois dessa idade é que continuam a comer, como os adultos, mesmo quando o estômago está saciado. Aliás, o homem é o único ser vivo que não sabe instintivamente quando deve parar. Muitas vezes, quando comeu tanto quanto o estômago lho permite, ainda se sente vazio, ansiando por obter satisfações suplementares. Será que isso se deve à inquietação, ao facto de saber que os abastecimentos constantes de alimentos não são seguros? Haverá uma vozinha a sussurrar: "Come o que puderes enquanto puderes. Este mundo é tão pouco seguro, o prazer tão precário! Explora ao máximo o prazer de comer"? Segundo sociólogos americanos, os sujeitos obesos concederiam muita importância às características externas dos alimentos (odor, gosto, sabor, prazer esperado...) e alargariam os limites da sua saciedade consumindo ainda mais. O desejo substitui então a fome. Os alimentos que se desejam são, em geral, gordos e açucarados. Mas o problema reside no facto de que sem fome não há saciedade, o que significa que não há razão para parar de comer.

Para reencontrar sinais psicosensoriais fisiológicos, a única solução consiste em redescobrir primeiro um verdadeiro prazer em comer e em aprender a comer de outra maneira, sobretudo mais devagar. Com efeito, para que o cérebro envie ao corpo o sinal de que está saciado são necessários cerca de 20 minutos a mastigar e a engolir. Para comer o mínimo possível durante esse espaço de tempo, o truque está em encher pouco a boca e em mastigar insistentemente (daí a importância dos alimentos "sólidos"). Um médico indiano recomendou-me que recomeçasse a mastigar mais uma vez, lentamente, os pedaços de alimentos que me preparava para engolir. Segundo ele., essa técnica, só por si, permite perder vários quilos num ano... Também me advertiu em relação às gorduras e açúcares que, como é sabido, provocam uma saciedade meramente superficial!"
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Numa frigideira coloque o azeite e os alhos picados até estes começarem a fritar. Junte a couve, a cenoura e um pouco de sal. Deixe cozinhar cerca de oito minutos mexendo com frequência (se gostar da couve mais cozida deixe cozinhar mais tempo). Está pronto! 

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Experimentem!

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