Somos o que comemos ou comemos o que somos?


Somos o que comemos ou comemos o que somos?

O Dr. Gonçalo Cordeiro Ferreira, pediatra do Hospital Dona Estefânia (Lisboa), responde a esta e outras questões numa entrevista concedida ao jornal "Notícias Médicas", da qual transcrevo uma parte:

"Há mais perguntas do que respostas, mas é um pouco das duas coisas."

Recuando no tempo, o pediatra lembrou que o ser humano resulta de processos lentos de adaptação genética.

"Durante muito tempo fomos o que comemos porque, dependendo da alimentação, fomos modificando a nossa estrutura dentária e aumentando a nossa capacidade cerebral. A partir do desenvolvimento da agricultuira, passou a haver menos alterações genéticas, com algumas excepções. Por exemplo, no que respeita à lactase, houve uma alteração que nos permitiu digerir o leite, ao contrário do que acontece nos animais, que perdem essa capacidade após o desmame. De resto, ficámos com uma estrutura genética muito semelhante à do caçador-recolector, que tinha uma dieta completamente diferente, mais variada, à base de carne, com muito pouca gordura e alguns hidratos de carbono. "

Hoje em dia, é essa estrutura genética antiga que determina as nossas preferências.

"Os bebés estão condicionados para gostarem do doce e do energeticamente denso, precisamente para sobreviverem em momentos de escassez de energia, e para rejeitarem o amargo, que apresenta algum risco. Inatamente, os bebés aceitam o doce e rejeitam o amargo."

Se o genoma não evoluiu por aí além, o ambiente mudou imenso.

"Há uma grande desadequação do genoma ao ambiente. O homem está a restringir a sua alimentação ao que lhe dá mais energia, sem se adaptar ao ambiente em que vive e às suas actuais necessidades. No futuro os resultados poderão ser dramáticos."

Fonte: Notícias Médicas, 12/11/08
Imagem: http://images.teamsugar.com/files/users/1/15259/46_2007/fastfood2.jpg

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