Cépticos do Colesterol

Transcrevo excertos de um artigo sobre o colesterol, que contém declarações que prestei à jornalista Barbara Bettencourt, publicado na revista Activa de Novembro (já à venda):

«(...) Quererá isto dizer que podemos ingerir colesterol à vontade? Ana Carvalhas não vai tão longe: "Em algumas pessoas, os níveis de colesterol são o reflexo directo dos excessos alimentares, pelo que a dieta é decisiva. Noutras, esses níveis resultam do colesterol produzido em excesso pelo fígado (independentemente da dieta). Quando é assim, cabe ao médico avaliar a existência de outros factores de risco cardiovascular e a necessidade ou não de medicação". Por exemplo: "Uma pessoa magra, com colesterol total (CT) elevado, mas sem hipertensão ou diabetes, não tem risco cardiovascular, uma teoria defendida pelos cépticos do colesterol, que eu partilho. Neste caso, a alimentação não é um factor decisivo, nem vale a pena andar a fazer restrições radicais ou a fazer medicação."

Só que na maioria dos casos, quem tem o CT aumentado tem também outros factores de risco, como o excesso de peso, a hipertensão ou a diabetes. "É o que chamamos de síndrome metabólica. Quando é assim, a alimentação é fundamental, porque o simples facto de perder peso faz baixar o colesterol e a tensão arterial. Tenho casos de pessoas que já deixaram a medicação quer para a hipertensão, quer para o colesterol com base na reeducação alimentar e no exercício (uma caminhada diária de 60 minutos). É esta a chave do sucesso."

Na opinião de Ana Carvalhas, os defensores da Hipótese Lipídica preocupam-se demasiado com as gorduras saturadas. "Muito pior é o abuso de alimentos processados cheios de gordura hidrogenada, açúcar e farinhas refinadas que, além de serem nutricionalmente pobres, têm um índice glicémico altíssimo, não saciam e são hipercalóricos. É isto que dizem os cépticos, e eu estou 100% de acordo."»
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