Cabelo a menos?

A calvice ou alopecia não tem retorno, mas pode ser parada ou, pelo menos, a sua evolução pode ser tornada mais lenta. É o que nos diz um artigo de Mónica L. Ferrado, publicado no caderno "Salud e Bienestar" do jornal espanhol "El País" de sábado, dia 10 de Outubro. Como se trata de um assunto que preocupa muitas pessoas, particularmente nesta época do ano, edito um resumo desse artigo para que os interessados possam ficar mais esclarecidos:

A queda de cabelo normal

Existem, em média, cerca de 100 000 cabelos que se vão substituindo em ciclos que vão de dois a seis anos. É normal que diariamente, ao pentear, caiam alguns deles , existindo épocas do ano em que essa queda é maior. A maioria dos mamíferos muda a sua pelagem depois do Verão para assim se preparar para o Inverno. Os seres humanos não são excepção, pelo que no Outono nos cai mais cabelo.

Este cabelo tarda uns meses a reaparecer, porque o folículo precisa de descansar. Mas, ao fim e ao cabo, trata-se de cabelo saudável. Só se perdeu a haste. As células mãe do folículo persistem e permitem que nasça um cabelo novo. Haverá lugar a preocupação quando passarem alguns meses e o cabelo não cresce, ou quando cai em excesso e nasce muito fino. Perante estes indícios deve-se consultar um dermatologista que prescreverá o tratamento adequado a cada caso.

Alopecia androgenética

Existem diferentes tipos de alopecia, mas a mais comum, responsável por 80% dos casos, é a alopecia androgenética. Pode ter início entre os 20 e os 30 anos, mas estabelece-se fortemente entre os 40 e os 50 anos. A linha de crescimento do cabelo vai retrocedendo, com as “entradas” a avançarem inexoravelmente até a cabeça ficar a descoberto. Este tipo de calvice dá-se quando as hormonas masculinas, os andrógenos, actuam sobre uma série de enzimas relacionadas com a degradação do folículo capilar, a raiz do cabelo. Esta relação com as hormonas é a responsável pelo mito de que os carecas são mais viris. Mas, segundo os especialistas, tal não é correcto porque não se trata só de excesso hormonal, que pode ocorrer em qualquer homem, mas sim da informação genética que determina que as hormonas desencadeiem o processo molecular que está por trás da calvice.

Alopecia nas mulheres

Uma mulher sem cabelo não tem a mesma aceitação social que um homem. “O problema ultrapassa a barreira da estética e pode chegar a provocar transtornos psicológicos graves”, explica Juan Ferrando do Serviço de Dermatologia do “Hospital Clinic” de Barcelona. Actualmente, quase 30% das mulheres entre os 20 e os 90 anos sofrem de alopecia e a percentagem está a aumentar.

Nas mulheres, a alopecia costuma ser difusa, repartida por todo o coro cabeludo, mas também tem uma base hormonal e hereditária. A predisposição genética desperta muitas vezes, por coincidência, em fases de mudança como o parto ou na menopausa em que ocorre queda de cabelo transitória. Mas outros factores como carências nutricionais, o stress, algumas doenças e medicamentos, podem desencadeá-la quando existe uma base genética. De facto, os especialistas verificaram que a maioria das mulheres, entre os 15 e os 30 anos, perderam cabelo após dietas de emagrecimento. A explicação é simples. Dietas muito restritivas com privação de alguns grupos de alimentos provocam carências nutricionais mais ou menos graves, que são compensadas pelo organismo que vai buscar os nutrientes em falta às estruturas que não são vitais, como os cabelos e unhas.

Quando não existe predisposição genética, os transtornos nutricionais ou problemas de saúde como a anemia ferropénica, problemas de tiróide, carência de cálcio, diabetes ou cancro provocam uma queda de cabelo subtil e difusa a que os dermatologistas chamam “eflúvio telegénico”. O stress e outros eventos emocionais negativos também podem ser a causa deste fenómeno. Nestes casos corrigir a causa pode acabar com a queda de cabelo, mas tal como nos homens, uma vez instalada, pode ser irreversível.

Soluções

As vitaminas, os oligoelementos ou as hormonas só servem de alguma coisa se a queda de cabelo for consequência de outro problema de saúde. Para a alopecia androgenética, a mais comum, não há solução, embora ela possa ser retardada se se for a tempo.

Existem tratamentos como o minoxidil ou a finasterida que determinam a manutenção folicular com alargamento da primeira fase do ciclo de crescimento do cabelo, que dura entre dois a sete anos e que, em indivíduos com alopecia, dura menos. Esteja atento aos produtos que prometem fazer crescer o cabelo porque não podem fazê-lo do nada. A alternativa mais eficaz é o autotransplante capilar que consiste em implantar cabelo com origem numa outra zona do corpo.
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