Emagrecer é...

Excluir a terapêutica medicamentosa para tratar a obesidade.

Alguns doentes com excesso de peso chegam à minha consulta de nutrição clínica e alimentação com esperança de que lhes dê não só uma dieta mas também mais "qualquer coisa" para ajudar. Perder peso fácil está geralmente associado à ideia de recurso a fármacos, embora a experiência das complicações resultantes da administração de vários medicamentos dietéticos, ao longo de décadas, coloque em dúvida a boa relação benefício/risco.

Actualmente, estão no mercado dois fármacos cujos princípios activos são a sibutramina e o orlistat, que podem ser receitados durante um certo período. Apesar de serem diferentes os respectivos mecanismos de acção, ambos têm efeitos adversos.

A sibutramina, um inibidor da recaptação de serotonina e norepinefrina, actua aumentando os níveis destas duas substâncias químicas do cérebro que ajudam a controlar o apetite. O aumento da pressão arterial é o seu principal efeito secundário, não devendo por isso ser tomada por pessoas com hipertensão não controlada.

Por seu lado, o orlistat é um inibidor da lipase, uma enzima produzida no pâncreas, que é bloqueada, impedindo que cerca de 30% da gordura alimentar seja digerida e absorvida no intestino. Os efeitos indesejáveis são a produção de fezes oleosas, o descontrolo das dejecções e a má absorção de vitaminas lipossolúveis (vitaminas A, D, E e K). Aconselha-se, então, quem esteja a tomar orlistat que compense essa falta com suplementos destas vitaminas e ainda a ter em atenção a falta de vitamina B12 e de ferro.

A prescrição de qualquer um destes medicamentos para emagrecer implica sempre a recomendação de dieta baixa em calorias e aumento de exercício físico. O medicamento por si só, sem orientação alimentar, não permite mais do que uma baixíssima redução de peso. O peso perdido é recuperado facilmente logo que termine a medicação.

Sabendo tudo isto, pergunto: Valerá mesmo a pena tomar medicamentos para emagrecer?

Emagrecer sem esforço é utópico. Mudar hábitos exige determinação e força de vontade, o primeiro passo para iniciar um programa de perda de peso naturalmente saudável e consistente. O segundo passo será procurar um nutricionista, o profissional de saúde mais habilitado para lhe dar acompanhamento durante todo o processo de emagrecimento e , depois, durante a fase de manutenção do peso.
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