Na Crista da Onda

Novo post de Margarida Vieira:


Nos últimos anos o surf tornou-se um dos desportos de praia mais populares do planeta. A 9ª etapa do Circuito Mundial de Surf terminou há dois dias (no dia 30 de Outubro) na Praia dos Supertubos, em Peniche. O português Tiago Pires faz parte da lista dos melhores surfistas do mundo. Talvez devido a êxitos como o dele são cada vez mais os jovens portugueses que se iniciam no surf...

Procurei informações sobre a forma como os surfistas se preparam para competir ao nível do circuito mundial. Contactei um surfcamp situado em Bali, Indonésia, por ser um dos locais mais procurados para o treino. O responsável, o australiano Josh Sward, escreve assim um dia normal de treino:

“O dia começa às 6 horas com o pequeno-almoço, normalmente constituído por cereais, torradas, fruta, leite e café. O primeiro treino de surf prolonga-se até às 9 horas. Nessa altura há um intervalo para o lanche da manhã com fruta e tostas mistas. Voltam às ondas cerca das 11 horas para o segundo treino até à hora do almoço, que acontece pelas 13h30. O almoço pode ser sanduíches de frango ou peixe sempre com salada de alface, tomate ou outros legumes, acompanhadas por batidos de leite com fruta. Depois é altura para fazer uma pausa e descansar. Às 16 horas fazem um lanche à base de pão e chocolate e iniciam o 3.º treino do dia (voltam a surfar ou aproveitam para ir ao ginásio). A hora do jantar está marcada para as 19h30, quando invariavelmente se come frango ou peixe (como fontes de proteínas) acompanhado de vegetais e arroz. Ao longo do dia ingerem cerca de 1 litro de água. A hora de dormir chega pelas 21 horas.”

Um surfista deve estar apto para competir em circunstâncias climatéricas adversas sempre em boa forma física (a temperatura da água do mar oscila muito com a zona do planeta e com a estação do ano; por exemplo, nesta altura do ano, a temperatura média da água em Bali ronda os 24 ºC enquanto em Portugal é apenas de 12 ºC). Deveria para isso ter a orientação não só de um profissional especializado em educação física como também de um nutricionista.

A informação disponível, com credibilidade científica, sobre o modo de optimizar o desempenho físico neste desporto é escassa. Este estudo, por exemplo, refere que a prática do surf exige qualidades físicas como velocidade, força e agilidade para realizar manobras, e resistência aeróbia para avançar, para além do impulso para entrar na onda. É fundamental, por isso, considerar aspectos relacionados com o metabolismo energético. Como o tempo de duração dos treinos é de 2 a 3 horas, verifica-se uma predominância do metabolismo aeróbio, mas, em momentos específicos que requerem velocidade e força, o organismo recorre ao metabolismo anaeróbio.

Em relação à alimentação, estes atletas tomam, em geral, entre 4 a 6 refeições diárias, mas não costumam seguir uma orientação nutricional, talvez por ausência de informação. Uma alimentação com teores de proteínas (fornecidas por carne magra, peixe, ovos e leite), de hidratos de carbono complexos (através da massa, arroz, pão e leguminosas como o feijão, ervilhas e grão) e de vitaminas e sais minerais (pela fruta e vegetais) ajustados às necessidades do atleta, é o princípio da alimentação adequada à prática de qualquer desporto. As necessidades energéticas variam de acordo com a constituição física de cada um e variam também com a modalidade praticada.

Margarida Vieira (m.margarida.vieira@gmail.com)

Bibliografia consultada: Horta, L. , Nutrição no Desporto. Caminho (1996)
Imagem: http://www.aspworldtour.com/2009/news_show.asp?rEvent=&rcode=13435

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