Pular para o conteúdo principal

O BALDE E O BIDÃO NAS SALAS DE CINEMA

Novo post da nutricionista Margarida Vieira:

Quando me encontro numa fila a comprar bilhetes para uma sessão de cinema, reparo sempre que as pessoas à minha frente, ao mesmo tempo que adquirem os bilhetes de cinema, compram também uns "baldes" de pipocas acompanhados por “bidões” de refrigerantes. Chamo-lhes baldes e bidões porque o tamanho das embalagens impressiona. Decidi então observar em pormenor o painel dos produtos alimentares que se vendem junto com os bilhetes de cinema. No quadro dos refrigerantes podemos escolher entre o copo pequeno (que leva meio litro), médio e grande (um litro), no das pipocas as mesmas designações, medida pequena, média e grande. No final do cinema encontram-se, infelizmente, as embalagens e copos vazios pelo chão, pelo que foi fácil trazer para casa um exemplar, dos mais pequenos, do balde e do bidão.

Em casa fiz os cálculos, isto porque, em relação às pipocas, não há alusão a qualquer informação nutricional e o peso líquido do conteúdo do balde se encontra no fundo da embalagem no sistema americano, isto é, em onças (oz). O balde mais pequeno de pipocas enche com 200 g, o que equivale à ingestão aproximada de 1028 kcal (valor médio) e 79,6 g de açúcares (cerca 12 pacotes de açúcar). Por seu lado, o bidão mais pequeno transporta 0,5 l de refrigerante, o que corresponde, por exemplo, no caso de se tratar de coca-cola, a 211 kcal e 53 g de açúcares (equivalente a 8 pacotes individuais de açúcar).

Em duas horas ingere-se, portanto, o equivalente a 20 pacotes individuais de açúcar e 1239 kcal. Quando não é mais... Se o balde e o bidão pequenos dão estes valores, calcule-se o que será com com as opções grandes, que transportam o dobro das quantidades. Este total calórico equivale a um almoço e um jantar.

Em conclusão, nos cinemas vendem-se mais pipocas e refrigerantes do que se vê cinema. É necessário não cair neste tipo de armadilhas, bem colocadas, que apelam ao consumo desenfreado de produtos alimentares cuja base principal é o açúcar. O resultado? Muitas calorias no organismo. E obesidade, claro.

Margarida Vieira
4 comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Leite sem lactose não é para diabéticos

Ontem de tarde, durante a consulta de atendimento a diabéticos, um dos utentes pôs-me a questão se o leite sem lactose seria o melhor para os diabéticos. A dúvida faz todo o sentido uma vez que a lactose é o açúcar natural do leite. No entanto, este leite foi criado para pessoas intolerantes à lactose, que não digerem bem o leite por deficiente produção de lactase, a enzima necessária ao desdobramento da lactose.

Então porque é que é que o leite com 0% lactose não é bom para diabéticos?

A lactose é um hidrato de carbono complexo (dissacárido) formada por duas moléculas de hidratos de carbono simples, a glicose e a galactose (monossacáridos). O leite com 0% lactose não tem, de facto lactose, mas tem os seus constituintes, a glicose e a galactose, que são açúcares simples que fazem subir a glicémia (glicose no sangue) mais facilmente. Quem prova este leite não tem dúvidas: ele é mais doce e foi por isso que o referido doente estranhou e me apareceu com o pacote de leite sem lactose na mão…

COUVE LOMBARDA SALTEADA

Ontem para o jantar fiz couve lombarda salteada com bifinhos de peru grelhados.  É um prato super fácil de fazer que se prepara em 15 minutos.

INGREDIENTES (para quatro pessoas)
Meia couve lombarda
1 cenoura
2 colheres de sopa de azeite
2 dentes de alho
sal marinho q.b.

Depois de lavar a couve, corte-a em juliana. Descasque e rale a cenoura. 
Numa frigideira coloque o azeite e os alhos picados até estes começarem a fritar. Junte a couve, a cenoura e um pouco de sal. Deixe cozinhar cerca de oito minutos mexendo com frequência (se gostar da couve mais cozida deixe cozinhar mais tempo). Está pronto! 

Acompanhei com bifinhos de peru grelhados, temperados com pimenta, pouquíssimo sal, mas com muito sumo de limão. 

Esta couve também fica bem a acompanhar qualquer tipo de peixe.
Experimentem!

O segredo de cozinhar bróculos verdes e nutritivos

Do livro "A cozinha é um laboratório" (Fonte da Palavra, 2009) transcrevo alguns conselhos para bem cozinhar os brócolos evitando, dentro do possível, perdas de nutrientes e o desenvolvimento de cores e aromas indesejáveis: "Corte-os apenas na altura de serem introduzidos na água quente. Além de os cortar em pedaços, dê um golpe longitudinal nos pedúnculos. Estes cortes têm como objectivo acelerar a cozedura, dado aumentarem a área de exposição à água quente. Adicione os brócolos à água a ferver, com o lume no máximo. Para minimizar a perda de nutrientes e ter a melhor cor final, não use muita água, nem pouca... no meio é que está a virtude! Deixe o recipiente destapado nos primeiros minutos. Cozinhe-os durante apenas cerca de 5 minutos (ficam mais estaladiços e com uma cor mais bonita). Se não os for consumir logo, passe-os por água muito fria mal sejam tirados do lume, para parar todo o processo. Como melhor alternativa, coza os brócolos em vapor. O resultado será ainda melh…