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Hoje é o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos

Margarida Vieira fala-nos, desta vez, de cuidados paliativos:

"Dar mais vida aos dias do que acrescentar dias à vida."
Cicely Saunders

Hoje, dia 10 de Outubro, assinala-se o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos. É um momento propício para compreendermos a importância deste tipo de cuidados, cada vez mais necessários, mas ainda desconhecidos da maioria dos portugueses.

O movimento moderno dos cuidados paliativos foi iniciado em Inglaterra, na década de 60, por Cicely Saunders (na imagem). Expandiu-se pelo Canadá, Estados Unidos e por último na Europa. Em Portugal apenas surge na década de 90.

Durante o século XX assistimos a grandes progressos da medicina, ao início da conquista da longevidade, mas também ao crescente aumento de doenças degenerativas como o cancro. Esta doença, devido a novas "armas" terapêuticas, tem, felizmente, vindo a apresentar um número cada vez maior de casos de cura. No entanto, existem ainda muitas outras doenças que não têm a mesma sorte. As necessidades destas últimas não são resolvidas pelos modelos de medicina curativa e, por isso, não podem, nem devem, ser ignoradas. Precisam de cuidados paliativos! Estes são cuidados de saúde activos, rigorosos, que combinam ciência com humanismo. É necessária uma equipa multidisciplinar que integre médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais devidamente formados e sensibilizados para a filosofia desta fase do cuidar das pessoas doentes, assegurando que elas e as respectivas famílias sejam o centro gerador das decisões.

Em cuidados paliativos, o objectivo principal é o controlo de sintomas, sendo a nutrição e a hidratação preponderantes a este nível. É comum o paciente apresentar falta de apetite, desinteresse e ou recusa pelos alimentos, mas há outros sintomas ligados à alimentação que resultam de situações agudas da sua doença ou de efeitos adversos do tratamento, tais como náuseas, vómitos, diarreia, saciedade precoce, má absorção, obstipação, xerostomia, disfagia (dificuldade em engolir), entre outros. Consequentemente, estes doentes apresentam muitas vezes baixa ingestão alimentar, perda ponderal acentuada, perda de massa muscular, depleção de tecido adiposo e caquexia. A intervenção do nutricionista torna-se, por todos estes motivos, crucial pois pode permitir uma evolução favorável do estado geral do doente e da sua qualidade de vida.

Informações sobre o modo de aderir ao movimento dos cuidados paliativos encontra-se no sítio da Associação Portuguesa dos Cuidados Paliativos.

Margarida Vieira

Bibliografia consultada
James L. Hallenbeck, M.D. Palliative Care Perspectives, Oxford University Press 2003
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