sexta-feira, 27 de março de 2009

A alimentação para a saúde começa na barriga da mãe

A British Medical Association (BMA) publicou um relatório no passado dia 10 de Março em que dá a conhecer a importância da nutrição desde o início da vida fetal na prevenção de inúmeras doenças. As escolhas alimentares da mãe vão ter grande impacto na saúde futura do bebé. É possível diminuir o risco dos bebés desenvolverem doenças crónicas não transmissíveis como cardiopatias, diabetes, obesidade, cancro, asma e até problemas cognitivos e comportamentais na infância e adolescência, se a mãe comer de uma forma saudável.

O relatório do BMA Board of Science intitulado "Early life nutrition and lifelong health" é uma referência para profissionais de saúde, governantes e público em geral. Vale a pena lê-lo.

Fonte da imagem: http://www.fertilefoods.com/

quinta-feira, 26 de março de 2009

Dois kiwis por dia para aumentar o HDL-colesterol

Um estudo publicado no International Journal of Food Sciences and Nutrition provou que comer dois kiwis por dia faz subir o HDL-colesterol (o colesterol protector) :
" (...) after 8 weeks of consumption of kiwifruit, the HDL-C concentration was significantly increased and the LDL cholesterol/HDL-C ratio and total cholesterol/HDL-C ratio were significantly decreased. Vitamin C and vitamin E
also increased significantly."
É mais uma dica para quem precise aumentar os valores sanguíneos de HDL-colesterol. Ver outros posts sobre o colesterol aqui.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Adoçante engorda mais do que açúcar

Excerto de uma entrevista, publicada na Notícias Sábado de 14 de Março de 2009, ao Dr. Albino Jorge Maia (na imagem), médico e investigador em neurociências, que participa numa investigação para compreender o modo como o cérebro traduz o valor subjectivo do que comemos. Em relação ao sabor doce, eis o que descobriu:

"(...) Uma das interpretações mais interessante dos nossos resultados está relacionada com um outro trabalho em que se concluiu que ratos com acesso a alimentos adoçados com adoçante artificial engordam mais do que outros a consumirem um açúcar calórico. Este achado, que à primeira vista parece um contra-senso, pode, à luz dos nossos resultados, ser relacionado com a necessidade de uma experiência «completa» de recompensa. Ou seja, uma vez que o contacto com o doce habitualmente antecede a disponibilidade de calorias, o contacto com esse sabor sem que as calorias sejam depois detectadas pode resultar na procura de calorias noutras fontes alimentares. Resultaria um consumo alimentar exagerado e um maior aumento de peso. Outros estudos terão de clarificar se isto é de facto válido em humanos, mas a sugestão (e sublinho que é apenas uma sugestão) é que os produtos ditos 'light' ou 'diet' podem acarretar alguns riscos." (Ver entrevista completa aqui.)

Se o leitor trocou o açúcar por adoçante para reduzir calorias, não se sinta perdido com mais esta informação. O que recomendo aos meus doentes, com sucesso, é que reduzam gradualmente a quantidade de açúcar que põem para adoçar as bebidas, de modo a educar o paladar para menos doce.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A outra face do ácido úrico


O ácido úrico, produto final do metabolismo das purinas, quando em excesso, é responsável pela ocorrência de gota, uma inflamação articular localizada no dedo grande do pé devida ao depósito de uratos (cristais de ácido úrico) na articulação.

Associada ao consumo de carne de caça, marisco e peixe azul, já foi doença dos ricos, que tinham capacidade económica para adquirir e comer em quantidade estes alimentos. Sabe-se que existe um risco cardiovascular aumentado associado a valores elevados de ácido úrico. No entanto, o ácido úrico é considerado um antioxidante natural, protector do stress oxidativo e dos radicais livres, processos implicados no envelhecimento cerebral e na deterioração da capacidade cognitiva na demência. Os doentes de Alzheimer, por exemplo, têm valores baixos de ácido úrico, o que pode sugerir a capacidade protectora deste composto na demência.

É exactamente isso que prova um estudo, que envolveu 4000 pessoas com idades superiores a 55 anos, e que analisou a influência dos valores de ácido úrico na demência ou na deterioração cognitiva. Os autores concluiram que valores elevados de ácido úrico estão associados a uma diminuição do risco de demência e a uma menor deterioração da memória e da função executiva.

Resumindo e concluindo: o ácido úrico em excesso faz mal às articulações e ao coração, mas, pelos vistos, faz bem ao cérebro.

Fonte da notícia: El País. Salud de 14 de Março de 2009
Fonte de imagem: http://healthlibrary.epnet.com/PamphletPrint.aspx?token=de6453e6-8aa2-4e28-b56c-5e30699d7b3c&chunkiid=22829

quarta-feira, 18 de março de 2009

Exercícios simples nos tornozelos melhoram o equilíbrio e a mobilidade nos idosos

Um estudo realizado por investigadores da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto revelou que um conjunto de exercícios simples nos tornozelos pode aumentar a força muscular e melhorar o equilíbrio corporal e a mobilidade funcional dos idosos.

Fernando Ribeiro (à direita na imagem) e José Oliveira (à esquerda), autores do estudo que envolveu 48 idosos de uma instituição, concluíram:

"Um programa centrado apenas numa articulação em dois grupos musculares, pouco dispendioso relativamente ao tempo de prática de exercício, não requerendo equipamentos e instalações específicas, com baixo nível de supervisão e que pode ser implementado em todos as instituições de acolhimento de idosos, possibilita o aumento de aptidão funcional favorecendo a independência e a autonomia neste segmento populacional".

Ver notícia completa aqui.

Fonte da notícia: http://noticias.up.pt/

terça-feira, 17 de março de 2009

Michelle Obama ajuda a criar hábitos saudáveis

Desde que chegou à Casa Branca, Michelle Obama tem feito um trabalho que, a meu ver, poderá modificar os hábitos pouco saudáveis dos americanos. Ela tem elogiado e incentivado as hortas nas proximidades, como meio de assegurar o fornecimento de vegetais e frutas frescas às comunidades locais, e abriu as portas da cozinha da Casa Branca para mostrar deliciosas receitas de vegetais confeccionadas por chefs.

Ela própria serviu refeições da Casa Branca, à base de sopa e fruta fresca, a um grupo de sem-abrigo. Com esta acção a primeira dama pretende criar um movimento de solidariedade nacional: "Podemos fornecer este tipo de alimentação saudável a todas as comunidades em todo o país, e podemos fazê-lo se cada um de nós contribuir."

Quando a nação enfrenta uma epidemia de obesidade e um gosto generalizado, difícil de contrariar, por pratos com açúcar, sal e gordura a mais, a sua mensagem é clara: "os alimentos frescos e nutritivos não são iguarias para serem saboreadas pelos ricos, mas antes componentes essenciais da alimentação de qualquer família."

Muitos cidadãos que tinham pedido ao Presidente Obama para usar a Casa Branca como um púlpito no sentido de melhorar os hábitos alimentares americanos aplaudiram as declarações da Senhora Obama. E ficaram contentes ao saber que na Casa Branca são consumidos frutos e legumes frescos provenientes de quintas em Maryland, Pensilvânia e New Jersey. Mais, ficaram encantados ao saber que os Obamas tinham servido vinho biológico no seu primeiro grande jantar oficial na Casa Branca, um encontro de governadores estaduais realizado no mês passado.

Fonte do texto e da imagem: The New York Times

segunda-feira, 16 de março de 2009

A evolução das "vending machines"


Na imagem um italiano espreita pela janela de uma "vending machine" enquanto esta lhe prepara uma pizza. A máquina chamada "Let's Pizza" consegue fazer uma das quatro variedades de pizza disponíveis (margarita, bacon, fiambre e vegetariana) em apenas três minutos.

Claudio Torghele é o empresário italiano que teve essa ideia, por ter verificado a proliferação e o sucesso deste tipo de máquinas no seu país. De facto, elas existem em todos os edifícios públicos, desde tribunais a hospitais, passando por centros de saúde e escolas.

As "vending machines" são uma verdadeira praga também entre nós tendo proliferado ao ritmo que cresce o excesso de peso e a obesidade. A "Let's Pizza", que promete ser um sucesso de vendas, representa uma evolução das "vending machines" que, espero, seja fonte inspiradora para refeições mais saudáveis servidas neste tipo de máquinas.

Fonte: The New York Times

sexta-feira, 13 de março de 2009

QI elevado associado a menor risco de morte

Um estudo que envolveu um milhão de homens suecos revelou que existe uma forte correlação entre menor capacidade cognitiva e o risco de morte.

A equipa liderada pelo Dr. David Batty do MRC Social and Public Health Sciences Unit, em Glasgow, concluiu que a relação inversa entre o coeficiente de inteligência (QI) e a mortalidade pode ser, em parte, atribuída a comportamentos mais saudáveis exibidos pelas pessoas com maior QI. Por outro lado, as pessoas com menor QI morrem mais de acidentes, doenças coronárias e suicídios.

O Dr. Batty acredita que quem tiver maior QI terá menor propensão para fumar ou para beber demasiado álcool, alimentar-se-á melhor e terá mais actividade física. Estes comportamentos podem explicar, em parte, a maior longevidade.

Baseado neste estudo, o Dr. Barry sugere que, se os governos tomarem medidas para melhorar as condições de educação e de vida, isso trará claros benefícios para a saúde das populações.

Humor

quinta-feira, 12 de março de 2009

Cancro: origem genética ou ambiental ?

O comentário de um leitor ao post "Anti Cancro - Um novo estilo de vida" levou-me até ao artigo "Cancer is a Preventable Disease that Requires Major Lifestyle Changes", que pode ser visto aqui. A figura representa o papel dos genes e do meio ambiente no desenvolvimento de diversos tipos de cancro (clique na imagem para a aumentar).


A - Percentagem com que contribuem os factores genéticos e os factores ambientais no risco de contrair cancro: 5 a 10% e 90 a 95%, respectivamente.

B - Factores de risco familiares de diversos tipos de cancro.

C - Percentagem com que contribuem os factores de risco ambientais.

Vale a pena apostar na escolha criteriosa do que comemos e bebemos como forma de prevenir o cancro!

terça-feira, 10 de março de 2009

Comer peixe aumenta o QI dos jovens

Adolescentes que comem mais peixe são mais inteligentes. Esta é a conclusão de um estudo dirigido pelo Dr. Kjell Torén, do Hospital Universitário Sahlgrenska de Gotemburgo, publicado na revista Acta Paediatrica, que analisou o coeficiente de inteligência (QI) e as capacidades de expressão e orientação espacial de 3972 jovens suecos de 15 anos. Os testes foram feitos no ano 2000, quando os jovens tinham 15 anos e três anos mais tarde nos exames médicos de aptidão ao serviço militar.

Os rapazes que comeram peixe pelo menos uma vez por semana apresentaram uma pontuação sete por cento superior nos testes de QI feitos aos 18 anos. Os que comeram peixe mais do que uma vez por semana apresentaram uma pontuação doze por cento superior.

Maria Aaberg, coautora do estudo, concluiu que : "há uma correlação clara entre o consumo regular de peixe aos 15 anos e maiores possibilidades intelectuais aos 18".

Fonte da notícia: http://www.sciencedaily.com

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Sol contra a insónia

Se anda a dormir mal, saiba que andar ao sol todos os dias pode ser a solução do problema. Transcrevo parte de um artigo intitulado "O beijo do Sol" do sítio medicina preventiva.pt, que pode ser visto na íntegra aqui:
"Em anos recentes foi descoberto que a melatonina, uma hormona “natural” produzida pelo corpo, pode melhorar o sono. Os níveis de melatonina atingem o seu máximo em crianças, e começam a diminuir a um ritmo lento mas constante durante a vida adulta. Isso pode explicar porque é que as crianças dormem muito melhor do que as pessoas mais velhas. O organismo regula cuidadosamente a produção de melatonina. O processo é maioritariamente controlado pelos ciclos de luz e escuridão. A produção óptima ocorre durante a noite, especialmente quando há uma boa exposição ao sol durante o dia. A luz artificial é um fraco substituto, tal como o são os suplementos fabricados. A glândula pineal, localizada no cérebro, é o “relógio” que regula este processo. A melatonina não é armazenada no corpo. Necessitamos de um fornecimento liberal cada noite para dormir bem."

sexta-feira, 6 de março de 2009

Crianças com o gene da obesidade podem compensar o seu efeito com uma alimentação saudável

De acordo com uma nova pesquisa da University College of London (UCL) e da University of Bristol, as crianças que possuem o gene da obesidade podem compensar o seu efeito fazendo uma dieta de baixa densidade energética. Isto é possível com uma alimentação à base de legumes e frutas e limitando, ou eliminando totalmente, o consumo de alimentos com muita gordura e muito açúcar como é o caso das bolachas, bolicaos, croissants, folhados, biscoitos, cereais de pequeno-almoço, batatas fritas, snacks, sumos, chocolates, etc.
A densidade energética dos alimentos refere-se à quantidade de energia consumida por unidade de peso do alimento, ou o número de calorias por mordida.

O estudo envolveu 2275 crianças, com idades compreendidas entre os 10 e os 13 anos, que foram observados durante três anos para verificar o efeito da densidade energética da dieta na acumulação de gordura no corpo. As crianças que fizeram uma dieta com menos calorias por mordida, mas que possuíam o gene da obesidade, conseguiram compensar o seu efeito e ficar com um peso saudável.

Provou-se aqui que apesar da constituição genética ditar o risco para a obesidade, este pode ser contrariado com modificações conscientes do estilo de vida.

Os dados foram extraídos do Avon Longitudinal Study of Parents and Children (ALSPAC) e a análise foi realizada por investigadores da UCL, Universidade de Bristol, Península Medical School, e MRC Human Nutrition Research, em Cambridge.

Fonte:http://www.sciencedaily.com/releases/2009/03/090304091329.htm
Fonte Imagem:http://www.bristol.ac.uk/alspac/

quinta-feira, 5 de março de 2009

Um copo de vinho contra o cancro do esófago

O adenocarcinoma do esófago é um tipo de cancro raro mas que tem vindo a aumentar muito no Estados Unidos ao longo dos últimos 30 anos. A azia e o refluxo gástrico, de que sofrem milhões de americanos, poderão predispor ao desenvolvimento deste tipo de cancro. Um copo de vinho por dia ao almoço ou ao jantar poderá proteger a mucosa do esófago contra a erosão provocada pelo ácido gástrico. É pelo menos esta a convicção de cientistas americanos e irlandeses em estudos diferentes, mas com conclusões idênticas, que foram publicados este mês numa revista de gastroenterologia.

Os relatórios são surpreendentes porque o álcool é reconhecidamente um factor de risco para outro tipo de cancro do esófago mais comum : o carcinoma das células escamosas. Por isso, os investigadores são cautelosos e afirmam que os estudos são preliminares e que devem ser confirmados noutras investigações.

A equipa do Dr. Douglas Corley em Oakland, na Califórnia, verificou que os indivíduos que bebiam um copo de vinho por dia tinham uma redução superior a 50 por cento do risco de desenvolver "esófago de Barrett" (lesão pré-cancerosa da mucosa da porção inferior do esófago devida a exposição prolongada ao conteúdo ácido do estômago, na imagem). Nos adultos que bebiam cerveja ou outras bebidas alcoólicas não houve qualquer redução do risco.

O estudo irlandês liderado pelo Dr. Liam J. Murraya da Queen's University Belfast, concluiu que os indivíduos que beberam um copo de vinho à refeição durante mais de um mês tiveram uma redução da esofagite de refluxo, responsável pela azia crónica, superior a 50 por cento.

Fonte:http://www.nytimes.com/2009/03/05/health/05cancer.html?_r=1
Fonte da imagem: http://www.murrasaca.com/Barret.htm

terça-feira, 3 de março de 2009

FTO : O gene da obesidade

Desde 2006 que os cientistas investigam a acção do gene FTO na regulação do peso corporal. Alterações deste gene têm sido observadas em pessoas com sobrepeso e obesidade, pelo que é importante perceber melhor o seu modo de acção.

Recentemente um estudo feito por investigadores alemães, liderados pelo Dr. Jens Brüning, coordenador do Grupo de Excelência "Cellular Stress Responses in Aging-Associated Diseases" (CECAD), e pelo Dr. Ulrich Rüther, da Universidade de Düsseldorf, provou, com base num trabalho de laboratório, que ratinhos que não possuíam o gene FTO "queimavam" mais energia e não ficavam obesos. Este estudo forneceu mais um dado sobre a acção do gene FTO na regulação do peso corporal.

Fonte da imagem: http://www.obesityfacts.co.uk/fto-gene-how-it-is-linked-to-obesity/#more-163