"O CAOS NA ROTULAGEM ALIMENTAR"

A propósito da rotulagem dos alimentos: Saiu ontem no New York Times um artigo intitulado "Six Meaningless Claims on Food Labels" (Seis Frases Sem Sentido Nos Rótulos Alimentares) que, citando a coluna Consumer Ally” no AOL’s WalletPop site, alerta para a linguagem utilizada pelos fabricantes para levarem os consumidores a acreditar que os seus produtos são alimentos saudáveis. É cada vez mais comum encontrarmos rótulos com alegações sem sentido como "feito com boas matérias naturais" ou "aprovado pelas crianças". Por outro lado, algumas alegações regulamentadas como "saudável" ou "contém antioxidantes" têm sido de tal modo banalizadas que perderam a credibilidade.

O Centro para a Ciência no Interesse Público (Center for the Science in the Public Interest - CSIP) publicou recentemente um relatório disponível online, com 158 páginas, intitulado "O Caos na Rotulagem Alimentar", onde identifica as seis alegações enganosas mais comuns em alimentos consumidos pelos americanos, que não serão, certamente, muito diferentes dos nossos. Fica aqui, resumindo o que vem no "New York Times", o alerta para estarmos atentos e não nos deixarmos enganar:

1. "Ligeiramente adoçado". Os pacotes de cereais contêm muitas vezes a frase "levemente adoçado" para indicar ou sugerir que contêm menos açúcar. A Food and Drug Administration (FDA) dos EUA regulamentou a utilização dos termos "sem açúcar" e "sem adição de açúcares", mas não disse nada a respeito das afirmações "com pouco açúcar" ou "ligeiramente adoçado." Estas menções devem ser determinadas por regras nacionais e não pelo marketing, lembra o relatório do CSPI.

2. "Boa fonte de fibras". Cada vez mais alimentos têm escrito nos rótulos que são uma boa fonte de fibra, mas o CSPI observa que muitas vezes a fibra não provém de fontes tradicionais - grãos integrais, feijão, legumes ou frutas - reconhecidamente boas para a saúde. Em vez deste tipo de fibras, os fabricantes adicionam as chamadas "fibras isoladas" feitas de raiz de chicória ou de pós purificados de polidextrose e outras substâncias que ainda não demonstraram o seu efeito para fazer baixar a glicémia (o açúcar no sangue) ou o colesterol.

3. "Reforça o seu sistema imunitário". Este tipo de alegações leva o consumidor a pensar que ficam protegidos das doenças, o que está longe de ser verdade. É uma frase vaga e, por isso, sem muito sentido.

4. "Feito com fruta verdadeira". Muitas vezes a fruta está em baixíssima quantidade e não se trata, frequentemente, do mesmo tipo de fruta retratado na embalagem.

5. "Feito de cereais integrais". Muitos produtos têm no rótulo que provêm de grãos de cereais integrais embora, por vezes, eles contenham farinha refinada como primeiro ingrediente, sendo mínima a quantidade de cereais integrais.

6. "Só contém produtos naturais". O FDA já enviou cartas de advertência a várias empresas lembrando que este rótulo é enganador, mas não emitiu nenhuma regra formal sobre este termo.

Fonte: The New York Times.

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