quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Porque é que o sal faz subir a tensão arterial ?


Resumo de uma comunicação que apresentei num Workshop sobre alimentação e hipertensão arterial:

Considera-se que um indivíduo tem hipertensão arterial (HTA) quando apresenta valores da tensão máxima (pressão sistólica) superiores a 140 milímetros de mercúrio ou valores da tensão mínima (pressão diastólica) acima de 90 milímetros de mercúrio. No entanto, há factores que podem, pontualmente, alterar ou fazer variar a tensão, pelo que deve ser feita a média de duas ou mais leituras, antes de se extrair uma conclusão.

Porque é que a ingestão de sal faz subir a tensão arterial?

A água assegura, aproximadamente, 60 por cento do peso corporal e localiza-se em três compartimentos: vasos sanguíneos e coração (plasma) – oito por cento; interior das células (fluido intracelular) – 67 por cento; e espaços entre células (fluido intersticial) – 25 por cento.

Se o sangue se tornar salgado após uma refeição, o equilíbrio entre estes três compartimentos de água está alterado. A água desloca-se por osmose do fluido intersticial para o sangue com o objectivo de neutralizar o excesso de sal. Deste modo, o fluido intersticial perde parte da sua água, fica salgado e retira, por osmose, água do fluido intracelular.

Para evitar a desidratação das células o organismo possui mecanismos que fazem com que sintamos sede quando o sal aumenta no sangue de apenas um por cento. E sentimos sede, quando ingerimos um alimento salgado, em dois momentos distintos: no primeiro, as células detectoras de sal que existem na boca, garganta e esófago fazem-nos sentir sede, ainda antes de o sal ter sido absorvido nos intestinos. Trata-se de um mecanismo que assegura que a água e o sal são ingeridos simultaneamente. Uma ou duas horas depois, quando temos sede novamente, é porque o cérebro detecta um nível elevado de sal no sangue, após todos os alimentos e água terem sido absorvidos A ingestão de água restaura o desequilíbrio salino provocado pelos alimentos salgados e protege as células nervosas da desidratação. Em consequência da ingestão de grande quantidade de líquido sentimo-nos “inchados”, e há maior risco de aumento da tensão arterial. Isto acontece porque, sempre que um fluido é adicionado a um circuito fechado (como a nossa corrente sanguínea), a pressão desse fluido tem necessariamente de aumentar.

Os chamados indivíduos “sensíveis ao sal”, cerca de 30 a 60 por cento dos doentes com HTA, apresentam maior predisposição ao desenvolvimento desta patologia devido a ingestão salina. Embora existam outras causas para a HTA, os epidemiologistas atribuem boa parte da sua prevalência ao excesso de peso (gordura abdominal), à alimentação e ao estilo de vida.

Prevenção da HTA

Para prevenir ou ajudar a tratar a HTA, deve-se reduzir a ingestão de sal (deve ser dada especial atenção aos alimentos processados, que chegam a fornecer cerca de 70 por cento do sal consumido), aumentar a ingestão de alimentos que contenham potássio, vitamina C e cálcio (que incluem cereais, frutos, hortaliças, leguminosas e frutos secos). Deve ainda manter-se o peso dentro dos limites saudáveis, evitar o álcool, controlar o “stress” e praticar exercício aeróbico moderado e regular (por exemplo, fazer caminhadas diárias).
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