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OS ÓMEGA-3 NÃO SÃO TODOS IGUAIS


A revista Nature publicou recentemente mais um artigo científico que mostra as vantagens, para a saúde cardíaca e vascular, do consumo de ácidos gordos ómega-3 de cadeia longa. Estes estão presentes na gordura dos peixes de águas profundas, como o salmão, o atum, o bacalhau e o cação, e são diferentes dos ácidos gordos ómega-3 que se encontram nos alimentos vegetais. Sabemos que as nozes e os óleos de sementes de linhaça, de girassol ou de soja, têm ácidos gordos ómega-3, mas estes são de cadeia curta e, aparentemente, não têm os mesmos benefícios para a saúde (cardiovascular) que os de cadeia longa, existentes no peixe.

A indústria alimentar adiciona ácidos gordos ómega-3 a determinados alimentos alegando vantagens para a saúde, com o manifesto objectivo de aumentar as vendas, mas não esclarece qual ou quais são os ómega-3 que utiliza. Não é difícil prever que serão certamente os de origem vegetal, de cadeia curta, cujo ocusto de extracção é muito menor. Mas os alimentos enriquecidos são mais caros uma vez que, sempre que alegam um benefício para a saúde, passam a ser considerados "alimentos funcionais". No entanto, neste caso, as vantagens para a saúde do consumidor são muito duvidosas...

No estudo provou-se existirem vantagens cardiovasculares pelo consumo de 1 g de ácidos gordos ómega-3 de cadeia longa por dia em pessoas com doença coronária. Os cientistas consideram que pessoas saudáveis deviam tomar uma dose de 250 a 500 mg de ácidos gordos ómega-3 por dia através da ingestão de óleo de peixe ou de comprimidos de óleo de peixe.


Referência
John H. Lee , James H. O'Keefe , Carl J. Lavie and William S. Harris."Omega-3 fatty acids: cardiovascular benefits, sources and sustainability", Nature Reviews Cardiology 6, 753–758 (1 December 2009)

Imagens
http://altmed.creighton.edu
http://toligadonews.blogspot.com/2009/10/alimentos-enriquecidos-beneficio-ou.html
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